Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XI)

 

ANOS FINAIS: II Congresso Afro-brasileiro

 

O Brasil chegou a 1937 sob fortes indícios de instabilidade institucional. Ainda existiu, porém, na Bahia, espaço democrático para o II Congresso Afro-brasileiro. Reuniu-se na cidade do Salvador, de 11 a 20 de janeiro, com o apoio do governador Juracy Magalhães e a participação de professores das faculdades de Medicina e de direito, escritores, jornalistas e destacadas personalidades da religião afro-brasileira, mães-de –santo e pais-de-santo, o sábio babalaô Martiniano Eliseu do Bonfim, Mães-de-santo Eugênia Ana dos Santos ( Mãe Aninha do Alto do Opô Afonjá) e Maria da Conceição Nazaré ( Mãe Menininha do Alto do Gantois), pais-de-santo Manuel Bernardino da Paixão (Bernardino Bate Folha) e Manuel Vitorino dos Santos (Manuel Felafá).

O II Congresso Afro-brasileiro significou um passo ousado para a afirmativa da comunidade negra baiana e sua cultura. O escritor Edison Carneiro fundou a “União de Seitas Afro-brasileiras na Bahia. Seria fechada alguns meses depois pela ação repressiva da ditadura estadonovista. Mas o que se conseguiu com o II Congresso ficou  para sempre. Continuou presente nos estudos etnográficos de Arthur Ramos; José Ramos, o negro brasileiro; Edison Carneiro, Religiões negras e negros Bantus; José Sodré Viana (Josévi), Cadernos de Xangô; Donald Pierson, Brancos e pretos na Bahia; e no romance de Jorge Amado, Jubiabá. Também abriu espaços para as conquistas que continuaram afirmando a comunidade negra brasileira no Brasil ainda marcado por preconceitos de cor e comportamentos racistas.

Últimos meses de democracia

     A Lei de Segurança Nacional e a decretação do Estado de guerra esvaziaram o regime liberal-democrático representativo definido na Constituição de 1934. Mutilada a Constituição, o Poder Legislativo definhou para a condição subalterna de poder tolerado, situação agravada em março de 1936 com a prisão dos deputados federais João Mangabeira, Domingo Velasco, Abguar Bastos e Otávio Mangabiera e do senador Abel Chermont, parlamentares conhecidos por defenderem a plenitude das liberdades públicas. Para conestar essas prisões, a 7 de julho a maioria parlamentar votou a suspensão dos seus mandatos. Os votos do PSD da Bahia foram decisivos.

A posição política do governador Juracy Magalhães ficou bastante singular. Político vitorioso, comandante de uma das maiores bancadas na Câmara Federal, mantinha-se solidário ao presidente Getúlio Vargas, a quem não faltou em nenhum instantes de 1935 e 1936. É todavia fato que no decurso de 1936 se afirmara gradativamente como defensor do regime liberal-democrático representativo sob o qual crescera como líder político. Por conseguinte, passou a conhecer a crescente hostilidade dos integralistas aliada á desconfiança dos altos escalões civis e militares do governo federal.

 Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XI, continuação ( publicação na quarta-feira (27/06/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

João Mangabeira

Foto PSB/ Google: Baiano, jurista, parlamentar, jornalista, orador. Sobretudo, socialista. Viveu a postura e dimensão permanentemente transformadora do ideal socialista. Encontrou na parábola do Bom Samaritano e em Marx os princípios inspiradores do Socialismo. Estreou sua advocacia em Ilhéus defendendo um réu miserável, denunciado que “a principal responsável por aquele farrapo humano não era ele, o analfabeto, era a sociedade que gerava e quem, sem nada lhe haver dado, dele tudo exigia”. Atuou na política partidária, já na Velha República. Assumiu a defesa do socialismo na constituinte de 1934. Foi preso político em 1937 e fundador da Esquerda Democrática em 1945. Presidiu o PSB a partir de 1947. Foi Ministro da Justiça no Governo de João Goulart.

 

 

 

O blog do Professor faz um recesso para participar das festas juninas. A maior festa popular do Brasil é muito melhor no interior. A nossa rota do forró é o sertão baiano, Tanquinho, Riachão do Jacuípe e região. Licor bom, comidas típicas muita dança e uma boa prosa com os amigos, os agregados e os novos “coronéis” da política baiana e brasileira. Retornamos, se Deus quiser, no dia 27/06.

Bom São João para todos

Prof. Desiderio

 

 

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