DESEMBARQUE  DA  PONTINHA

foto: Google

Na manhã de 29 de outubro de 1851 sucedeu uma tentativa de desembarque de africanos na Ilha de Itaparica. Foi a última resistência documentada dos proprietário e grandes comerciantes contra a decisão do governo imperial de eliminar o  comércio de escravos para o Brasil.

A escuna negreira espanhola Relâmpago desembarcou africanos na praia da Fazenda Pontinha, ilha de Itaparica, fugindo de um iate da Marinha brasileira que guardava a costa da Bahia. Vinha sendo perseguida pelo vapor da Marinha de Guerra inglesa Lawuth. Escaleres do navio da Marinha brasileira aprisionaram 47 africanos na praia e encontraram onze corpos dos que morreram afogados. Dirigindo pessoalmente a operação, o chefe de polícia da Província da Bahia, João Maurício Vanderley, capturou 209 africanos em terras da Fazenda Santo Antônio das Flores, distrito de Rancho Velho, Valença. Outros africanos foram detidos em Caixa prego, Calabar, Cabrestante, Estiva e proximidades de da vila de Jequiriçá. Um dos africanos relatou que era de Luanda. Caíra prisioneiro na guerra de sua tribo com a do povo de Ebá e fora vendido para ser escravo.

Diligências policiais na cidade do Salvador levaram à prisão tripulantes  espanhóis da Relâmpago. O capitão chama-se Benito Dorisanes. Ele reconheceu que a escuna trazia 830  africanos, quais muitos foram jogados ao mar, no velho expediente de livrarem-se da “carga”.

Quando terminou o comércio de escravos africanos  para a Bahia, nos finais dos anos de 1850 e inícios dos 1860, muitos outros africanos foram desembarcados no litoral do Rio de Janeiro e São Paulo até os finais dos anos de 1870. Nessa época diminuiu o comércio africano de óleo de palma (azeite de dendê), marfim e ouro em pó para a Bahia. Também caiu o comércio com o Prata, antes alimentado pela venda de escravos e o contrabando de manufaturados ingleses. Em 1860 ocorreu o primeiro grande embarque de cacau fino para a Filadélfia. Ampliou-se nos anos seguintes para outros portos dos Estados Unidos.

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editoraUnesp,2006.

 

DEM, PP e PR cogitam acordo com Ciro Gomes para evitar implosão do centro

ara evitar uma derrota precipitada e o esfacelamento completo do grupo político que hoje se autodenomina de centro, DEM, PP e PR cogitam um acordo com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT). A possibilidade de costura com um candidato ferozmente crítico à gestão de Michel Temer -da qual os três partidos fazem parte- tem sido discutida nos bastidores pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e seus aliados como alternativa à aproximação entre Temer e Geraldo Alckmin (PSDB). O movimento do presidente em direção ao tucano se intensificou nos últimos dias como uma espécie de abraço dos afogados.

O mapa de sobrevivência do bloco centrista ganhou corpo antes do previsto com a aparente inviabilidade de grande parte dos candidatos que congestionam o campo. Sem ideologia bem definida, ao menos sete nomes se apresentam hoje como capazes de romper a polarização entre direita e esquerda -a maioria longe do primeiro pelotão nas pesquisas-, enquanto Ciro Gomes aparece com 9%, segundo o Datafolha.

O grupo ligado a Maia diz estar ciente de que Ciro tentará, primeiro, fechar acordo com PT e outros partidos da centro-esquerda, já que o ex-governador é um dos principais herdeiros de voto do ex-presidente Lula, caso o petista fique fora da disputa de outubro. A aposta, porém, é que, se o PT não abrir mão da cabeça de chapa, haverá uma avenida para que parte desse centro migre para a candidatura do cearense -e ganhe algo com isso.

Siglas médias, como PP e PR, comportam-se de forma pouco ideológica. Sem candidatos próprios à Presidência, querem eleger a maior bancada de deputados possível e ter acesso a fatias mais gordas do fundo partidário. O PR, inclusive, filiou o empresário Josué Alencar, visto como opção para ser vice de Ciro Gomes. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), por sua vez, sabe que a aliança com a esquerda beneficiaria sua reeleição a senador no nordeste.

Maia ainda mantém o discurso de que é candidato ao Planalto -ele tem apenas 1% nas pesquisas-, mas preserva na ponta da caneta o esboço de como enxerga a situação do aglomerado partidário. A imagem que se forma é uma metáfora do caos reinante nesta pré-campanha: um emaranhado de acordos que antes pareciam improváveis mas que, se tudo der errado, pode, sim, incluir um trato entre DEM, PP e PR com Ciro Gomes.

O presidente da Câmara avalia ainda com o PRB, do pré-candidato ao Planalto Flávio Rocha, a possibilidade de namoro com Ciro, mas não fecha as portas de outro arranjo, com o mesmo PRB e o Podemos, de Álvaro Dias, mais bem posicionado nas pesquisas para a sucessão de Temer.
Em todos os cenários, a tentativa é de que o presidente e Alckmin fiquem de fora. Para Maia, o chamado centro precisa ser reeditado, mas não é capaz de abrigar Temer e o tucano.

Na avaliação do chefe da Câmara, o centro é onde os políticos não abrem mão de suas ideias, mas conseguem dialogar com os vários setores ideológicos. Ali estariam ele próprio, Henrique Meirelles (MDB), Aldo Rabelo (SD) e Paulo Rabello de Castro (PSC) -nenhum passa de 2% das intenções de voto.  Temer e Alckmin figurariam na centro-direita, somente uma casa antes da ocupada pelo ultraconservador Jair Bolsonaro (PSL)-que lidera as pesquisas nos cenários sem Lula, com 17%. Na centro-esquerda ficaria o PT, e Ciro Gomes se posicionaria, segundo Maia, entre o centro e esse núcleo dominado pelos petistas e, portanto, seria capaz de receber o apoio do bloco do deputado.

Nem Temer nem Alckmin têm bom desempenho nas pesquisas -o tucano chega a 8% e o presidente não passa de 2%- mas perceberam que, juntos, poderiam evitar o isolamento e a derrota eleitoral antecipada da coalizão governista.

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