Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte II)

 

Nesta parte é analisada a chegada da República na Bahia. Da surpresa a reação, a suposta fidelidade ao império e suas leis, a negativa de Vital Soares à indicação de Rui Barbosa para ser o primeiro governador do Estado com o aval do Governo provisório. Da rebelião, as vezes violenta, a aceitação após a acomodação dos coronéis.

 

Adesão da Bahia a República

 

No entardecer de 15 de novembro começaram a circular na cidade do Salvador notícias desencontradas sobre ocorrência de uma revolução na capital do Império na manhã daquele dia. As primeiras notícias oficias só apareceram na madrugada e na manhã do dia 16. Somente então telegramas informaram a queda do governo presidido pelo Visconde de Ouro Preto, a deposição do Imperador Dom Pedro II e a proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil, razão por que já existia um governo provisório presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

Um dos primeiros telegramas entregues foi o que comunicou ao médico, político e professor d Escola de Medicina, Manuel Vitorino Pereira, que ele fora nomeado governador do Estado da Bahia por indicação de Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo republicano. Médico e político de atuação recente, pois aderira ao Partido Liberal em 1885, Manuel Vitorino transmitiu o telegrama ao seu colega na Escola de Medicina e presidente da Província, José Luís de Almeida Couto, a quem teria declarado não aceitar a nomeação.

Sabendo que as ocorrências no Rio de janeiro tinham evoluído para a formação de um governo republicano no país, Almeida Couto se dirigiu ao comandante das armas para as províncias da Bahia e Sergipe, Marechal Hermes Ernesto da Fonseca, irmão de Deodoro da Fonseca. Já o encontrou informado do que estava sucedendo na capital do Império, mas decidido a aguardar os acontecimentos mantendo obediência ao Imperador Dom Pedro II. Teria dito que ia respeitar as leis do Império e acrescentado que transmitira essa orientação a todos os comandos militares da Bahia e Sergipe.

Possivelmente fortalecido pela disposição legalista da maior autoridade militar na província, Almeida Couto seguiu para o palácio e orientou convites para uma reunião de políticos, juízes, funcionários públicos graduados, militares e comerciantes, destinada ao exame da situação, devendo seguir-se daí uma declaração sobre a posição da Bahia. Essa reunião começou por volta das 12 horas do dia 16 de novembro com um discurso do presidente Almeida Couto aos que atenderam á convocação. De acordo com a versão repetida, ele declarou que decidira permanecer na presidência e expôs a proposta de um telegrama ao Governo Provisório.. Todos os presentes deveriam assinar. Surgindo dúvidas e divergências quanto ao texto, foi enviado um telegrama do próprio Almeida Couto, que dizia: “Como presidente da província, e em nome do povo baiano, reunido espontaneamente, e por muitos representantes das classes sociais, sem distinção de partidos políticos, sob a inspiração de ardente patriotismo, declaro respeitar e manter as leis do Império”.

Quase em seguida a reunião no palácio, a Câmara Municipal da cidade do Salvador se reuniu no e decidiu enviar ao presidente da província um ofício que afirmava “sentimentos de fidelidade à causa monárquica e ás instituições vigentes”. Outra decisão foi a de enviar aos jornais do Rio de Janeiro telegramas de protesto contra a proclamação da República. Seria igual ao que foi publicado no jornal do Comércio: “A câmara Municipal da Bahia protesta contra a ditadura militar, que sob o nome de governo provisório, se estabeleceu na Corte, e afirma a sua completa adesão as instituições e ao Imperador. A província da Bahia não adere ao movimento ilegal e tumultuário, imposto pela força”. Não obstante esta manifestação, era evidente que as disposições verbais não tinham apoio político e militar para deter o movimento já vitorioso no Rio de Janeiro, são Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e outras províncias.

Ao final da tarde de 16 de novembro as decisões passaram para a guarnição do forte de São Pedro, o 16º Batalhão de Infantaria, cujo comandante, Coronel Cristiano Buys, estava comprometido com a conspiração militar e política que derrubara o governo imperial e proclamara a República. Por conseguinte o Coronel Buys chamou os líderes republicano Virgílio Damásio e Deocleciano Ramos para uma reunião no forte de São Pedro. No Pátio interno do forte, com a presença de oficiais e soldados do 16º Batalhão, dos lideres republicanos convidados e alguns civis, ás 18 horas do dia 16 de novembro de 1889 foi proclamada a adesão da Bahia à República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. Na ocasião, o coronel Buys declarou que o governador do Estado da Bahia era Virgílio Damásio. Faltava mostrar quem exerceria o poder, antes do mais, na cidade do Salvador, cujo centro estava ocupado pela Polícia Militar.

O 16º Batalhão saiu do forte e deteve policias e desordeiros que desde a manhã havia invadido pensões de estudantes (“repúblicas”), passando depois a agredir pessoas que transitavam pela praça Municipal, ações das quais já resultara um morto na ladeira da Praça. Negociações entre oficiais do Exército e políticos liberais, republicanos e conservadores acertaram à noite nova Proclamação da República, o que de fato sucedeu, agora com o apoio declarado do Marechal Hermes da Fonseca, na parte externa do forte de São Pedro, às 17 horas do dia 17 de novembro. No dia seguinte, 18, Virgílio Damásio Tomou posse como primeiro governador republicano do Estado da Bahia.

Título: Retrato de Virgílio Clímaco Damasio
Autor(es): Lopes Rodrigues, João Francisco

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora Unesp, 2006.

Não deixe de ler a Parte III ( publicação na quarta-feira(16/05/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

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