Ciro debate segurança pública em encontro com a Frente Favela Brasil

segunda-feira, 19 março, 2018

 


Por Silmara Cossolino
 

 O presidenciável Ciro Gomes participou, no último sábado (17), de um bate-papo com o Frente Favela Brasil (FFB). O encontro com o pré-candidato do PDT aconteceu na laje da sede do diretório estadual da FFB, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

Ciro Gomes falou sobre reformas, dentre elas as da previdência e tributária, além de responder a uma série de perguntas, incluindo segurança e a inserção do negro na política.

Durante o debate, foi questionado como o Poder Federal poderia ajudar o estado do Rio de Janeiro, não como uma intervenção, mas com estratégias de enfrentamento para coibir a violência.

Na avaliação de Ciro, é preciso agir com inteligência e informação no combate, e que não se enfrenta o crime organizado com aparatos, mas sim com inteligência e informação.

“O Brasil precisa criar um sistema nacional de segurança. Você tem que botar numa mesma base de organização todo o aparato de segurança ostensivo e o aparato de inteligência, que ninguém sabe que existe e é a chave para o enfrentamento”, disse.

Ciro explicou que não houve uma mudança legal a partir do surgimento da presença do narcotráfico. Para ele, as facções criminosas se tornaram uma novidade altamente sofisticada que não se comparam a nenhum episódio do mundo.

Ele reiterou que o Brasil conta com 700 mil presos, sendo 270 mil jovens, negros, pobres e favelados. Disse que o jovem acaba entrando no crime porque tem aspiração de consumo por aquilo que a vida real não pode lhe dar ou não lhe permite acessar.

Na roda de bate-papo, Ciro também foi questionado sobre governabilidade e como trataria de temas referentes a medidas antipopulares. O presidenciável argumentou que nesse quesito, seria “muito improvável” que qualquer presidente da República resolvesse por métodos tradicionais.

“E eu não vou deixar ninguém acreditar nisso, que eu tenha essa capacidade. O que eu proponho é mudar o ambiente onde essa mediação se faz, e isso eu sou bem treinado”, disse.

“Se eu permitir que o ajuizamento dos conflitos brasileiros se insira num ambiente de uma democracia representativa, elitista, reacionária, corrupta e fisiológica, e eu acreditar, como o Fernando Henrique quis fazer o Lula acreditar – e o Lula acreditou, também, que a forma de resolver essa contradição é coptá-los pela linguagem deles, isto é a certeza do fracasso. Então por este caminho eu não vou”, afirmou.

Na seara das reformas, Ciro ouviu que na periferia paga-se a mesma proporção de imposto e que “nada volta”, ao contrário dos grandes centros, onde o tributo volta em forma de saneamento, por exemplo. A dúvida foi, então, como poderia equilibrar essa equação.

“Hoje o povo mais pobre paga muito mais de imposto do que o povo rico porque a tributação sobre patrimônio no Brasil é uma tributação direta, e é muito fácil se evadir dela. E o pobre paga pesadamente tributação indireta”, disse, citando que no Rio de Janeiro, por exemplo, a tributação sobre herança é de 4%, enquanto que no Ceará, que é um estado muito pobre, cobra-se 8%.

“Nos Estados Unidos começa-se em 29% e vai a 45% e na Europa, é de 37% até 52%. E isso eu vou propor”, pontuou.
Em quase duas horas de “bate-papo na laje”, Ciro Gomes também conversou sobre a inserção de negros em espaços de poder e como faria essa gestão. Disse que o PDT conta hoje com um movimento muito forte e que estão preparando uma agenda.

Sobre a inserção das mulheres negras na política, disse que o tema está sendo aprofundado com o movimento da negritude no PDT.

O Frente Favela Brasil (FFB) é um partido político brasileiro democrático participativo, fundado em 2016. Tem como objetivo a luta pelos direitos da população afrodescendente, das favelas e dos pobres das periferias, além de promover o bem-estar coletivo e a justiça social.


ENTREVISTA / CIRO GOMES: ‘Cometo meus deslizes’

segunda-feira, 19 março, 2018

Pré-candidato do PDT sonha com Josué Alencar para vice e critica prisão de Lula 

"Quero associar interesses da classe trabalhadora aos do setor produtivo. Nosso inimigo é a especulação"
“Quero associar interesses da classe trabalhadora aos do setor produtivo. Nosso inimigo é a especulação”

Por mais de uma ocasião o senhor se viu em dificuldades por ter escorregado em frases que tiveram repercussão muito negativa. Como lida com a fama de falar demais? 

Eu sou a mesma pessoa. Nunca acreditei que meu problema fosse esse. O problema é que quem entra numa disputa sem ser dono de empresa, sem ser dono de televisão, só tem uma ferramenta: a palavra. Aí dizem o Ciro deveria ser mais moderado, deveria falar menos assim, assado. Tudo bem, eu tenho ouvido isso, ouço com muita humildade. Tenho 38 anos de vida publica, comandei a economia do pais como ministro da Fazenda, da integração nacional, nunca respondi a um inquérito de corrupção, nem uma vezinha na vida, nem sequer pra ser absolvido.  Nada mais é do que minha obrigação, eu sei disso. Mas os tempos estão assim como estão. Então falaram, o bicho é bocão. Qual é o meu defeito?  Que eu sou bocão?  OK, mas por outro lado não sou ladrão, não sou incompetente. De vez em quando cometo um deslize de algo que vou prestar muita atenção para não cometer.

O que o senhor acha da possibilidade da prisão do ex-presidente Lula? 

O Lula pra mim não é um mito distante, uma figura política complexa, que alguns amam de paixão outros  odeiam. O Lula é um velho amigo de 35 anos e ver o que acontece com ele me constrange, me dói o coração.  O que eu quero dizer é que independente da questão política, os ódios e paixões que isso desperte eu não acho nem remotamente bom para o país, embora a lei seja para todos, a prisão dele. O resto é política. E na política você tem hoje uma certa conciliação entre improváveis arquinimigos que nesse tema se juntam. para produzir uma intriga. Estou falando de uma certa direita do país que tem verdadeiro pavor da gente se unir e eu sair de um certo isolamento organizacional e ter estrutura para pôr em prática algumas concepções que eu tenho.  E essa elite prefere o capiroto do que eu. E uma certa burocracia do PT entra nesssa, porque precisa desesperadamente passar pra sociedade brasileira que é Lula ou nada. na crença de que o Lula amanhã, vitimizado, aponte um deles,  que seja capaz de replicar esse imenso patrimônio merecidamente ainda mantido pelo Lula.

O senhor então quer dizer que é a própria direção do PT que insufla esse afastamento? Uma espécie de fogo amigo?

O PT tem o direto de fazer isso. Não vejo problema nenhum.  O que substitui a intriga é a história. Faz simplesmente 16 anos sem descontinuar nenhum,  que eu ajudo o Lula.  Unilateralmente, sem nunca pedir nada. O  Lula vai lá fazer campanha contra mim no Ceará e eu, porque penso no Brasil, há 16 anos ajudo o Lula. Isso é um fato que ninguém tira, é história. Os bolsominions me agridem violentamente por isso.

Que política de alianças o senhor pretende implementar em sua campanha?

Eu quero tentar muito explicitamente um acordo entre os interesses da classe trabalhadora a quem eu sirvo. Meu compromisso moral,  sem exclusão de ninguém é com os pobres, é com a pobreza. Já recebi em nome do povo do Ceará, no Plenário das Nações Unidas, o Prêmio Mundial de Combate à Mortalidade Infantil. Isso pertence ao povo do Ceará,  eu apenas ajudei modestamente a construir isso. Outros me antecederam nesse trabalho como o Tasso Jereissati  que eu sempre lembro com muito orgulho. Isso guia o sentido de continuar nessa maluquice que virou a política brasileira. Então quero associar os interesses dos trabalhadores ao do setor produtivo. Nosso inimigo é a especulação. Que drena toda a energia do mundo do trabalho para meia dúzia de pessoas.

OK, mas quais partidos fariam parte dessa aliança?

Aí você tem um problema de classificação, que depende do momento. Porque aliança comigo não será pelos meus belos olhos, nem pela grana que eu tenho ou a disparada preferência nas pesquisas (rs). Mas pela possibilidade de um projeto que já está se revelando  muito interessante para alguns setores relevantes da opinião pública. E esse projeto precisa de suporte social  e politico.  E ainda que haja uma malversação muito grande desses adjetivos, que se corromperam também, posso dizer que o arco de forças que eu quero suportar é uma aliança de centro-esquerda.

Fala-se que o senhor pratica um discurso muito sofisticado, de difícil entendimento pelo brasileiro médio. Como encontrar um caminho do meio entre esses dois pólos? 

Estou circulando muito. Praticametne não durmo dois dias no mesmo lugar. Já dei entrevistas para jornais no Japão, na Alemanha.  Há uma curiosidade internacional, por que estou tocando nos pontos corretos, sensiveis, que o mundo que não é vulnerável à lavagem cerebral  da propaganda está percebendo. O mundo quer inovação, está constrangido por falta de alternativas.  E é justamente sobre isso que eu venho falando há décadas no Brasil e as pessoas não queriam ouvir. Agora estão sentindo a necessidade de prestar atenção.

O senhor já tem um nome ou um perfil de quem seria o vice ideal em sua chapa? 

Eu gostaria de recrutar um homem da produção.  Um empresário que fosse capaz de aperfeiçoar, no simbólico do desenho da chapa, essa aliança entre capital  e o trabalho. Sim, isso lembra muito a aliança do Lula com o José Alencar e o Josué Alencar é um grande nome, filho deste grande brasileiro que foi o José Alencar.

Como o senhor está vendo a situação do Rio de Janeiro? 

Por agora, o que posso dizer é que estou no centro dos debates do Rio. Ainda não sei exatamente como, porque as tratativas estão nos bastidores e eu, mesmo estando nesse bastidor, não estou autorizado pelas outras forças a falar.  Mas estamos muito preocupados em construir uma saída para o Rio e eu quero uma interlocução com uma elite nova que o Rio pode produzir. Não estou falando em novas pessoas, mas em um novo projeto. E eu quero assumir a tarefa histórica de tirar o Rio de Janeiro dessa situação em que se encontra.


Dirigentes do PDT pressionam Rui e outros líderes petistas por apoio a Ciro Gomes

segunda-feira, 19 março, 2018

[Dirigentes do PDT pressionam Rui e outros líderes petistas por apoio a Ciro Gomes]
19 de Março de 2018 às 07:39 Por: Gilberto Júnior/BNews Por: Redação BNews00comentários

Membros do alto escalão do PDT têm pressionado o PT para garantir apoio a Ciro Gomes (PDT) nos estados para a disputa presidencial, caso Lula de fato fique de fora das eleições.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, os governadores Rui Costa (BA) e Wellington Dias (PI) e o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Luiz Marinho têm sido procurados. Na semana passada, o presidente da sigla, Carlos Lupi, encontrou-se com Lula pela segunda vez neste mês.

Em entrevista recente, o goverrnador Rui Costa chegou a sinalizar a possibilidade de apoiar outro candidato caso o PT não encabece uma chapa na corrida presidencial.

Bocão News