Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XII)

 

 

BAHIA: O PLANO COHEN

      O governador Juracy Magalhães apoiou abertamente a candidatura de José Américo de Almeida, motivo das facilidades concedidas para a existência do Bahia Jornal. Ele a campanha a favor de José Américo na Bahia. Também combateu os integralistas, o que lhe valeu a pecha de “comunista”. Mas o político Juracy Magalhães tinha experiência e intuição suficiente para não se impressionar com essas acusações e avaliar que o golpe articulado em junho de 1936 avançara e ganhara novas adesões.

A 29 de setembro, o ministro da guerra, general Eurico Gaspar Dutra, ocupou as rádios na Hora do Brasil para informar a descoberta de um plano comunista, ao qual denominou Plano Cohen. Somente anos depois a nação saberia que fora preparado pelo capitão integralista Olímpio Mourão Filho para a Ação Integralista. O general Góes Monteiro tomou conhecimento dele e o interceptou ainda nas mãos do capitão Olímpio Mourão. Ele foi reelaborado para ser apresentado na fala do ministro da Guerra como um “plano comunista” de origem estrangeira e para servir de justificativa ao pedido do governo federal de decretação do Estado de Guerra no País e suspensão dos itens da carta de 1934 referentes aos direitos do cidadão e ás liberdades públicas. Foi aprovado pela maioria dos deputados na Câmara federal, não obstante a oposição dos deputados da minoria, na qual se destacaram Otávio Mangabeira e seus companheiros.

Instalou-se na Bahia uma Comissão Executiva de Guerra, formada pelo comandante da 6ª RM, coronel Antônio Fernandes Dantas, e o governador Juracy Magalhães. Por diversas vezes, eles se atritaram seriamente, a exemplo do episódio em que o governador da Bahia exibiu para o coronel Fernandes Dantas o revolver que trazia na cintura. Distanciaram-se ainda mais a partir das repetidas demonstrações da hostilidade governo federal ao governador da Bahia. Formaram uma sequência: presença ostensiva do cruzador Rio Grande do Sul no porto da cidade do Salvador, deslocamento acintoso de um batalhão de infantaria da cidade de Juiz de Fora para a Bahia e a instalação de nova bateria de artilharia na cidade do Salvador em posição de ataque.

O governador Juracy Magalhães estava virtualmente deposto quando ocorreu o golpe de 10 de setembro de 1937. Permitiram-lhe, porém, “renunciar” ao governo e receber manifestações de solidariedade dos populares que o ceraram ao descer as escadas do Palácio Rio Branco. Repetiram-se, uma semana depois, ao embarcar para o Rio de Janeiro, para uma etapa de sua vida militar.

A 10 de novembro terminou o curto período da Constituição de 1934. O país mergulhou num regime ditatorial.

ADMINITRAÇÂO DE JURACY MAGALHÃES

A administração de Juracy Magalhães durou de 19 de setembro de 1931 a 10 de setembro de 1937. Seis anos e cinquenta e três dias. No primeiro período, de 1931 a 1935, administrou como interventor federal. No segundo, de 1935 a 1937, como governador constitucional. Não ocorrendo quebra de continuidade de um para o outro, é legítimo considerar que se trata da mesma administração. A do interventor continuou-se na do governador e ambas foram marcadas pelo estilo pessoal de Juracy Magalhães.

Apesar de não ter interferido nas estruturas socioeconômicas que encontrou, os seis anos da administração de Juracy Magalhães representaram avanços importantes para a Bahia. A criação do Instituto Central de Fomento Econômico foi um impulso cultural e econômico. Fundado para incentivar e apoiar iniciativas de produção industrial, agrícola e pecuária, bateu na mentalidade conservadora do alto comércio baiano e na velha fórmula de adiantar recursos aos cacauicultores cobrando taxas de agiotagem. Outra iniciativa inegável foi a realização do Instituto do Cacau, cuja a idealização datava da interventoria de Artur Neiva. Seguiram-se o  Instituto do Fumo e o da Pecuária. Foram tentativas de intervenção numa economia dominada pelo latifúndio, pela persistência das relações de trabalho semi-escravo (trabalho não remunerado a dinheiro) e práticas comerciais viciadas na agiotagem.

A administração de Juracy Magalhães criou a Secretaria de Educação e Saúde (1935). Construiu o prédio do Instituto de Educação no campo do Barbalho, com o propósito de transferir para ele a Antiga Escola Normal da Bahia, o que se concretizou na interventoria de Landulfo Alves. Também construiu os prédios das Escolas Góes Calmon e Duque de Caxias, esta na Liberdade, cuja população era de trabalhadores, operários e famílias de classe média.

Iniciou a construção do Hospital do Pronto Socorro e apoiou providências do diretor da Faculdade de Medicina, o cirurgião e professor Edgard Santos, para a construção do hospital necessário aos cursos médicos. Inaugurou postos de puericultura nos bairros do Rio Vermelho e da Liberdade, a Pupileira e o lactário Martagão Gesteira em terreno da antiga Roda-dos-Expostos, pertencente à Santa Casa de Misericórdia. Recuperou a Estrada de Ferro de Santo Amaro, que voltara em ruina para a administração pública. Aprovou a extensão da Estrada de Ferro de Nazaré para o porto de São Roque, alternativa desejada para o escoamento mais rápido e seguro dos produtos agropecuário do sudoeste, principalmente café, mamona e gado. E concluiu a barragem do rio do cobre, primeira etapa para a realização do esperado serviço de abastecimento de água da cidade do Salvador.

Foto Google: prédio do antigo Instituto do Cacau, av. da França, Salvador-BA

 

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XII, continuação ( publicação no sábado (30/06/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

 

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