Reforma política: falta de consenso revela pressa e luta por interesses

Na briga para permanecer no poder, Congresso atropela o debate e o diálogo
Jornal do Brasil/Felipe Gelani *

“Não se discute uma reforma política a toque de caixa. Não se discute um programa político em dias. Isso revela um desespero para as eleições de 2018. O atual Congresso tem medo de perder sua vaga”, afirma o professor, lembrando que as medidas têm até 8 de outubro para serem votadas e valerem já para o ano que vem.

Segundo ele, alguns congressistas têm pressa para chegar a uma mudança que permita a permanência de figuras que já ostentam o poder em Brasília, impedindo uma eventual renovação no Congresso. No entanto, essa mesma pressa não permite um diálogo que faça com que estes interesses possam convergir em prol do avanço da reforma.

Vicente Cândido e Rodrigo Maia durante sessão sobre reforma política, na Câmara
Vicente Cândido e Rodrigo Maia durante sessão sobre reforma política, na Câmara

“A imagem do Congresso frente à opinião pública é muito controversa. Isso pode causar um número muito grande de votos nulos no ano que vem. A saída é mudar o jogo e a prova é a velocidade com que eles tentam fazer isso. Logo, esse impasse é fruto desse desespero”, explicou Carvalhido.

Para o professor, a tentativa de manutenção do poder é uma característica própria do político “desde Maquiavel”. No entanto, a percepção da sociedade “está muito desgastada ao longo dos anos”, com os inúmeros casos de corrupção e gestões ruins.

“A opinião pública está vendo que essas pessoas estão de fato se perpetuando no poder apenas para benefícios próprios. Sabemos que isso sempre ocorreu, mas agora está muito evidente. Só que a população está cada vez mais atenta, mais politizada. Consequentemente, a classe política está preocupada e tem medo de perder o poder”, afirmou.

As declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e do ministro do STF Gilmar Mendes exemplificam essa falta de consenso em Brasília. Maia afirmou que menos fundos para campanhas seriam “uma boa experiência”, comentando a queda do projeto de um fundo que garantiria R$ 3,6 bilhões para campanhas, diante da reação da opinião pública.

Já Gilmar Mendes defendeu a volta do fundo privado para candidaturas. Segundo ele, com o fim do financiamento de corporações “passamos agora a ter todas essas dificuldades”. De acordo com o ministro, “o sistema hoje está de pé quebrado e precisa realmente ser revisto”, complementou. Para o professor Carvalhido, figuras com maior poder econômico teriam vantagem caso o posicionamento de Gilmar fosse concretizado. “Isso sustenta as oligarquias no poder”.

Na quarta-feira (23), a comissão da reforma política aprovou o parecer da deputada Shéridan (PSDB-RR), que acaba com as coligações partidárias para as eleições de deputados e vereadores já a partir do ano que vem, e cria a cláusula de barreira gradativa de 2018 até 2030. Ao contrário da proposta anterior do deputado Vicente Cândido (PT), as novas medidas encontram mais aceitação entre os partidos maiores e pode ter mais sucesso no Congresso.

* do projeto de estágio do JB

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