Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte VIII)

 

 PRISÃO DE CORONÉIS E ASSASSINATO DE HORÁCIO DE MATOS

     A situação nacional se encontrava definida com a posse de Getúlio Dorneles Vargas na Presidência da República. Adotando poderes discricionários, Getúlio Vargas assinou decretos dissolvendo a Câmara e o Senado Federal e todas as Câmaras e Senados estaduais. Várias prisões foram realizadas, uma dessas a do ex-ministro do Exterior e político baiano Otávio Mangabeira. Todos os estados ficaram sob intervenção federal. O Brasil começava sob ditadura um novo período de sua História: o período da revolução de 1930. (Tavares, 2001)

 

      Nos primeiros dias da revolução, 4 a 8 de outubro, telegramas do presidente Washington Luís, de Pedro Lago, na condição de governador eleito, de outros políticos baianos, convocaram coronéis da Chapada Diamantina, do São Francisco e do Sudoeste a enviarem homens armados para engrossar as forças governistas sob o comando do general Santa Cruz. Quase todos atenderam ao apelo acreditando ser uma repetição da Coluna Prestes.

Concluída a rápida e curta fase da guerra, o comando das forças revolucionárias do Norte do Brasil decidiu recolher o quanto de armamentos existisse na posse dos coronéis, detendo-os também para que fosse processado e julgado. Realizada essa parte, foram recolhidos presos ao quartel da Guarda Civil da cidade do Salvador os coronéis Horácio de Matos, de Lençóis; Franklin Lins de Albuquerque, de Pilão Arcado; João Duque, de Carinhanha; Marcionílio de Sousa; de Maracás; e Abílio Wolney. Seriam libertados aos poucos na interventoria do médico sanitarista; Artur Neiva.

Ao saber que Horácio de Matos fora libertado, o tenente Hamilton Pompa de Oliveira, que o prendera e o trouxera de lençóis para salvador, rebelou-se e invadiu o Palácio Rio Branco de arma na mão e gritando que ia depor Artur Neiva e prender o secretário de justiça, Bernadino José de Sousa, considerado por ele e outros jovens militares o responsável pela iniciativa de libertar os mais conhecidos chefes do coronelato baiano.

O tenente Pompa foi abatido pelo guarda do Palácio antes de subir a escada principal do Rio Branco. Realizado no mesmo dia da sua morte, o enterro do jovem militar tornou-se a primeira grande afirmativa pública da revolução na Bahia. Centenas de militares e civis acompanharam o cortejo fúnebre até o campo Santo fazendo pausa para discursos que cobravam punição para o interventor Artur Neiva e seu secretário de justiça pela “proteção dos coronéis”.

Dois dias após a morte trágica do tenente Pompa, ocorreu o assassinato do coronel Horácio de Matos. Foi morto no entardecer do dia 15 de maio (cerca das 17:30), no largo 2 de Julho, pelo guarda civil Vicente Dias dos Santos. Preso por populares que o perseguiram, em seguida apresentado ao promotor da 2ª Circunscrição Policial, José Wanderley de Araújo Pinho, declarou que tirara “uma fera do sertão”. Daí em diante manteve sempre uma linha de defesa que motivava o crime na vingança pessoal por causa de atos violentos ordenados por Horácio de Matos contra o seu pai e um seu irmão garimpeiro.

Suspeito de ser o mandante do crime, para o qual teria fornecido arma e dinheiro, Manuel José Machado, 63 anos de idade, funcionário aposentado do Senado estadual, livrou-se das acusações desviando-as para as biografias de violências do chefe sertanejo. Dessa forma, o longo processo judiciário, que terminou absolvendo Vicente Dias dos Santos no Júri de 2 de novembro de 1934, foi o julgamento e condenação de Horácio de Matos.

Antiga casa de Horácio de Matos, Lençóis-Bahia – foto google

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte VIII, continuação ( publicação na quarta-feira (06/06/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

 

 

 

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