GOVERNOS BAIANOS NO PERÍODO DOS MILITARES (parte II)

sábado, 11 agosto, 2018

Governo de Antônio de Antônio Magalhães (1971 – 1975)

 

Sancionada pelo presidente Médici a indicação anteriormente feita pelo presidente  Castelo Branco, o jornalista, médico, político e deputado federal Antônio Carlos Magalhães foi eleito pela Assembleia Legislativa para suceder Luís Viana Filho. Eleito, por via indireta, em 3 de outubro de 1970, tomou posse em 15 de março de 1971.

Nascido em 4 de setembro de 1927, estava entre os seis e sete anos quando seu pai, o médico e professor catedrático da Faculdade de Medicina da Bahia, Francisco Peixoto de Magalhães Neto, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte de 1934 na legenda do Partido Social Democrata (PSD), organizado e liderado pelo interventor federal na Bahia, tenente Juracy Juracy Magalhães. O menino Antônio Carlos assistiu àquele instante alto da construção da democracia brasileira vivendo-o com a admiração que dedicava ao pai e a sedução pela política que o marcou para sempre.

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Decidido a ser político e um dia governar o estado da Bahia, como dizia o adolescente Antônio Carlos, ele fez o seu primeiro treino em 1944, ao se candidatar e ser eleito presidente do Grêmio Estudantil do Ginásio da Bahia, até então proibido pela ditadura estadonovista. Nessa primeira disputa eleitoral revelou a determinação e paixão que o acompanharam na política estudantil nos primeiros anos da Faculdade de Medicina. Destinando-se, porém, à política, pouco esteve no movimento estudantil, antes preferindo uma experiência jornalística no Diário de Noticias, na ocasião dirigido pelo jornalista e poeta Odorico Tavares.

Em 1954, inaugurou-se na política baiana como deputado estadual pela UDN, na campanha que elegeu o politico pessedista Antônio Balbino de Carvalho Filho para o governo do estado, com o apoio decisivo de Juracy Magalhães para governador da Bahia. Reelegeu-se em 1962 2 1966.

Pode-se escrever que Antônio Carlos Magalhães foi um político que escapa do padrão tradicional do politico baiano, quase sempre identificado como uma pessoa educada, elegante nas maneiras e no trato, mas enganador e distante. Estudiosos da política baiana o identificam com os de outro padrão, de personalidade forte, determinados e participantes nos conflitos e inimizades, nos exemplos do conselheiro luís Viana, Severino Vieira, J.J. Seabra e Juracy Magalhaes. Antônio Carlos Magalhães seria diferente deles no senso político ao combinar paixão com pragmatismo. São exemplos o seu comportamento em conhecidos incidentes pessoais com militares da alta patente e lideres políticos baianos no decurso de sua vida de político e dos seus governos.

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foto: Google

Empossado governador, com o país submetido a um regime ditatorial, prisões e torturas, dedicou-se a administração do estado. Abriu novos espaços para a cidade do Salvador. Construiu a Avenida Luís Viana Filho (Paralela) e o Centro Administrativo da Bahia (CAB), para o qual foi transferindo as secretarias do Estado e o gabinete do governador. Convidou artistas plásticos baianos para embelezá-lo. Também esteve atento ao crescimento do Centro Industrial de Aratu e ampliou as negociações com o governo federal e empresários para a construção do Polo Petroquímico de Camaçari. Jamais deixando de ser político, coordenou e consolidou sua liderança nas bases politicas da capital e do interior do estado.

No último ano do seu governo, que correspondeu à passagem do Governo Médici para o general Geisel, este com o projeto de redemocratizar o pais, Antônio Carlos Magalhães desejou para seu sucessor o advogado e pastor da igreja Batista, Clériston Andrade, seu auxiliar mais próximo na prefeitura da cidade do Salvador. Tinha como segunda opção o presidente do Banco do Estado da Bahia (BANEB), Luís Sande. Não conseguiu que os seus indicados fossem aceitos pelos ex-governadores Juracy Magalhaes, Luís Viana Filho e Antônio Lomanto Junior e pela ditadura militar. Eles preferiram apoiar o médico, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Bahia, ex-reitor da UFBA e presidente do Conselho Federal de Educação, Roberto Figueiras Santos, que não era político.

O presidente Ernesto Geisel nomeou o ex-governador Antonio Carlos Magalhaes presidente da Eletrobrás, cargo que ele exerceu com eficiência e lhe permitiu influir nas decisões que conduziram à construção do Polo Petroquímico de Camaçari.

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foto: Google

No próximo episodio: governo de Roberto Santos

 

Fonte bibliográfica

Luís Henrique Dias Tavares, em Histórias da Bahia, salvador: editora UNESP, 2006.

Não deixe de ler a Parte VIII, continuação ( publicação no sábado (11/08/2018). Aqui no Blog do Prof. Desiderio