GOVERNOS BAIANOS NO PERÍODO DOS MILITARES

quarta-feira, 8 agosto, 2018

      

       Governo de Luís Viana Filho

      Professor de Direito e de História do Brasil na Universidade Federal da Bahia (afastado para cumprir mandato parlamentar), escritor, acadêmico, biógrafo de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Barão do Rio Branco, político e deputado federal, Luís Viana Filho foi o primeiro governador baiano eleito pela Assembleia Legislativa por via indireta, no período dos governos militares. Fora indicado pelo presidente Castelo Branco.

 

Chegou ao governo com ideias e planos para fazer da educação um polo de desenvolvimento. Por isso mesmo, nomeou para a Secretaria de Educação e Cultura o jovem professor e doutor em ciências políticas pela Universidade de Sorbornne, Luís Augusto Fraga Navarro de Brito, seu ex – auxiliar e depois substituto na chefia de Gabinete da Presidência do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Dedicado exclusivamente aos deveres do seu cargo, em poucos meses Navarro de Brito reorganizou e fez funcionar o caótico sistema educacional baiano, do elementar ao médio, ao normal e ao superior. Em pouco tempo, preparou e colocou em prática os inovadores planos de educação I e II que o credenciam como o terceiro mais importante secretario de Educação da Bahia, na linha que estão Anísio Teixeira e Isaías Alves de Almeida.

Luís Viana Filho: foto Google

Uma preocupação especial do governador Luís Viana Filho foi dotar a Bahia de uma biblioteca pública em condições de atender o povo baiano. Para que existisse, desapropriou uma área no bairro dos Barris e abriu concurso nacional para premiar o melhor projeto arquitetônico. Outra preocupação foi criar condições foi a de criar condições para a exigência de pelo menos uma editora comercial na Bahia. Não conseguindo atrair a Editora José Olympio, do Rio de Janeiro, a qual consultou  sobre a possibilidade de instalar uma sucursal na Bahia, o governador Luís Viana Filho assinou convênios com as editoras baianas Progresso e Itapuã para edições de livros pelo sistema de compras de exemplares à semelhança do procedimento do Instituto Nacional do Livro. Assim foram reeditados, pela Editora Itapuã, clássicos da importância das cartas de Luís dos Santos Vilhena, A Bahia do Século XVIII, com notas e comentários do Historiador Brás do Amaral e do antropólogo Edison de Sousa Carneiro, e Povoamento da Cidade do Salvador, clássico da autoria do mestre da antropologia baiana Thales de Azevedo. Outros livros foram publicados: Presença francesa no movimento democrático baiano de 1798, da autoria da historiadora Kátia M. de Queiroz Mattoso, Feira de Santana, do historiador norte-americano Rollie E. Poppino, e Capoeira Angola, do antropólogo Waldeloir Rêgo. Copiladas e organizadas pelo escritor James Amado, as Obras completas de Gregório de Matos foram editadas pela Editora Janaína em sete volumes.

 

O governo Luís Viana Filho não esqueceu o cinema baiano. Para apoia-lo financeiramente, criou um fundo de captação de recursos, para o qual o escritor e deputado Wilson Lins preparou um plano que não chegou a ser efetivado. Em outras linhas de atenção, o Teatro Castro Alves funcionou com peças e atores baianos e nacionais.

A Universidade de Feira de Santana começou a nascer no governo Luís Viana Filho.

Na área econômica, concluiu e inaugurou o Centro Industrial de Aratu e tudo fez para a construção da Usina Siderúrgica da Bahia-USIBA. Antes de deixar o governo, acertou com o presidente Médici que o Polo Petroquímico da Bahia seria localizado em Camaçari. Em 1968, o país vivia há meses sem atos institucionais e cassações de mandatos parlamentares e até se formara a impressão de que a Constituição de 1967 era suficiente para o governo do presidente Costa e Silva enfrentar manifestações de desagrado ao regime militar. Mas não pensavam assim os civis e militares em postos destacados do governo federal. Eles desejavam uma ditadura. Às três e meia da madrugada de 13 de dezembro de 1968, o governador Luís Viana Filho foi despertado pelo comandante da 6ª RM, general Abdon Sena, que compareceu ao Palácio de Ondina para comunicar a assinatura do Ato Institucional nº 5, poucas horas depois divulgados nos jornais, televisões e rádios.

O AI-5 instalou um cerco de intimidações ao governador Luís Viana Filho e ao seu governo. Seu mandato ficou ameaçado. Apesar de ser mantido, sofreu cortes insanáveis, dos quais o mais profundo, por motivos de identidade pessoal e programático, foi a saída forçada do secretário da Educação, Luís Navarro de Brito, ameaçado pelo general Abdon Sena de ser preso em seu próprio gabinete. Para perda da Bahia, teve de se exonerar. Quase em seguida foi convidado, e aceitou, importante cargo na UNESCO, órgão da ONU sediado em Paris.

Com a edição do AI- 5, a repressão se estendeu e o pais sofreu a mais dura fase dos governos militares.

 

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte VIII, continuação ( publicação no sábado (11/08/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio