Marielle Franco, vereadora do Psol, é assassinada no Centro do Rio

quinta-feira, 15 março, 2018
Jornal do Brasil

De acordo com as primeiras informações, bandidos em um carro teriam emparelhado ao lado do veículo, disparado e fugido em seguida. As características da ação apontam para uma execução. Marielle deixa uma filha de 19 anos.

Marielle Franco, vereadora do Psol, é morta a tiros no Centro do Rio
Marielle Franco, vereadora do Psol, é morta a tiros no Centro do Rio

O ataque à vereadora aconteceu na Rua Joaquim Palhares. Ela voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Rua dos Inválidos, na Lapa. Uma ambulância do quartel central do Corpo de Bombeiros foi acionada para o local e constatou a morte da parlamentar e do motorista. A vereadora estava indo para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio. A Delegacia de Homicídios fez a perícia no carro da vereadora, atingido por vários tiros, e está investigando o caso.

Em nota, a Executiva Nacional do PSOL manifestou pesar pelo assassinato da vereadora e destacou sua atuação política. “A atuação de Marielle como vereadora e ativista dos direitos humanos orgulha toda a militância do PSOL e será honrada na continuidade de sua luta”, diz um trecho. O partido também exigiu apuração “imediata e rigorosa” sobre as circunstâncias do crime. O deputado estadual pelo Psol Marcelo Freixo destacou que Marielle não vinha recebendo ameaças. Ele reforçou que o partido cobrará rigor na apuração do assassinato.

Há duas semanas, Marielle havia assumido relatoria da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ela vinha se posicionando publicamente contra a medida.

A parlamentar também chegou a denunciar, em suas redes sociais, no fim de semana, uma ação de policiais militares na favela do Acari. “O 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. (…) Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu.

A PMERJ confirmou a operação e argumentou que criminosos atiraram contra os policiais e houve confronto. Durante vasculhamento na comunidade, dois homens foram presos e houve apreensão de um fuzil calibre 7,62 mm e oito rádios comunicadores, segundo nota da corporação.

Trajetória

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, Marielle tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em Administração Pública e militava no tema de direitos humanos.

Prefeito

O prefeito Marcelo Crivella se manifestou sobre a morte da vereadora Marielle Franco. “É com profundo pesar que lamentamos o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, cuja honradez, bravura e espírito público representavam, com grandeza inigualável, as virtudes da mulher carioca. Sua trajetória exemplar de superação continuará a brilhar como uma estrela de esperança para todos que, inconformados, lutam por um Rio culto, poderoso, rico, mas, sobretudo, justo e humano. Em cada lar uma prece, em cada olhar uma lágrima e em cada coração um voto de tristeza, dor e saudade. É assim que hoje anoitece a cidade desolada e amargurada pela perda de sua filha inesquecível e inigualável. Que Deus a tenha!”

Com Agência Brasil

Nosso comentário: Feminicídio, racismo e tentativa vã de intimidar os movimentos sociais. Incapacidade do Estado em garantir o direito fundamental a vida. Sua morte, da Marielle, não será em vão nem deterá a luta por uma sociedade justa. (Prof. Desiderio)


Educadores destacam avanços na alfabetização de baianos no Fórum Social Mundial

quinta-feira, 15 março, 2018

Com mais de 1,4 milhões de beneficiados na Bahia, o Programa Todos Pela Alfabetização (Topa), desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado desde 2007, foi apresentado, nesta quarta-feira (14), em mesa de diálogo durante o Fórum Social Mundial (FSM), no Campus de Ondina, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador. O encontro, que teve como tema ‘A educação frente às políticas neoliberais: resistência e propostas no FSM’, discutiu experiências que apresentassem uma educação emancipadora e transformadora como alternativa à educação mercadológica.
O presidente de honra do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, parceiro da Secretaria da Educação no Topa, e responsável pelo convite para a mesa, destacou a importância de tratar do assunto em um evento mundial. “A plataforma mundial de educação tem uma perspectiva que é debater experiências que proporcionem o direito à educação, vinculados aos direitos à moradia, ao transporte, ao trabalho e à vida como um todo, dando ênfase a uma perspectiva emancipadora do indivíduo. E o evento foi uma oportunidade de apresentarmos o programa para educadores, estudantes e participantes do mundo todo, como uma destas experiências”.
Segundo ele, “é fundamental destacar que, pela primeira vez, o Nordeste está recebendo o Fórum Social Mundial, muito pelo trabalho desenvolvido pelo Governo da Bahia, que vem fazendo uma gestão democrática e voltada para essa educação emancipadora”. Já a coordenadora de Projetos Especiais (Cope) da Secretaria da Educação do Estado, Elenir Alves, apresentou um panorama sobre os 10 anos do Topa.
“O programa vem promovendo uma educação transformadora para jovens e adultos em todo o estado. Conseguimos, em dez etapas, alfabetizar 51% de moradores da zona rural e do total de beneficiados, em torno de 60% têm entre 35 e 64 anos”, afirmou Elenir, acrescentando que, na décima etapa, o Topa está com a primeira turma de marisqueiras nos bairros de São João do Cabrito e Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.