Boaventura de Sousa Santos repudia ação da Polícia Federal na UFMG

quinta-feira, 7 dezembro, 2017

Intelectual português divulgou nota sobre desmonte das universidades públicas

Além do reitor, a PF realizou condução coercitiva da vice-reitora, Sandra Regina Goulart Almeida, do presidente da Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa (Fundep), Alfredo Gontijo de Oliveira, e das ex-vice-reitoras Rocksane de Carvalho Norton e Heloisa Gurgel Starling, esta última coautora do livro Brasil: Uma Biografia, com a historiadora Lília Moritz Schwarcz, da USP.

Veja, na íntegra, a nota de Boaventura de Sousa Santos:

Na minha qualidade de Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, quero manifestar o mais vivo repúdio pela despropositada e ilegal condução coercitiva de que foi vítima o Reitor e a equipe reitoral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quero ao mesmo tempo testemunhar a mais veemente solidariedade a estes acadêmicos íntegros e quero pedir-lhes, em nome da comunidade acadêmica internacional, que não se deixem intimidar por estes atos de arbítrio por parte das forças anti-democráticas que tomaram conta do poder no Brasil.

Eles sabem bem que nada disto tem a ver pessoalmente com eles enquanto indivíduos, pois sabem que não há nenhuma razão jurídica que justifique tais ações. Os atos de que são vítimas visam, isso sim, desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização. 

Estamos certos que estes desígnios não se cumprirão, pois a resistência da comunidade acadêmica e do conjunto da cidadania democrática brasileira a tal obstarão.

O Reitor da UFMG e a sua equipe reitoral estão agora na linha da frente dessa resistência e merecem por isso não apenas a nossa solidariedade, mas também todo o nosso respeito.

Coimbra, 6 de Dezembro de 2017

Boaventura de Sousa Santos

Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra  

"Atos visam desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização"
“Atos visam desmoralizar as universidades públicas e preparar o caminho para a sua privatização”

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PDT reafirma posição contra Reforma da Previdência e elege André Figueiredo novo líder em 2018

quinta-feira, 7 dezembro, 2017
Liderança do PDT na Câmara07/12/2017

A bancada do PDT na Câmara escolheu, nesta quarta-feira(6), o deputado André Figueiredo (CE) para novo líder do partido na Casa em 2018. O parlamentar, eleito por unanimidade, assume a liderança a partir do dia 21 de dezembro de 2017, substituindo o deputado Weverton Rocha (MA). A bancada do PDT reafirmou na reunião, que teve a participação do presidente da legenda, Carlos Lupi, o fechamento de questão contra a reforma da Previdência.

E a primeira missão do novo líder pedetista é trabalhar para impedir a votação da Reforma da Previdência, proposta pelo Governo. Para André Figueiredo, quanto mais aprofundado for o debate sobre o tema da Reforma da Previdência (PEC 287), mais incongruências serão encontradas entre o discurso do Governo e a realidade. O pedetista contesta os dados apresentados em relação ao suposto déficit previdenciário.

“Esse governo vem fazendo jogo de números e gerando uma situação de extrema intranquilidade, defendendo a aprovação de uma medida perversa para o Brasil, ainda como parte de um pacote de maldades sobre a economia produtiva e o trabalhador, e que só aprofundará a crise no Brasil”, alerta.

O parlamentar explica que os dados demonstram que o principal problema econômico do País está relacionado à sonegação e evasão de impostos. Ele destaca, ainda, que estes crimes equivalem a 13% do Produto Interno Bruto (PIB), mesma quantia que é gasta para manter todo o sistema de Previdência Social. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), empresas deixam de pagar R$ 500 bilhões ao Estado anualmente.

“A pergunta que não quer calar é: por que o Governo tem tanta dificuldade em cobrar e impedir esses crimes? Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, só em relação à Previdência Social, quase 700 mil empresas brasileiras devem R$ 302 bilhões. A dívida de inadimplentes e sonegadores é três vezes maior do que o suposto déficit apresentado como justificativa para a PEC 287”, destaca André.

Perfil

Nascido em Fortaleza, André Peixoto Figueiredo Lima é formado em Economia e em Direito, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e pós-graduado em Comércio Exterior pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Em seu terceiro mandato na Câmara, André tem vasta atuação legislativa e articulação política. Foi líder da bancada pedetista em 2012, 2013 e em 2015, quando se afastou do mandato para assumir o cargo de Ministro das Comunicações.

Comissão

Durante a reunião da bancada, ficou definido também que o deputado Pompeo de Mattos (RS) irá presidir a comissão que couber ao partido no próximo ano.

http://www.pdt.org.br


Copom reduz juros básicos para 7% ao ano, o menor nível da história

quinta-feira, 7 dezembro, 2017

Agência Brasil

Com a redução desta quarta-feira, a Selic atinge o menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano, anteriormente o nível mais baixo da história, e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

Apesar do corte, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom reduziu a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro e para 0,5 ponto na reunião de hoje.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,42% em outubro. Nos 12 meses terminados em outubro, o índice acumula 2,7%, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Inflação

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2017 em 3,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,03%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis.

Até agosto do ano passado, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas; e o de alimentos como feijão e leite contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos. De lá para cá, no entanto, a inflação começou a cair por causa da recessão econômica e da queda do dólar.

Crédito mais barato

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 0,89% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em setembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 0,7% este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.