Beija-Flor conquista seu 15º título no Carnaval carioca

quarta-feira, 14 fevereiro, 2018

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” foi enredo

A campeã Beija-Flor aproveitou os 200 anos do romance “Frankenstein”, de Mary Shelley, para fazer um paralelo com as mazelas brasileiras. O enredo fez uma extensa crítica à sociedade brasileira, incluindo o campo político e a intolerância religiosa.

Escola desfilou com o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu"

Escola desfilou com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”

 

Tuiuti volta a ganhar as redes sociais com vice-campeonato

No Twitter, um dos temas mais comentados nesta quarta-feira (14) era a hashtag #TuiutiCampeãDoPovo”.

Uma das agremiações mais elogiadas no Grupo Especial do Carnaval carioca, a Tuiuti levou para a Avenida o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, do carnavalesco Jack Vasconcelos. A escola de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, trouxe uma polêmica e comentada representação do presidente Michel Temer como o “Vampiro do Neoliberalismo”. A Tuiuti também representou os paneleiros que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff como fantoches manipulados.

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A FLOR E O BLOCO

quarta-feira, 14 fevereiro, 2018

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Walter Queiroz *

“Bem  sei que o tempo é de carnaval \ e o meu bloco vai sair e vai vencer\ mas se ando triste e  já  não posso nem brincar\ me diga alguém  o que  vou fazer…Nas portas daquele  carnaval e já se vão 50 anos o pierrô apaixonado  tentava , em vão,  exorcizar, o seu desalento amoroso.  Numa festa que cumpria à risca seus rituais, com dia e hora pra começar e acabar, no sábado, a cidade acordava com o grito dos “caretas”: Voce me conhece !Num deles,o menino, entre assustado e fascinado, faz  alí o seu pacto folião de vida inteira  e logo, fantasiado de marinheiro, participaria, encantado do seu primeiro baile infantil. Cantava e dançava de olho nas meninas, até o primeiro jato de lança nos ombros da linda odalisca e que o deixaria sonhando o ano inteiro: “ O carnaval passou\e eu continuei\o mesmo sonhador…WQ)  Não  perdia as  “chanchadas”, filmes nacionais que se encarregavam de difundir em todo o país, os “hits” carnavalescos de cada ano. Nessas “ fitas”, como se dizia, brilhava um baiano baixinho e muito engraçado chamado Zé Trindade: -È chato ser gostoso…dizia ele e todo o Brasil repetia ,às gargalhadas, o bordão. O  ainda tímido carnaval de rua tinha o seu grande momento na terça-feira  com as famílias nas cadeiras na calçada da avenida sete, aplaudindo o o desfile dos clubes carnavalescos: Inocentes em Progresso, fantoches da Euterpe, Cruz Vermelha. Em carros alegóricos, especialmente, decorados, com dragão soltando fogo ,invenção genial do pioneiro Nelson Maleiro dos Mercadores de Bagdá  e os “Filhos de Ghandi” era um afoxé ainda pequenino. O menino, já virando um rapaz, acompanhado da turma e  da ” ressaca”  dos bailes e “batalhas de confetes’ dos três  grandes clubes: Baiano Yatch e Associação, sente o irresistível apelo das ruas e logo vão fundar o bloco do  Jacu.(Tomara que esse ano \eu lhe encontre de novo\no meio da rua\nomeio do povo…WQ)  Ao lado do Barão, Internacionais, Corujas, Saco-cheio, para citar alguns, ajudariam a consolidar o famoso carnaval-participação, levando a festa para avenida numa explosão democrática e fraterna, congraçando todos os sexos, todas as classes, todas as cores ! Apenas dois trios elétricos, o legendário Dodô e Osmar e o Tapajós, deixando  espaço para as mais variadas manifestações acústicas e para o reinado da “mortalha”, fantasia simples e quase hegemônica . Em, aproximadamente, duas décadas toda uma cultura de carnaval de rua se consolidou: …”mortalha folgada e sombrinha na mão\carnaval de rua\ é pra quem tem pulmão(WQ) Os rapazes do Jacu  assistem ,orgulhosos, o vertiginoso crescimento do bloco que se tornaria  um dos mais queridos da sua  época por ter abolido as cordas. Entretanto, novos blocos  com bandas eletrônicas e cantores, anunciam o advento  do movimento  Axé. Transforma-se   a festa num balcão de negócios e espertos artistas monopolizam a cena, cúmplices dos  alienados camarotes .O Jacu sente  o golpe e decide parar. O menino de outrora, fiel ao seu pacto folião, novamente, arregimenta os  bons companheiros e fundam a Associação Etílica, Sentimental e Carnavalesca Chegando Bonito que leva para  avenida, mesmo imprensada  entre os trios, personalidades como escritor João Ubaldo Ribeiro ,os poetas Ruy Espinheira e Florisvaldo Mattos, o cartunista Jaguar, o pintor Itamar espinheira, Luz da Serra Queiroz, o psicanalista Emìlio Rodriguèe  (Lacan, Lacan, porque será que  eu vivo nesse afã…WQ) . Evoé  Momo !                                                                                                                                             “…perdão meu bloco\ perdão meu povo\ sei que é carnaval\ mas vou chorar de novo . ( A flor e o Bloco-W.Queiroz)

*advogado, compositor, membro da Confraria dos Saberes waljunior44@hotmail.com

 

JORNAL A TARDE, A2, 13 DE FEVEREIRO DE 2018, TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL. O companheiro Taurino Araújo, PDT, 12. Foi homenageado por lá