Suje suas mãos

segunda-feira, 17 janeiro, 2011

Nelson Pretto

De Salvador (BA)

Tempo de férias para a meninada. As famílias mais pobres aproveitam para incorporar toda a turma à labuta para uma graninha extra. Aquelas em melhores condições financeiras, ficam a buscar o que fazer com os que não estão na escola.

O livro de Matthew Crawford sobre a importância de se trabalhar com as mãos no mundo contemporâneo foi inspirador deste texto. Assim como ele, também percebo o quanto deixamos de lado os trabalhos manuais. Nossa vida está repleta de equipamentos, todos eles enlatados, hermeticamente fechados, de tal forma que não nos resta alternativa a não ser trocar tudo quando algum desses aparelhos quebra. Não experimentamos futucar nada!

Bom exemplo disso são os carros, hoje quase todos computadorizados. Alguns modelos já nem vêm com aquela varetinha para controle do nível óleo. Tudo está num painel informatizado. Muitos jovens já adquirem os seus primeiros carros com ar condicionado e, fechados nestes e com um som nas alturas, nem ouvem o barulho do motor, o que não permite ao motorista-aprendiz “sentir” o ruído do carro e, assim, compreender melhor como ele funciona. Nada disso importa, basta rodar. Quebrando, trocam-se as peças por inteiro. Isso vale para carros, geladeiras, liquidificador, som, qualquer coisa.

Também nossas escolas pouco valorizam os trabalhos manuais ao longo do ano. É sempre muito aula-conteúdo! Hoje, muitas crianças têm até nojo de pegar em barro, não gostam de se melar, não caminham descalças, não sabem apertar um parafuso, não observam a lua e as estrelas, não trepam mais em árvores – verdade que estas cada vez mais raras!

Experimentar essas sensações é algo que nos dá outra dimensão da vida e possibilita outra relação com os saberes e conhecimentos. Fazer experimentos científicos com coisas simples, construir bugigangas com sucatas, montar um radinho de galena (será que você sabe o que é isso?!) e tantas outras pequenas coisinhas, vão possibilitando uma formação científica mais ampla, uma relação mais direta com a natureza e o ambiente e, desse modo, uma formação mais sólida em todos os campos.

Mas não tenhamos saudosismo dessas atividades manuais em contraposição aos avanços tecnológicos, principalmente das comunicações, com destaque para a internet. Resgatar essas práticas manuais é absolutamente compatível com uma plena imersão no universo da cibercultura. Navegue pela internet e encontre pistas de “Como as Coisas Funcionam”, descubra o tal radinho de galena e tente fazer um, passeie pelos sites em busca de experiências e técnicas para consertar as coisas.

Uma forte articulação entre educação, cultura, ciência e tecnologia pode contribuir para que suas férias sejam mais bacanas, além de contribuir para pensar em escolas que se constituam em ricos espaços formativos dessa juventude, que é estimulada a fazer poucos trabalhos manuais e a pouco criar. Uma juventude que, na primeira necessidade, compra tudo pronto!

Nestas férias, role no chão, trepe em árvore e, se possível, participe de colônias de férias, mas escolha as mais rústicas – não pense em hotel cinco estrelas, com tudo à mão -, privilegie a experiência de viver o coletivo, em situações mais próximas da realidade de boa parte da população brasileira. Futuque um jardim ou a horta da comunidade. Pegue um aparelho velho quebrado e desmonte-o, olhe as peças, tente dar outra utilidade para elas. Faça experimentos, faça arte. Dispa-se das resistências e aproveite a vida simples, com as mãos meladas de barro ou de graxa.

Nelson Pretto é professor associado da Faculdade de Educação/UFBA. E-mail: nelson@pretto.info

 


O PSB a ética e a fidelidade partidária

segunda-feira, 17 janeiro, 2011

Edmo Lima

Nos últimos dias rumores na imprensa e nos bastidores políticos especulam a saída dos vereadores Orlando Palhinha e Lau,  do Partido Socialista Brasileiro-PSB e um possível ingresso no Partido Progressista-PP do Ministro Mário Negromonte.

Eleitos pelo PSB de Salvador nas eleições de 2008, os dois companheiros ingressaram no Partido sob um clima de desconfiança da militância e de alguns dirigentes á época, pelo comportamento e histórico político de ambos ser marcado por pouca convicção ideológica e pratica de “assistencialismo político” os famosos favores por voto e apoio.

È verdade também que esta nociva pratica política, ainda é a regra na política de Salvador e de todo o país, infelizmente.

Assim o PSB já conhecia o perfil de ambos (Lau e Palhinha), e  pouco reclama do fato de que os nossos vereadores não seguem a orientação do partido de atuar no campo da oposição a atual administração de Salvador.

A omissão dos dirigentes municipais quanto a este fato é uma prova de que o partido não acompanha e nem participa efetivamente dos mandatos dos citados companheiros, o que por tabela enfraquece a organização partidária e o reconhecimento pela sociedade quanto a atuação dos parlamentares eleitos pela legenda.

Corre nos bastidores informações que um grande acordo estaria sendo gestado entre  Lau e Palhinha, as executivas do PSB e do PP, no sentido que não houvesse ação judicial contra os vereadores por infidelidade partidária e assim os mandatos não fossem reivindicados para os suplentes do PSB, Samuel Nonato e Celso Cotrin.

Absolutamente nada pessoal contra Lau e Palhinha, porém se o PSB, ungir um acordo desta ordem, estará desmoralizando o instituto da fidelidade partidária e jamais poderá cobrar de qualquer filiado o cumprimento das normas e diretrizes partidárias nem hoje, amanhã ou sempre.

Este suposto acordo de preservação de mandatos deve ser  rechaçado pela militância, filiados, ex-candidatos e pela opinião pública, pois além de espúrio, ele prejudica o fortalecimento e a credibilidade do PSB.

Espero que este acordo imoral e aético seja apenas uma especulação.

Com a palavra os dirigentes do partido tanto os municipais e os estaduais.

Edmo D’El-Rei Lima (filiado ao PSB desde 2003)