A ‘linha justa’ e o PT

Coluna da Segunda: JB

Jornal do BrasilOCTÁVIO COSTA, octavio.costa@jb.com.br

Recordo a Primavera de Praga por um bom motivo. Naqueles dias,  a esquerda brasileira ficou um pouco desorientada. O mundo ainda se dividia entre os que apoiavam os Estados Unidos e o sistema capitalista e aqueles que viam na União Soviética o exemplo a ser seguido por quem sonhava com a hegemonia da classe trabalhadora. Mas os debates sobre a convivência entre democracia e socialismo já ganhavam corpo no meio acadêmico e entre intelectuais de peso. Nesse ambiente, a derrubada de Dubcek provocou uma enorme polêmica. Mesmo na esquerda, houve gente que criticou a decisão de Moscou, uma repetição do episódio da Hungria em 1956. Aqui no Brasil, não foi diferente. Mas, ao contrário do que acontece hoje, não havia em nossas terras uma gama tão variada de correntes e partidos de esquerda. Além disso, havia a forte ascendência do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, comandado pela figura lendária de Luiz Carlos Prestes. Quando o Partidão se pronunciava, alguns militantes diziam que o PCB funcionava como “a palavra de Abraão” na Bíblia. Algo do tipo falou, está falado.

Naqueles tempos — por sinal, bem anteriores ao PT de Lula —, o Partidão dava as cartas e mostrava o norte. E assim aconteceu em 1968. Surpresos com os acontecimentos de Praga, nossos comunistas aguardavam a visão oficial. A chamada “linha justa”. E se viam pressionados para opinar a respeito: afinal, apoiavam ou não os jovens tchecos?  Na redação do Jornal do Brasil, Maurício Azedo, membro aguerrido do Partidão, estava a ponto de se render às críticas de seus colegas, mas era zeloso da hierarquia. Azedo andava pela Avenida Rio Branco pensando exatamente no que fazer, quando avistou o valente João Saldanha, outro comunista histórico. Dirigiu-se ao amigo e expôs sua dificuldade. Qual a posição do partido em relação à invasão de Praga pelos tanques soviéticos? Muita gente de esquerda no JB estava desorientada. Saldanha deu um sorriso malandro e respondeu de bate-pronto: “Ora, Azedo, deixa de bobagem. Na zona do agrião, tem que entrar para rachar!”. Maurício Azedo respirou aliviado. Era isso mesmo. No mundo dividido entre Estados Unidos e União Soviética, Moscou não podia abrir mão da Tchecoslováquia. Havia que manter o domínio sobre o Leste Europeu.

Lá, nos anos 60, era tudo mais simples. E o Partidão servia de divisor de águas. A esquerda não tinha alternativa. Só restava concordar ou discordar das diretrizes emanadas pelo Partidão. As opções eram mais objetivas e todos se sentiam em terreno seguro. Aqueles que discordavam anunciavam a dissidência e afastavam-se do PCB. Hoje, o PT, que na origem contou com a contribuição de ex-militantes do Partidão, considera-se no direito de se apresentar como o partido hegemônico no campo da esquerda. Espera que todas as outras legendas se submetam à sua estratégia e aguardem suas decisões. Os dirigentes petistas acreditam, piamente, que têm o dom da verdade e são clarividentes para antever os rumos da política. O ex-presidente Lula foi elevado ao status de Mandela e Tiradentes. Às vezes, o PT exagera e parece acreditar que a esquerda nasceu entre 1979 e 1980 em São Bernardo do Campo. Acontece, porém, que a esquerda brasileira vem de muito longe e é bem mais complexa. Há que ser mais realista, companheiro, sentar e negociar alianças.  A “linha justa” pertence ao passado.

Ciro debate relações entre Brasil e Argentina com lideranças do país vizinho


Por Silmara Cossolino

O presidenciável Ciro Gomes cumpriu agenda neste final de semana em Buenos Aires, Argentina, onde esteve com lideranças políticas e empresariais do país vizinho.

Logo na sexta-feira (8), Ciro se reuniu com a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti. Na pauta do encontro, foram conversados temas como as relações entre o Brasil e a Argentina e como estreitar laços para o desenvolvimento das duas nações.

“Debatemos também sobre a situação econômica no Mercosul e também nossa relação com parceiros como a União Européia, Estados Unidos e Brics. Certamente uma relação baseada no respeito e cooperação é fundamental”, ressaltou o brasileiro.

A passagem de Ciro por aquele país também foi marcada pelo encontro com o deputado argentino Martin Lousteau, no sábado (9) pela tarde, ocasião em que conversaram sobre os problemas que o Brasil e a Argentina estão vivendo e as soluções para que as duas nações voltem a crescer e se desenvolver.

Antes, pela manhã, se encontrou com Margarita Stobizer e diversos dirigentes da centro-esquerda argentina. “Brasil e Argentina enfrentam problemas semelhantes em diversas áreas e as soluções podem ser encontradas em uma parceria verdadeira que pode contribuir para o desenvolvimento de toda a região”, disse o pedetista.

Outros eventos também ocorreram durante a permanência de Ciro pela capital da Argentina, como o encontro com empresários do setor agropecuário representados pelo Consórcio Regional de Experimentacion Agricola (CREA) e pelo Grupo de Países Productores del Sur (GPS Latin America).

O delicado momento econômico das duas regiões e a importância do Mercosul para as relações comerciais, políticas e de desenvolvimento marcaram a pauta do encontro.

http://www.pdt.org.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.