Alucinações Musicais

Oliver Sacks (Parte I)

     Nova série do blog do Professor Desiderio, Descreve os estudos do Médico e neurologista e musicoterapeuta, OLIVER SACKS, sobre a influência da música e seus elementos no comportamento e na fisiologia humana. No livro “Alucinações Musicais”,  que tem como subtítulo : Relatos sobre a música e o cérebro, servirá de referencial teórico e fonte para o entendimento dos eventos, história e técnicas que balizaram e difundiu a MUSICOTERAPIA para o mundo.

Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres, onde se formou em medicina no Quens College. Em 1960 emigrou para os Estados Unidos e prosseguiu os estudos médicos. Tornou-se membro do Albert Einstein Colleg of Medicine, de Nova York, em 1965, e passou a lecionar neurologia e atuar na área psiquiátrica, atividades que exerce agora na Columbia University. Nessa Universidade, ocupa também recém criado posto de Artista, que lhe permite transitar livremente entre os departamentos, ensinando, conduzindo seminários, atendendo pacientes, etc. Com a publicação de Enxaqueca, em 1970, iniciou uma brilhante carreira de escritor, com uma série de livros que logo se tornaram best-selllers, tais como Tempo de despertar, O homem que confundiu a mulher com um chapéu, Um Antropólogo em Marte, A Ilha dos daltônicos, Com uma perna só, Vendo vozes e Tio Tungstênio, todos editados no Brasil pela Companhia das Letras. Nessas obras, que descrevem histórias de pessoas portadoras de distúrbios neurológicos e perceptivos, Sacks exibe todo o seu fascínio pela criatividade da mente humana ao lidar com suas próprias afecções.

COMO UM RAIO: MUSICOfILIA SÚBITA

Tony Cicória tinha 42 anos, era forte e estava em ótima forma. Jogara futebol americano na Universidade e se tornara cirurgião ortopédico em uma pequena cidade no norte do estado de Nova York. Numa agradável tarde de outono, foi a uma reunião de família, num pavilhão Á beira de um lago. Soprava uma brisa, mas ele notou algums nuvens de tempestade longe. Viria chuva, pensou.

Foi até o telefone público próximo do pavilhão fazer uma rápida ligação para sua mãe (era 1994, antes da voga dos celulares). Tony ainda se recorda de cada segundo do que lhe aconteceu em seguida: ”Eu estava conversando com minha mãe ao telefone. Chuviscava, ouviam-se trovões ao longe. Minha mãe desligou. O telefone estava a uns trinta centímetros de onde eu me encontrava quando fui atingido. Lembro de um clarão de luz sair do aparelho. Pegou-me no rosto. Minha lembrança seguinte é estar voando para trás”.

Então – ele pareceu hesitar antes de me contar isso – “eu estava voando para frente. Atordoado. Olhei em volta. Vi meu corpo no chão. Caramba, estou morto, pensei. Vi pessoas convergindo para o corpo. Vi uma mulher – que tinha estado logo atrás de mim, esperando para usar o telefone – debruçar-se sobre o meu corpo e fazer reanimação cardiorrespiratória. {…} Flutuei para as estrelas. Minha consciência veio comigo; vi meus filhos, tive a percepção de que eles ficariam bem. E então fui envolvido por uma luz branco – azulada… uma sensação intensa de bem-estar e paz. Os melhores e os piores momentos da minha vida passaram velozmente por mim. Nenhuma emoção estava associada a eles… puro pensamento, puro êxtase. Tive a percepção de acelerar, de ser puxado para cima… com velocidade e direção. E justo quando eu dizia a mim mesmo ‘esta é a sensação mais deliciosa que já tive’ – BAM! Eu voltei”.

A polícia chegou. Quiseram chamar uma ambulância, mas Cicoria, delirante recusou. Levaram-no então para casa, e de lá ele telefonou para seu médico, um cardiologista. Este fez o exame e achou que Cicoria teve uma breve parada cardíaca , mas nada encontrou de errado no aspecto clínico do eletrocardiograma. “Desse tipo de coisa a gente sai vivo ou morto”, comentou o cardiologista. E julgou que o Dr. Cicoria não sofreria mais nenhuma consequência do acidente Bizarro. Seus exames neurológicos também não mostraram nada de anormal.

No entanto pouco depois do acidente, Cicoria começou a experimentar um intenso e insaciável desejo de ouvir música de piano. Nada em seu passado poderia explicar isso. A partir daí, o renascido médico passou a aprender música sozinho, além de ouvir  constantemente música dentro de sua cabeça. Passou a dedicar todo o tempo livre à música, participando de concurso e todo tipo de consertos ( tanto que isso lhe custou o casamento: a esposa pediu a separação).

A partir desse primeiro relato clinico, que poderia constar de uma coletânea de contos fantásticos, constrói-se o Alucinações Musicais, marco Definitivo do encontro entre a música e a neurociência. O estudo de casos surpreendentes de pessoas com distúrbios neurológicos ou perceptivos ligados à música reitera a crença do Dr. Sacks em uma medicina que humaniza o paciente e tenta, com a abordagem clínica, integrar as dimensões psicológica, moral e espiritual, tantos das afecções quanto do tratamento.

Continua na Parte II (quarta-feira, 25/07/18).

Fonte bibliográfica e textos:

Sacks, OLIVER,  Alucinações Músicais, Relatos sobre a música e o cérebro, Tradução: Laura Teixeira Motta, 2ª reimpressão; Companhia das Letras, São Paulo – 2007

Comentários: Desiderio Bispo de Melo, graduado e m história e direito, pós graduado em musicoterapia pelo CEPOM – Olga Mettig

 

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