Bahia: das mudanças lentas as transformações possíveis (Parte XVI)

SUCESSÕES NO GOVERNO DA BAHIA

A sucessão do governador Regís Pacheco dividiu o PSD baiano em duas candidaturas. A preferida pelo governador do estado e, ao menos na aparência, pelo PSD baiano, era a do reitor da Universidade do Brasil, ex-ministro da Educação no governo Dutra, escritor, historiador de renome e jurista Pedro Calmon Muniz Bitencourt. A outra candidatura era do advogado, político e ex-ministro da Educação do governo de Getúlio Vargas, Antônio Balbino de Carvalho Filho, apoiada pela maioria pessedista, pela UDN juracisista e pelo PTB. Foi vitoriosa e ele governou a Bahia de 1955 a 1959.

Rômulo Almeida

O ponto alto do governo de Antônio Balbino foi a criação da comissão de Planejamento Econômico (CPE), coordenada pelo economista Rômulo Almeida, um dos responsáveis pelo projeto da Petrobrás. Conseguiu reunir jovens economistas e estudiosos dos problemas baianos e preparou projetos que todavia se concretizaram em sua administração. Preocupou-se também em oferecer melhores condições de vida aos bairros populares da cidade do Salvador construindo Centros Sociais que forneciam assistência médica.

No final do seu governo, deixou de atender a um compromisso eleitoral da campanha de 1954, que era o de apoiar a candidatura de Juracy Magalhães ao governo da Bahia. Preferiu um candidato apolítico, o engenheiro José Pedreira de Freitas. Declarando-se candidato, Juracy Magalhães conquistou o apoio do Partido Libertador (PL), nova sigla dos autonomistas, e do Partido Republicano (PR). Foi eleito após uma campanha marcada pelo entusiasmo e governou de 1959 a 1963.

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO

Empossado em abril de 1959, Juracy Magalhães inaugurou seu governo definindo um plano de desenvolvimento para a Bahia, o PLANDEB. Foi coordenado pelo economista  Rômulo Almeida e supervisionado diretamente pelo governador. Na apresentação de suas diretrizes, ele expôs que o PLANDEB fora preparado considerando-se “indispensável dar oportunidade para o emprego da população ao menos nos níveis mínimo “,  para “assegurar as condições que valorizem os salários nominais, através de um abastecimento farto e do atendimento das necessidades mínimas de educação e assistência sanitária à população do estado da Bahia”. Considerava desejável “desenvolver ao máximo as possibilidades apresentadas pelos recursos naturais, indústrias e humanos que a Bahia apresenta”.

Nos objetivos para alcançar essas diretrizes, o plano previu a “possibilidade de fixação dos capitais produzidos…, pela própria economia baiana, pela vinda de capitais de fora para variados empreendimentos agrícolas e industriais”. Outra possível via para a realização do PLANDEB estava nos “recursos públicos federais ou recursos de outras origens canalizados através da união”.

O plano de investimentos públicos, semi-públicos ou patrocinados pelo poder público compreenderia programas básicos de “transportes e comunicação, um sistema integrado de organização da economia agrícola e abastecimento alimentar”. A fronteira agrícola se ampliaria com a “colonização de terras úmidas ou de fácil irrigação”. Esperava-se que a Petrobrás desenvolvesse um programa de possibilidades industrias” e pedia ao governo federal prioridade para a localização de uma “siderúrgica média na Bahia, dentro do programa siderúrgico nacional”, com facilidades para “industrias metalúrgicas diversas, mecânicas , de material de construção, embalagens”, reivindicações justificadas “pela localização de matérias-primas na Bahia.”

O PLANDEB devia ser realizado no período de 1960-1963. Não o foi por causa das dificuldades da Bahia e dos episódios que imobilizaram o país nos anos de 1961 e 1962.

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 foto google: livro em homenagem a Rômulo Almeida

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte XVII, continuação ( publicação na quarta 18/07/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio

 

 

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