Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte VIV)

 

Quadro de Sérgio Azol – Fonte – http://www.lilianpacce.com.br/e-mais/o-cangaco-mais-alegre-e-colorido-por-azol/

 

CAMPANHA CONTRA LAMPIÃO

O interventor Juracy Magalhães iniciou o combate sistemático ao “bandido” profissional Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, em 1932. Organizou as Forças de Operações do Nordeste (FON), sob o comando do capitão PM João Miguel da Silva, compostas de onze oficiais, 250 soldados regulares e 923 provisórios, num total de 1.184 homens. Deviam combater Lampião e seu bando na vasta área dos municípios de Sento Sé, Campo Formoso, Jacobina, Morro do Chapéu e Senhor do Bonfim.

O ano de 1932 foi de terrível seca no sertão baiano. Os açudes e os poços secaram. As lavouras se perderam e centenas de sertanejos deixaram as roças e os currais.

Lampião entrara no território do estado da Bahia em agosto de 1928. Em janeiro de 1929, atacou e ocupou a pequena cidade de Queimadas, saqueou o comércio e matou sete soldados à vista da população. Daí em diante continuou atuando entre Sergipe e a Bahia, sempre atacando de surpresa e depois se homiziando nas fazendas dos coiteiros – fazendeiros baianos, sergipanos, alagoanos e pernambucanos que, as vezes, utilizavam-se dele e do seu bando na luta contra outros coronéis. Não se desconhece que as populações rurais temiam as volantes da PM tanto ou mais que aos cangaceiros e até demonstravam admiração por Lampião.

Acreditando que imobilizaria Lampião fechando-lhe possíveis ajudas de fazendeiros, vaqueiros e moradores, a certa altura de uma luta sem resultados, o comando da FON tomou a decisão de retirá-los de suas fazendas, currais e roças, reunind0-os nas vilas e povoados. Foi como se os aprisionasse, equívoco que germinou descontentamentos e protestos junto ao governo. Em 1933, o interventor Juracy Magalhães reviu o plano da campanha contra Lampião. Manteve a FON, mas substituiu o comando, demitindo o capitão João Miguel e nomeando o coronel Liberato de Carvalho. Os fazendeiros, vaqueiros e moradores foram liberados e retornaram para suas terras e atividades. Nos inícios de 1934 verificava-se gradativa queda do cangaço e do número de coiteiros.

A movimentação eleitoral para a constituinte Nacional de 1934 também influiu na orientação para o combate ao famoso cangaceiro. Pesando eleitoralmente, coronéis de antes da revolução de 1930 voltaram a ser considerados como aliados e foram procurados pelos partidos em formação, principalmente o do interventor Juracy Magalhães, Partido Social Democrático ( PSD). Também os procuraram a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a frente oposicionista que uniu remanescentes do calmonismo e do seabrismo ao ascendente mangabeirismo na Legião da Ação Social e Política (LASP).

 

Octávio Mangabeira (Octávio Cavalcanti Mangabeira), engenheiro civil, jornalista, professor, político, diplomata, orador e ensaísta, nasceu em Salvador, BA, em 27 de agosto de 1886, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 29 de novembro de 1960.( foto: Academia Brasileira de Letras)

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte VIII, continuação ( publicação na quarta-feira (13/06/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

 

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