Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XI)

 

O LEVANTE DO PARAGUAÇU

No segundo semestre de 1936 ocorreu no sul do estado da Bahia o episódio conhecido sob a denominação imprópria de “Levante do Posto Paraguaçu”. Ele faz parte da história da expansão da lavoura cacaueira mais para o extremo sul baiano e participa da sequencia do extermínio brutal dos índios pataxós da região. Sofreu a acusação equívoca de “surto comunista”, fácil de ser utilizada naqueles meses ainda próximos dos levantes de 1935.

O Posto Paraguaçu era o núcleo administrativo de extensa reserva indígena criada pelo Serviço de Proteção ao Índio, instituição que surgiu sob a iniciativa do general Cândido Rondon. Quase de modo inevitável, o Posto colocara-se no caminho da lavoura cacaueira. Primeiro surgiram os aventureiros, depois pequenos produtores de cacau que não encontravam espaço nas terras já ocupadas nos municípios de Ilhéus e Itabuna. Novos migrantes continuavam chegando para a sedução de riqueza com a lavoura da “árvore dos frutos de ouro”. Eram brasileiros oriundos de Sergipe e outros estados do Nordeste. Também surgiam novos imigrantes, dentre os quais libaneses e sírios, logo crismados de turcos. Aos primeiros invasores seguiram-se os fazendeiros de cacau.

Os conflitos que se estabeleceram entre posseiros e fazendeiros, posseiros, fazendeiros e pataxós, alcançaram uma intensidade que não pôde ser desconhecida pelo governo do capitão Juracy Magalhães. Políticos, fazendeiros e oficiais da PM baseados na região enviavam informes que acentuavam a circulação de estranhos no Posto Paraguaçu e insinuavam que eram “agentes comunistas” preparando um levante de índios contra os fazendeiros. O chefe do Posto Paraguaçu, Telesfóro Fontes, foi acusado de ser comunista e estar envolvido na organização do levante.

Em dias de outubro de 1936, forças da PM baiana tentaram ocupar o Posto e encontraram resistência de pataxós armados. Nessa ocasião, alguns soldados e oficiais foram presos pelos índios. No movimento seguinte, o chefe de polícia da Bahia, capitão Hanequim Dantas, armou a expedição militar que desconheceu a lei federal de proteção ao índio e invadiu a área. Não encontrou os pataxós, pois tinham escapado para o mais profundo da floresta.

O Posto foi interditado e a área da reserva reduzida, com o que oficializou a permissão para a ocupação da área por fazendeiros de cacau, políticos e oficiais da Polícia Militar, que se tornaram os novos donos da região antes reservadas para os índios.

foto google: escritor Jorge Amado, filho de Ilhéus, divulgou a Bahia dos coronéisdo cacau para o mundo.

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XI, continuação ( publicação na quarta-feira (20/06/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

 

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