ROUBANDO A CENA

quarta-feira, 5 janeiro, 2011

 

ProF. Desiderio

As novas manobras políticas, inclusive a troca do secretariado, conduzida por João Henrique, prefeito de Salvador, tem inquietado e aguçado a curiosidade de analistas políticos, jornalistas e dirigentes partidários. Afinal o que João quer?

Todos tentando entender ou decifrar, os últimos movimentos realizados pelo prefeito desde o malogrado ingresso no PV até a renúncia do atual ex-secretário Alfredo Mangueira. As atitudes não necessariamente correspondem aos sentimentos de quem as produzem, o que faz prosperar as especulações.

Estaria o alcaide se prevenindo contra uma possível rejeição das suas contas pela Câmara de Vereadores, uma vez que já está reprovada pelo Tribunal de Contas dos Municípios? _ Vale lembrar que reprovação de contas torna o Gestor inelegível por 08 anos. É possível, afirmam alguns analistas, afinal prevenir é melhor do que remediar.

Outros acreditam que na verdade tudo não passa de cortina de fumaça para esconder terceiras intenções, não se pode esquecer que 50% dos empregados de “terceira” serão demitidos, só não se sabe por que foram contratados.

Há ainda aqueles que enxergam nas manobras de João, um desejo desesperado de arrumar “padrinhos” nos governos estadual e federal.

Todas as alternativas anteriores estão corretas, ou não como diria Caetano, o cantor. Vou preferir colocar mais uma alternativa no tabuleiro: a minha opinião. Afinal vivemos numa democracia.

Creio que o Alcaide quer roubar a cena e dessa forma manipular a todos nós. Pretende na verdade com seus factoides chamar a atenção para si, desviando, desse modo, as atenções da questão central que nos aflige: a inoperância administrativa.

O Prefeito é um homem habilidoso e astucioso, me fez lembrar as história contadas pela pró Joselita, na Escola primária, sobre uma burlão invencível: um tal de Pedro Malasarte. Este sempre roubava a cena.

 

 

MALASARTE IMPEDE QUE O MUNDO DESABE

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Histórias de Pedro Malasarte

Vinha Pedro Malasarte viajando por uma estrada, quando lhe deu vontade de verter água. Encostou-se a um paredão pertencente a uma bonita chácara. E quando estava no melhor, apareceu o dono da chácara, de bota e espora, alumiando raiva nos olhos, armado de uma baita espingarda, a perguntar-lhe quem tinha lhe autorizado fazer aquilo ali.

Malasarte disfarçou e respondeu:

— Ah! Meu senhor, desde manhã que estou aqui encostado, sem comer, nem beber, só por causa dos outros.

— Por causa dos outros? Como, assim, por causa dos outros?

— Estou escorando o mundo.

— Ara sô, você está doido!

— Pois é verdade, seô patrão, vinha eu caminhando com meus pensamentos, no meu quieto, mas, quando cheguei neste lugar, me apareceu a figura de um anjo que veio descendo do céu, envolto em luz muito brilhante, que me disse estas palavras:

— Por ordem do senhor Deus o mundo vai acabar à meia-noite de hoje. Imagine o susto que não levei! Mas o anjo me aquietou:

— Há um remédio para se evitar isso: é encontrar alguém que escore este muro, desde este momento até depois da meia-noite. Se é só isso, não tem problema, respondi ao anjo, vou cortar uma estaca…

— Não, não há tempo. Antes de um minuto o muro deve estar escorado. E me empurrou para aqui onde me acho sem poder arredar o pé, pois, se saio, o mundo vem abaixo.

— Deveras! Então, é melhor você escorar bem esse muro.

— Ah! Se o patrão me fizesse o favor de tomar um bocadinho meu lugar enquanto eu vou ali ao mato cortar uma escora para o muro, tudo estará arranjado, mesmo porque se eu ficar aqui por mais tempo, não vou resistir e o mundo virá abaixo. Ninguém escapará, a morte é certa.

O chacareiro pensou e resolveu tomar o lugar de Pedro que prometeu voltar logo com a escora, e até hoje está sendo esperado.®Sérgio.

Outras Histórias de Pedro Malasarte: (clique no link)

O Aniversário de Pedro Malasarte.

Malasarte e seu amigo Zeca.

Cozinhando sem Fogo.

O Juiz e a Cartola.

Malasarte e As Joias.

A Árvore que dava Dinheiro.