Morre Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT

terça-feira, 31 julho, 2018

Advogado foi coautor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff

Ao lado de Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal, ele elaborou a peça que embasou o pedido de impeachment da então presidente no Congresso.

Hélio Bicudo morreu aos 96 anos

Nascido em 1922, em Mogi das Cruzes, Hélio Bicudo foi professor de Direito da USP. Foi um importante militante dos direitos humanos desde os anos 1970, e se notabilizou pelo combate, naquela época, ao Esquadrão da Morte, que agia em São Paulo.

Em sua carreira passou pela Procuradoria Geral em SP, foi presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, duas vezes deputado federal e, entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito paulistano na gestão de Marta Suplicy. Também participou da gestão de Luiza Erundina, de quem foi secretário dos Negócios Jurídicos.

Deixa sete filhos e estava viúvo desde março passado, quando faleceu sua mulher, Déa.

Com Estadão


Alucinações Musicais (Parte III)

sábado, 28 julho, 2018

 

MÚSICA NO CÉREBRO: IMAGENS MENTAIS E IMAGINAÇÃO

Nesta parte, Dr. Oliver Sacks a presença da musica no cérebro humano, assim como as diferentes formas de percepção e limitação e as habilidades de músicos que são capazes de ‘ouvir’ seu instrumento durante a prática mental.

A música, para a maioria de nós é uma parte significativa e em geral agradável da vida. Não falo só da música externa, a que ouvimos com nossos ouvidos, mas também da musica interna, a que toca na nossa cabeça. Quando Galton escreveu sobre “imagens mentais” na década de 1880, referiu-se apenas a imagens visuais, e de modo nenhum a imagens musicais. Mas se fizermos um levantamento entre nossos amigos poderemos perceber que as imagens mentais musicais apresentam-se em uma gama tão variada quanto as visuais. Há pessoas que mal conseguem manter uma melodia na cabeça, enquanto outras podem ouvir sinfonias inteiras na mente, quase tão detalhadas e vividas quanto as vividas quanto as ouvidas por meio da percepção real.

“Eu me dei conta dessa imensa variação ainda criança, pois meus pais situavam-se nos extremos opostos do espectro. Minha mãe tinha dificuldade para imaginar voluntariamente qualquer melodia, enquanto meu pai parecia possuir uma orquestra inteira dentro da cabeça, pronta para tocar o que ele mandasse. Ele sempre trazia no bolso duas ou três minipartituras orquestrais, e entre um e outro paciente às vezes pegava uma das partituras e executava um concerto interno. Não precisava por um disco no gramao-fone, pois era capaz de tocar mentalmente uma partitura quase com a mesma vividez, talvez em diferentes modos ou interpretações, e ocasionalmente com uma improvisação de sua autoria. Sua leitura de cabeceira favorita era um dicionário de temas musicais. Ele folheava algumas paginas, quase ao acaso, saboreando isto ou aquilo, e então, estimulado pela abertura de alguma composição, decidia-se por uma sinfonia ou concerto favorito, a sua própria Kleine Nachtmusic (Pequena serenata), como ele dizia.”

    Continuando, Sacks acrescenta: “Minhas habilidades de imaginar e perceber música são muito mais limitadas. Não sou capaz de ouvir toda uma orquestra na cabeça, pelo menos em circunstância normais. O que possuo, em certo grau, são imagens mentais de pianista. Com músicas que conheço bem, como mazurcas de Chopin, que aprendi a tocar de cor há sessenta anos e continuo a apreciar imensamente até hoje, só preciso relancear os olhos por uma partitura ou pensar em determinada mazurca (um “opus nº” já me basta) e a mazurca começa a tocar na minha cabeça. Eu não só “ouço” a música, mas ‘vejo’ minhas mãos no teclado à minha mãos no teclado a minha frente e as ‘sinto’ tocar a composição – uma execução virtual que, uma vez começada, parece se desenvolver ou prosseguir por conta própria. Quando eu estava aprendendo as mazurcas, descobri que até podia praticá-las na mente, e muitas vezes ‘ouvia’ frases ou temas específicos das mazurcas tocando por si mesmos. Ainda descobri que seja de um modo involuntário e inconsciente, executar passagens mentalmente dessa maneira é uma ferramenta crucial para toda pessoa que toca um instrumento, e a imaginação de estar tocando pode ser quase tão eficaz quanto a realidade física.

foto: Google

Pesquisas ( Zatorre)

Desde de meados de 1990, estudos realizados por Robert Zatorre e seus colegas usando avançadas técnicas de neuroimagem demonstraram que, de fato, imaginar música pode ativar o córtex auditivo quase com a mesma intensidade de ativação causada por ouvir música. Imaginar música também estimula o córtex motor, e, inversamente, imaginar a ação de tocar música estimula o córtex auditivo. Isso observaram Zatorre e Halpern em um ensaio de 2005, “corresponde às afirmação de músicos de que são capazes de ‘ouvir’ seu instrumento durante prática mental”.

Como Alvaro Pascual-Leone observou, estudos sobre o fluxo regional de sangue no cérebro.

[indicam que] a simulação mental de movimentos ativa algumas das estruturas neurais centrais requeridas             para execução dos movimentos reais. Ao fazê-lo, a prática mental por si só parece ser suficiente para promover a modulação de circuitos neurais envolvidos nas primeiras etapas do aprendizado de habilidades motoras. Essa modulação não só resulta em acentuada melhora na execução, mas também parece deixar individuo em vantagem para aprender a habilidade menos prática física. A combinação da prática física e mental [ele acrescenta] leva a um aperfeiçoamento da execução mais acentuado do que prática sozinha, fenômeno esse para o qual nossas descobertas fornecem uma explicação fisiológica.

 

A expectativa e a sugestão podem intensificar notavelmente a imaginação musical e até produzir uma experiência quase perceptual. Sacks conta que Jerome Brunner, seu amigo, pessoa extremante musical, contou-lhe que certa vez pôs um de seus discos favoritos de Mozart  para tocar, ouviu com grande prazer e então foi virar o disco para ouvir o outro lado. Descobriu, naquele momento, que não tinha posto o disco para tocar da primeira vez. Talvez esse seja um exemplo extremo de algo que acontece às vezes com todos nós com músicas bem conhecidas: “pensamos estar ouvindo a música baixinho no rádio, mas ele foi desligado ou a música já acabou, e ficamos em dúvida se ela ainda continua a tocar ou se estamos simplesmente a imaginá-la”.

Na década de 1960 foram feitos alguns experimentos inconclusivos sobre o que os pesquisadores denominaram de “efeito White Christmas” ( referência ao filme Véspera de Natal). Na época, a versão de Bing Crosby para essa musica era conhecida por praticamente todo mundo. Alguns indivíduos “ouviam” essa música quando volume era diminuído até quase zero, ou mesmo quando os experimentadores anunciavam que iriam tocar a canção mas não o faziam. Recentemente, William Kelley e seus colegas Dartmouth obtiveram confirmação fisiológica desse “preenchimento” por imagens mentais musicais involuntária. Eles usaram imagens ressonância magnética para visualizar o córtex auditivo enquanto os indivíduos do estudo ouviam músicas conhecidas e desconhecidas nas quais breves segmentos haviam sido substituídos por lacunas de silêncio. As lacunas silenciosas embutidas nas músicas conhecidas não eram notadas conscientemente pelas pessoas, mas os pesquisadores observaram que tais hiatos “induziram maior ativação das áreas de associação auditiva do que as lacunas silenciosas embutidas; isso ocorreu tanto em músicas com letra como sem letra”

Foto google

As fitas motoras ( de Llnás)

E de súbito, Linás conclui, ‘ouvimos uma música na cabeça ou, aparentemente vindo do nada, surge-nos uma forte vontade de jogar tênis. Isso as vezes simplesmente nos acontece.” (Linás)

 

Linás, neurocientista da Universidade de Nova York, tem interesse especial pelas interações do córtex com o tálamo, que a seu ver fundamentam a consciência “Self”, e pelas interações dessas áreas com os núcleos motores sob o córtex, especialmente os gânglios basais, que Linás considera cruciais para a produção de “padrões de ação” (para andar, , fazer a barba, tocar violino etc.). Às incorporações neurais desses padrões de ação ele dá o nome fitas motoras. Linás concebe todas as atividades mentais – perceber e imaginar tanto quanto fazer – como motoras. Em seu livro, The I of the votex {O eu do vótice}, ele escreve repetidamente sobre música, tratando, sobretudo, da execução musical, mas às vezes também daquela singular forma de imaginação musical que ocorre quando uma canção ou melodia brota de súbito na mente:

Os processos neurais que fundamentam o que  chamamos de criatividade não tem relação com a racionalidade. Ou seja, se examinarmos como o cérebro gera criatividade, veremos que não se trata absolutamente de um processo racional; a criatividade não nasce do raciocínio.

 

Na verdade, nossa suscetibilidade às imagens mentais musicais requer sistemas extremamente sensíveis refinados para perceber e lembrar música, muito além do que qualquer coisa existente nos primatas não humanos. Esses sistemas, aparentemente são tão sensíveis à estimulação de fontes internas – memórias, emoções, associações – quanto à de música externa, afirma Dr. Sacks. Parecem possuir uma tendência, sem paralelos em outros sistemas perceptuais, à atividade espontânea e à repetição. Vejo meu quarto e minha mobília todos os dias, mas eles não me reaparecem como “imagem na mente”. Tampouco ouço cães imaginários latindo nem o barulho do trânsito em segundo plano na minha mente, não sinto aromas de comidas imaginárias sendo preparadas, apesar de ficar exposto todos os dias.  Tenho fragmentos de poemas e frases que me brotam de súbito na mente, porém nada parecido com a riqueza e a variação das minhas imagens mentais espontânea. Talvez não seja só o sistema nervoso, mas a própria música que contém algo muito singular – seu ritmo, seus contornos melódicos, tão diferentes da fala – e  sua ligação singular direta com as emoções. Afirma Sacks e conclui:

É realmente muito curioso que todos nós , em vários graus, tenhamos música na cabeça. Se os senhores Supremos de Artur C. Crarke ficaram intrigados quando aterrizaram no nosso planeta e observaram quanta energia nossa espécie usa para fazer e ouvir música, imagine seu espanto se percebessem que, mesmo na ausência de fontes externas, a maioria de nós toca música na cabeça incessantemente.

 

 

 

 

Continua na Parte IV (Quarta 01/07/18).

 

foto: Google

 

Fonte bibliográfica e textos:

Sacks, OLIVER,  Alucinações Músicais, Relatos sobre a música e o cérebro, Tradução: Laura Teixeira Motta, 2ª reimpressão; Companhia das Letras, São Paulo – 2007

Comentários: Desiderio Bispo de Melo, graduado e m história e direito, pós graduado em musicoterapia pelo CEPOM – Olga Mettig

 


Sou antagônico ao Lula e contra o candidato do PT, diz Ciro em convenção em SP

sexta-feira, 27 julho, 2018

 Por: Roberto Viana/Arquivo/BNews Por: Folhapress00comentários

O ex-presidente Lula “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”, afirmou o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, a uma TV do Maranhão, no dia 16 de julho.

Na quinta (26), durante convenção estadual do PDT na Assembleia Legislativa de São Paulo, ele afirmou que o que queria dizer com essa declaração é “simples”: “A liberdade do Lula só será restaurada com a restauração do estado de direito democrático que perdemos na esteira de um golpe. Mas não é a liberdade do Lula, é a regularidade do império da lei”.

Ciro criticou a execução da pena após condenação em segunda instância, considerando a previsão de que um réu possa recorrer em quatro instâncias do judiciário.

“O resto é intriga. Esses jornalões acham que vão me intrigar porque uma parte do baronato que eles frequentam é hostil ao Lula. E eu sou antagônico ao Lula também.

Sou candidato, contra o candidato do PT e tenho sido alvo do PT. Mas eu defendo a verdade”, afirmou.

Ciro Gomes esteve em São Paulo para a convenção que anunciou o apoio do PDT à reeleição do governador Márcio França (PSB). O PDT corteja o PSB para um apoio nacional a Ciro –em São Paulo, pedem uma vaga majoritária na chapa de França, emplacando o vice-governador ou um dos candidatos ao Senado.

“Tô colocando mel pro Márcio França, eu espero que ele venha”, disse o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Ciro e França trocaram elogios e lembraram a amizade que mantêm, segundo ambos, há anos –o presidenciável já foi filiado ao PSB.

“É uma honra poder andar com o Ciro”, disse o governador. Na sequência, citou os outros dois presidenciáveis a quem também dará palanque: Alvaro Dias (Podemos) e Paulo Rabello de Castro (PSC). O apoio nacional de França ao PDT, por ora, não veio.

Bocão News

 

CONVOCAÇÃO


Alucinações Musicais(Parte II)

quarta-feira, 25 julho, 2018

CONVULSÕES MUSICAIS

O raio que atingiu o Dr. Cicoria  poderia ter desencadeado tendências epiléticas em seus lobos temporais? Há muitos relatos sobre o início de inclinações musicais ou artísticas em convulsões do lobo temporal, e os que sofrem esses ataques também podem adquirir intensos sentimentos místicos ou religiosos, como ocorreu com Cicoria. No entanto, ele não descrevera nada parecido com convulsões epiléticas, e aparentemente o eletroencefalograma feito logo após o acontecimento resultara normal.

      Porque então a musicofilia demorou tanto a se manifestar no caso de Cicoria? O que estava acontecendo nas seis setes semanas que se passaram entre sua parada cardíaca e a erupção muito repentina da musicalidade? Sabemos que houve efeitos imediatos da queda do raio: experiência extracorpórea, a experiência de quase-morte, o estado de convulsão que durou algumas horas e o distúrbio de memória que permaneceu por duas semanas. Esses efeitos podem ter decorridos da anoxia cerebral, pois seu cérebro sem dúvida ficou sem oxigênio por um minuto ou mais – Avalia Dr. Sacks – Mas também é possível que o próprio raio tenha afetado diretamente o cérebro. Entretanto, é impossível não suspeitar que a aparente recuperação do Dr. Cicoria duas semanas depois do evento não tenha sido completa como se pensou. Talvez tenham ocorrido outras formas de dano cerebral que passaram despercebidas, e seu cérebro ainda estivesse reagindo ao trauma original e se reorganizando durante esse período, conclui.

Opinião do Dr. Cicoria

O Dr. Cicoria julga-se “uma pessoa diferente” agora – em sua vida musical, emocional, psicológica e espiritual. Essa foi também a impressão de Sacks ao ouvir sua história e ver algumas das novas paixões que o transformaram. “ Analisando-o de uma perspectiva neurológica, acho que seu cérebro agora deve ser muito diferente do que era antes de o raio atingi-lo ou em comparação com o que foi nos dias imediatamente seguintes ao acidente, quando os exames neurológicos não detectaram nenhum grande problema”. Presumivelmente estavam ocorrendo mudanças nas semanas subsequentes, quando seu cérebro estava se organizando – preparando – se, digamos, para a musicofilia. Poderíamos hoje, doze anos depois, definir a base neurológica de sua musicofilia? – Pergunta Sacks – Vários exames novos e muito mais refinados da função cerebral foram desenvolvidos desde que Cicoria sofreu o trauma(1994), e ele concordou que seria interessante investigar mais a fundo a questão. Mas depois reconsiderou e disse que talvez fosse melhor deixar como estava. Ele tivera sorte, e a música, não importava como lhe houvesse chegado, era uma benção, uma graça – que não deveríamos questionar.

UMA SENSAÇÃO ESTRANHAMENTE FAMILIAR: CONVULSÕES MUSICAIS

      Jon S., um homem robusto de 45 anos, gozou de perfeita saúde até janeiro de 2006. Numa manhã de segunda-feira, no escritório, quando sua semana de trabalho apenas começava, ele foi ao closet pegar alguma coisa. Assim que entrou ali, subitamente começou a ouvir música – “clássica, melódica, muito agradável tranquilizadora… vagamente familiar… era um instrumento de corda, um solo de violino”.

    Imediatamente pensou: “Mas de onde será que está saindo essa música?”. Havia no closet um velho aparelho eletrônico descartado, que tinha botões, mas não altos falantes. Confuso, em um estado que mais tarde chamou de “animação suspensa”, ele remexeu nos controles para desligar a música. “E, então, apaguei”, ele contou. Um colega do escritório que presenciou a cena descreveu o senhor S. no closet como “derreado, insensível”, mas não em convulsão.

     A recordação seguinte do Sr. S. era a de um especialista em emergências médicas debruçado sobre ele, fazendo perguntas. Não conseguia lembrar-se de data, mas lembrava-se do seu nome. Ele foi levado ao pronto-socorro de um hospital da região, onde sofreu outro episódio. “Eu estava deitado, o médico me examinava, minha mulher estava lá…eu recomecei a ouvir a música e falei: ‘está acontecendo de novo’, e então, muito rapidamente, desliguei”.

     Acordou em outro quarto, percebeu que mordera a língua e as bochechas, e sentia fortes dores nas pernas. “Disseram-me que eu sofrera um ataque epilético, com convulsões e tudo…aconteceu muito mais rapidamente do que da primeira vez”.

     Fizeram-lhe alguns exames e administraram-lhe uma droga antiepilética, para protege-lo de novos ataques. Desde então, ele fez mais exames ( nenhum dos quais revelou anormalidades) – Uma situação nada incomum nas epilepsias do lobo temporal). Embora nenhuma lesão fosse visível nos exames de neuroimagem do cérebro, o Sr. S. mencionou que sofrera um traumatismo razoavelmente grave quando tinha quinze anos, uma concussão, no mínimo, e isso pode ter produzido ligeiras cicatrizes nos lobos temporais.

 O Sr. S. conversa no consultório com o Dr. Sacs – “Quando lhe pedi para descrever a música que ouvira imediatamente antes dos ataques, ele tentou cantá-las, mas não conseguiu. Disse que não era capaz de cantar música nenhuma, mesmo as bem conhecidas. E acrescentou que não era realmente uma pessoa muito musical, e que o tipo de música clássica de violino que “ouvira” antes do ataque não era do seu gosto; parecia: ”lamentosa, como miado de gato”. Ele costumava ouvir música pop. Ainda assim, não sabia porquê, aquela lhe parecia familiar. Sera que ele a ouvira a muito tempo atrás, na infância”?

     Recomendou que, se ele alguma vez ouvisse  aquela música, no radio, por exemplo, anotasse e lhe informasse. O Sr. S. prometeu ficar de ouvidos atentos, mas comentou que, enquanto estavam ali conversando, não podia evitar a ideia de que talvez se tratasse apenas de sensação, uma ilusão de familiaridade ligada à musica, em vez de uma recordação real de alguma coisa que já ouvira. Havia algo de evocativo, mas difícil de definir, como na música ouvida em sonhos.

     E assim ficaram – “ Eu me pergunto se algum dia receberei um telefonema do Sr. S. dizendo: ‘Acabei de ouvir a música no rádio! Era uma suíte de Bach para solo de violino’. Ou se o que ele ouviu foi uma construção ou alguma combinação com características de sonho que, apesar de toda a ‘sensação de familiaridade’, ele nunca identificará”. Vaticinou Sacks.

 

Continua na Parte III (sábado, 28/07/18).

foto Gogle: Centro Suzuki Indaiatuba

Fonte bibliográfica e textos:
Sacks, OLIVER,  Alucinações Músicais, Relatos sobre a música e o cérebro, Tradução: Laura Teixeira Motta, 2ª reimpressão; Companhia das Letras, São Paulo – 2007
Comentários: Desiderio Bispo de Melo, graduado e m história e direito, pós graduado em musicoterapia pelo CEPOM – Olga Mettig

 

 

 


Jutahy Jr recebe apoio de ex-governador para o Senado

terça-feira, 24 julho, 2018

É do ex-governador Roberto Santos, que comandou a Bahia entre 1975 e 1979, foi reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) de 1967 a 1971 e ministro da Saúde em 1986 e 1987.

“Estive hoje, pela manhã, na residência do ex-governador Roberto Santos, exemplo de homem público que exerceu tantas importantes funções no Brasil e na Bahia, sempre com dignidade e competência. Tive a satisfação de receber o seu apoio para minha pré-candidatura ao Senado”, comemorou Jutahy em suas redes sociais digitais.

http://www.interiordabahia.com.br


Alucinações Musicais

sábado, 21 julho, 2018

Oliver Sacks (Parte I)

     Nova série do blog do Professor Desiderio, Descreve os estudos do Médico e neurologista e musicoterapeuta, OLIVER SACKS, sobre a influência da música e seus elementos no comportamento e na fisiologia humana. No livro “Alucinações Musicais”,  que tem como subtítulo : Relatos sobre a música e o cérebro, servirá de referencial teórico e fonte para o entendimento dos eventos, história e técnicas que balizaram e difundiu a MUSICOTERAPIA para o mundo.

Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres, onde se formou em medicina no Quens College. Em 1960 emigrou para os Estados Unidos e prosseguiu os estudos médicos. Tornou-se membro do Albert Einstein Colleg of Medicine, de Nova York, em 1965, e passou a lecionar neurologia e atuar na área psiquiátrica, atividades que exerce agora na Columbia University. Nessa Universidade, ocupa também recém criado posto de Artista, que lhe permite transitar livremente entre os departamentos, ensinando, conduzindo seminários, atendendo pacientes, etc. Com a publicação de Enxaqueca, em 1970, iniciou uma brilhante carreira de escritor, com uma série de livros que logo se tornaram best-selllers, tais como Tempo de despertar, O homem que confundiu a mulher com um chapéu, Um Antropólogo em Marte, A Ilha dos daltônicos, Com uma perna só, Vendo vozes e Tio Tungstênio, todos editados no Brasil pela Companhia das Letras. Nessas obras, que descrevem histórias de pessoas portadoras de distúrbios neurológicos e perceptivos, Sacks exibe todo o seu fascínio pela criatividade da mente humana ao lidar com suas próprias afecções.

COMO UM RAIO: MUSICOfILIA SÚBITA

Tony Cicória tinha 42 anos, era forte e estava em ótima forma. Jogara futebol americano na Universidade e se tornara cirurgião ortopédico em uma pequena cidade no norte do estado de Nova York. Numa agradável tarde de outono, foi a uma reunião de família, num pavilhão Á beira de um lago. Soprava uma brisa, mas ele notou algums nuvens de tempestade longe. Viria chuva, pensou.

Foi até o telefone público próximo do pavilhão fazer uma rápida ligação para sua mãe (era 1994, antes da voga dos celulares). Tony ainda se recorda de cada segundo do que lhe aconteceu em seguida: ”Eu estava conversando com minha mãe ao telefone. Chuviscava, ouviam-se trovões ao longe. Minha mãe desligou. O telefone estava a uns trinta centímetros de onde eu me encontrava quando fui atingido. Lembro de um clarão de luz sair do aparelho. Pegou-me no rosto. Minha lembrança seguinte é estar voando para trás”.

Então – ele pareceu hesitar antes de me contar isso – “eu estava voando para frente. Atordoado. Olhei em volta. Vi meu corpo no chão. Caramba, estou morto, pensei. Vi pessoas convergindo para o corpo. Vi uma mulher – que tinha estado logo atrás de mim, esperando para usar o telefone – debruçar-se sobre o meu corpo e fazer reanimação cardiorrespiratória. {…} Flutuei para as estrelas. Minha consciência veio comigo; vi meus filhos, tive a percepção de que eles ficariam bem. E então fui envolvido por uma luz branco – azulada… uma sensação intensa de bem-estar e paz. Os melhores e os piores momentos da minha vida passaram velozmente por mim. Nenhuma emoção estava associada a eles… puro pensamento, puro êxtase. Tive a percepção de acelerar, de ser puxado para cima… com velocidade e direção. E justo quando eu dizia a mim mesmo ‘esta é a sensação mais deliciosa que já tive’ – BAM! Eu voltei”.

A polícia chegou. Quiseram chamar uma ambulância, mas Cicoria, delirante recusou. Levaram-no então para casa, e de lá ele telefonou para seu médico, um cardiologista. Este fez o exame e achou que Cicoria teve uma breve parada cardíaca , mas nada encontrou de errado no aspecto clínico do eletrocardiograma. “Desse tipo de coisa a gente sai vivo ou morto”, comentou o cardiologista. E julgou que o Dr. Cicoria não sofreria mais nenhuma consequência do acidente Bizarro. Seus exames neurológicos também não mostraram nada de anormal.

No entanto pouco depois do acidente, Cicoria começou a experimentar um intenso e insaciável desejo de ouvir música de piano. Nada em seu passado poderia explicar isso. A partir daí, o renascido médico passou a aprender música sozinho, além de ouvir  constantemente música dentro de sua cabeça. Passou a dedicar todo o tempo livre à música, participando de concurso e todo tipo de consertos ( tanto que isso lhe custou o casamento: a esposa pediu a separação).

A partir desse primeiro relato clinico, que poderia constar de uma coletânea de contos fantásticos, constrói-se o Alucinações Musicais, marco Definitivo do encontro entre a música e a neurociência. O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença do Dr. Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual, tantos das afecções quanto do tratamento.

Continua na Parte II (quarta-feira, 25/07/18).

Fonte bibliográfica e textos:

Sacks, OLIVER,  Alucinações Músicais, Relatos sobre a música e o cérebro, Tradução: Laura Teixeira Motta, 2ª reimpressão; Companhia das Letras, São Paulo – 2007

Comentários: Desiderio Bispo de Melo, graduado e m história e direito, pós graduado em musicoterapia pelo CEPOM – Olga Mettig

 

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Ciro Gomes Oficializa candidatura a Presidente

sexta-feira, 20 julho, 2018

Na oficialização de sua candidatura, Ciro Gomes diz que Brasil precisa mudar

Logo no início de sua fala, Ciro fez do mote “o Brasil precisa mudar” uma constante do discurso. Cuidadoso, Ciro tentou se mostrar conciliador. “É preciso respeitar as diferenças, fim da cultura de ódio, acabar com o brasileiro sendo ferido por outro brasileiro na internet. Ninguém é dono da verdade.”

Sobre a fama de cabeça quente e explosivo, Ciro também pareceu querer se explicar: “Minha ferramenta é minha palavra, falo 10 horas por dia, cometo erros, mas nenhum deles por desonestidade intelectual.”

>> ‘Não queria mais participar da política de tão enojado que estava’, diz Ciro Gomes

“É preciso respeitar as diferenças, fim da cultura de ódio, acabar com o brasileiro sendo ferido por outro brasileiro na internet. Ninguém é dono da verdade”, disse Ciro Gomes

Ele não deixou de responder, no entanto, as críticas que recebeu do mercado financeiro por algumas de suas propostas. “Essa gente quebrou o nosso País a pretexto de austeridade. Querem matar o carteiro para que o povo brasileiro não leia a carta”, disse, antes de fazer referência ao montante pago em juros de dívida pública. “Que me persigam, mas somente com juros, este ano, gastaram R$ 380 bilhões. É difícil explicar ao povo, mas a sociedade brasileira está devendo R$ 5 trilhões ao baronato”, complementou.

As referências de Ciro Gomes ao pagamento de juros da dívida é um dos fatores que assusta os agentes econômicos do mercado financeiro e teria provocado um recuo por parte dos partidos que formam o chamado “Centrão”, que negociava aliança com sua campanha.

Após ironizar esse aspecto, Ciro voltou a enfatizar que estará ao lado dos mais pobres e da classe média. O candidato prometeu olhar as contas públicas com lupa. “O governo esfola o povo trabalhador com um sistema de impostos injusto e perverso. Povo e classe média já pagaram demais. A classe média paga dobrado para viver no País e o Estado não devolve serviços de qualidade. Quem tem de pagar agora é o governo e o mundo mais rico. Não falo do mundo mais rico com preconceito, não vamos sair dessa situação com o ‘nós contra eles.”

Ciro Gomes oficializa candidatura e diz que o Brasil precisa mudar

No discurso, Ciro falou, sem detalhar, os 12 eixos de sua campanha. Além de emprego, saúde e educação, o candidato focou em segurança pública – tema que tem sido o forte de candidatos de outro campo político.