Para Chico Alencar, 2017 começa com ‘nuvens carregadas’ para governo Temer

domingo, 11 dezembro, 2016
Deputado destaca que PSDB pode mudar de lado de acordo com rumos da Lava Jato
Jornal do BrasilPamela Mascarenhas

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Sobre os pedidos de impeachment de Michel Temer, Chico Alencar espera que o presidente Rodrigo Maia faça uma análise, mas diz que “não há indicação neste sentido”. Ele também destaca, contudo, que não vê chances de Maia fazer como o antecessor Eduardo Cunha e usar os pedidos “como trunfo para chantagear” o governo “em torno dos seus interesses”. “Eu acho que disto estamos livres.”

“Espero que ele [Rodrigo Maia] analise com objetividade a substância dos pedidos de impeachment”, diz Chico Alencar. “Entendo que esses pedidos, numa primeira visão, não seriam acatados por Maia, mas, com a evolução da conjuntura, isso pode acontecer. A crise econômica tem um papel determinante, 2017 começa com nuvens carregadas para cima do governo Temer.”

"A voracidade de fazer isso a toque de caixa é uma ofensa para todos", diz Chico Alencar sobre PEC 55
“A voracidade de fazer isso a toque de caixa é uma ofensa para todos”, diz Chico Alencar sobre PEC 55

Questionado sobre uma suposta articulação política para favorecer eleições indiretas, o deputado federal destacou que não tem conhecimento sobre isto, mas que acredita que trata-se de um jogo de “avanço e recuo”.

“O PSDB está cada dia mais desconfortável no apoio a este governo. Está de novo subindo para o berço predileto, que é o muro. E, depois do muro, pode mudar para algum lado, a depender da evolução da conjuntura econômica e da Operação Lava Jato, que tem um reflexo direto na conjuntura política”, avalia Chico Alencar.

Renan e STF

Chico Alencar aponta que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter Renan Calheiros no comando da Casa é “revelador” de como o cenário jurídico está “desarrumado”. Na ocasião, o Supremo decidiu que o peemedebista não pode assumir a Presidência da República numa eventual saída de Temer.

“Isto é casuísmo, vale a decisão para este caso específico, eu nunca vi isso”, destacou o deputado sobre o “supremo jeitinho que se deu”, a partir de considerações políticas e econômicas, para que “ninguém menos do que Renan Calheiros fosse considerado pela maioria da Alta Corte uma figura insubstituível”.

O deputado acrescenta que o Supremo acabou chamando para si os ecos do “Fora, Renan!” e se desgastando perante a opinião pública, o que “é muito ruim para o país”.

PEC 55 e reforma do ensino médio

Chico Alencar também comenta que o governo de Michel Temer toma iniciativas, como a reforma do ensino médio e a PEC do Teto de Gastos, de acordo com o seu próprio caráter — uma coalizão de políticos tradicionais, velha, clientelista, de investigados, privatistas “com total convicção”, adeptos do Estado mínimo.

“Essa reforma do ensino médio confunde os princípios pedagógicos mais elementares”, alerta o deputado. “É o típico caso que a forma deforma o que se pretende como reforma. Além do mais, no substitutivo da própria reforma, tem um aspecto anti-humanista e de retorno ao acesso à universidade para poucos, condenando os mais pobres a ensino técnico profissional de nível médio”, completa Chico Alencar.

“O mesmo governo que diz querer valorizar magistério propõe uma PEC de contenção de gastos de educação, o que é contraditório”.

Para o deputado, outro absurdo é a rapidez e a “voracidade” com que é encaminhada a PEC do Teto de Gastos no Senado. “No dia seguinte, já tem relator que diz que o relatório está pronto, com indício de que o relatório foi feito pelos técnicos do Executivo”, frisa. “A voracidade de fazer isso a toque de caixa é uma ofensa para todos.”