O POVOAMENTO DE SALVADOR (Parte final)

sábado, 29 setembro, 2018

 

FREIRAS E PADRES

   

Muito se falou, em todo o período colonial, contra ida de moças brasileiras para ingressar em conventos de religiosas em Portugal. O fato era frequente e correspondia a um costume português, por meio do qual procuravam os pais evitar os casamentos que não julgavam compatíveis com a sua nobreza, a sua posição econômica ou as suas exigências morais. Nos conventos trancavam-se também as moças desviadas, como aquela de quem houve uma filha o famoso D. Francisco Manoel de Melo, autor do Fidalgo-Aprendiz, as mulheres de quem os maridos ciumavam ou das quais se queriam ver livres para se juntar as amantes de sua predileção.

E com aquilo cria-se que faltavam moças para casar. Indignado com esse estado de coisas, o conde dos Arcos, numa carta ao conde de Galvêas, externava-se cruamente dizendo que a Bahia era uma “terra de hotentotes” porque os pais ricos metiam as filhas de tenra idade nos conventos “com o pretexto de falta de casas de educação, mas com o fim delas não se casarem com os oficiais da guarnição”. O ultimo por sua vez, reclamava ao rei, em 1739, que em quatro anos de seu governo não houvera na Bahia mais de dois casamentos de gente de representação porque as moças ricas e nobres iam todas para o convento. A fundação, na Bahia, em 1677, do mosteiro de S. Clara do Desterro, só veio contribuir para piorar a situação na maneira de ver dos adversários daquele costume. A comunidade deveria constituir-se inicialmente com 50 religiosas de véu preto e 25 de véu branco encarregadas do trabalho material, numero que não se pôde logo preencher porque, segundo justificavam o governador e o arcebispo, não havia ainda renda suficiente para manter o convento com a comunidade completa. Em 1684 os oficiais do Senado da Câmara disputavam, junto ao rei, a preferência dos lugares de noviças para as filhas. Anos depois pleiteavam o aumento de 50 lugares de véu preto para 75, a custa da supressão dos 25 de véu branco que não interessavam a nenhuma candidata, dada a sua inferior categoria; não conseguindo deferimento, em 95 pediam a criação de mais 30 religiosas da categoria mais alta para as filhas dos nobres e ricos que serviam de juízes e vereadores. O pedido foi atendido em parte, vindo de Lisboa as designações para as filhas do juiz ordinário Francisco de Brito Sampaio, netas do mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, para as filhas de Diogo Nunes Barreto, Luis de Melo, Manoel Oliveira Pôrto, dos vereadores Antônio Fernandes Lima e José Teles de Menezes e do escrivão do Senado.

Nem assim eram satisfeitas todas pretendentes. Preocupado com a ida de várias destas para Portugal, o vice – rei D. João de Lencastro escrevia ao rei propondo se proibisse essa emigração. Em novembro o soberano, D. Pedro II, respondia-lhe desaprovando a sugestão, “inadmissível por muitas razões e inconveniente”. As reclamações, com o atrás se viu, continuaram pelo século seguinte, insistindo os adeptos da proibição em alcança-las das autoridades reinóis. Afinal, em 1755, o arcebispo D. José Botelho de Matos liquidou o assunto com a explicação ao Secretario de Estado de Estado, Diogo de Mendonça Côrte Real, escrevendo-lhe:

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Foto do google.

“Bem sei que há pessoas que ajuízam por muitas as freiras, que há nesta cidade, mas seguro a Vossa Ex. que este juízo não tem outro fundamento mais que o desabafarem alguns pretendentes por meio dele as paixões que concebem de certos pais não quererem dar suas filhas em matrimônio; e esta mágoa os terá obrigado a darem conta a S. M. pretextando talvez que 4 conventos de freiras, que há nesta cidade, são prejudiciais à propagação humana e à conservação do negócio. . .

“Nos 4 conventos, que há nesta cidade e seu arcebispado, não chegam a haver 200 freiras numerárias, pois com estas, que na forma do Breve peço a Soledade e Coração de Jesus, e com mais 13, que há tempos estou pedindo para o convento da Lapa, perfazem todas o número de 208 até 213, e dando a umas por outras 40 anos de vida depois de professas, virão a faltar em cada ano, um por outro, cinco freiras; e havendo nesta cidade e arcebispado tantas almas, como fica dito, não posso deixar de ajuizar por arrojo, mais que temerário, a conta que se deu a S. M. de que fariam falta 5 mulheres, que em cada ano tomam estado religioso e se desposam com Cristo, para a procriação humana”.

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Catequisação do indigenas: foto do Google

Dos padres se fizeram também muitas queixas, a começar pelo número dos mesmos. Dos abusos e vícios de que são acusados, forçoso é reconhecer que os queixosos não raro tinham sobrados motivos. Mas o Pe. Nóbrega cedo explicou uma coisa que havia de ser verdadeira por muitos e muitos anos: é que de Portugal nos vinha a escória do que lá havia em matéria de sacerdotes, – uns suspensos de ordens, outros rebeldes e insubmissos, que viviam fora de sujeição ao bispo, que nem se sujeitavam, padres e religiosos, a viver nos lugares que se designavam, muito menos nos conventos. O ambiente sexual da colônia, por seu lado, não favorecia a perseverança dos mais fracos, sobretudo quando se dispersavam pelas enormes distâncias entre as freguesias do sertão, fora da vigilância dos bispos e sem ter colega com quem se confessasse.. Não se depreenda daí que fosse geral esse descalabro, nem que corresse em facilidade a vida do padre. Os ordenados, além da sua tenuidade, eram frequentes vezes reduzidos pelas autoridades da metrópole; “ os excessivos longe da maior parte das freguesias do interior do país, em que há fregueses na distância de vinte, trinta e mais léguas”, obrigavam os párocos a demoradas viagens arriscadas e a outros grandes sacrifícios e esforços. Preparados de modo precário, sem a frequentação de estabelecimentos de formação apropriados, que somente no século XVIII, se estabeleceram precariamente a ponto de Diogo Feijó se ter ordenado sem nunca seguir curso regular, era natural que no clero houvesse gente com graves defeitos. Para substituir os jesuítas, ao extinguir-se a ordem benemérita, o marquês de Pombal fez ordenar e seguir para o Brasil padres preparados às pressas, em coisa de seis meses, recrutando sujeitos imbuídos de regalismo e por certo mais preocupados com a política e com o emprego do que com a religião. Havia também os que pediam ordens para fugir do serviço militar, ou que simplesmente eram destinados a ser padres por uma resolução do país, até por era quase o único modo de alcançar melhor instrução. “Isso explica o grande número de padres e frades do Brasil patriarcal sem que na realidade mostrassem todos eles vocação para essa carreira. Trata-se aí, explica judiciosamente o autor de Interpretação do Brasil, de uma situação pela qual não seria justo responsabilizar principalmente a Igreja, que aceitaria tais sacerdotes voluntários para conservar um clero formado por filhos da aristocracia territorial ou escravocrata. O sistema de monocultura latifundiária e patriarcal que dominou o Brasil até quase nossos dias é que parece ter sido o responsável principal por esses alianças entre as grandes famílias patriarcais e o altar.

A Igreja, que tanto fez pela civilização e formação moral do nosso povo, aceitando lutas com os governantes para reprimir os desregramentos e desmandos dos colonos que caracterizaram larga parte da nossa era colonial, empreendendo com grandes dificuldades o penoso trabalho de educação e evangelização dos silvícolas, dos pretos e dos próprios colonos, exercendo o seu ministério na assistência religiosa do povo nas mais distantes regiões do país, participando, com mártires e heróis, das lutas políticas, teve sempre o senso das proporções de certos problemas. Foi esse senso que lhe permitiu vencer, sem inúteis perturbações, males da gravidade desse das mancebias, dos adultérios, da indisciplina de elementos do clero, vitimas de uma multiplicidade de influências que as medidas isoladas do poder eclesiástico não teriam removido sem a paciência e a largueza de visão dos prelados portugueses e brasileiros.

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Seminário: foto do google

Bibliografia

AZEVEDO, Thales de, O Povoamento da Cidade do Salvador, Thales de Azevedo, Editora Itapuã, Bahia, 1969.


Partidos repassam menos de 30% de fundo a mulheres

sexta-feira, 28 setembro, 2018

Jornal do Brasil

Vinte de 34 partidos que disputam as eleições e usam recursos do fundo eleitoral repassaram até agora menos de um terço da verba para candidaturas de mulheres que lideram suas campanhas. O cálculo, que tem como base as prestações de contas feitas pelos candidatos à Justiça Eleitoral, não considera os repasses para as vices e as suplentes de senador, que estão sendo levados em conta pelos partidos para cumprir a cota de 30% de financiamento das candidaturas femininas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determina como as siglas devem distribuir sua cota entre os candidatos, mas especialistas consideram a inclusão de vices e suplentes como uma “manobra” para alcançar o porcentual obrigatório.

PDT e PSDB foram as siglas que, proporcionalmente, menos repassaram para candidaturas “cabeças de chapa” – deputadas federais, estaduais, distritais e senadoras.

A menos de duas semanas para a eleição, candidatas tucanas receberam 18% dos R$ 162 milhões distribuídos pela sigla e as pedetistas ficaram com 9% de R$ 50 milhões.

O cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael acredita que a regra de repasses poderia ser revista. “Acho que o recurso deveria ser obedecido com relação às eleições legislativas”, disse.

Para a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos, a discussão sobre a cota feminina chega a ser ultrapassada. “Não adianta ter só cota”, afirmou. Segundo a professora, em outros países há a definição de um porcentual de “cadeiras” nos legislativos para determinados grupos da sociedade, o que incita os partidos a incentivaram a diversidade em suas campanhas eleitorais.

Uma das idealizadoras da plataforma Appartidarias 2.0, elaborada pelo Grupo Mulheres do Brasil, Lígia Pinto também acredita que as regras de repasse de fundos para mulheres precisam ser revistas.

O projeto de Lígia, lançado na internet no começo desta semana, mostra o grau de cumprimento das siglas e coligações das cotas de 30% exigidas tanto para candidaturas femininas quanto para repasse de recursos do fundo partidário às suas campanhas. “Vimos que há muitas mulheres com boas plataformas e sem repasses.”

Siglas

Entre as declarações de contas dos candidatos até o momento, no PDT de Ciro Gomes, R$ 4,6 milhões foram para candidatas mulheres que não são vices nem suplentes. O valor é inferior aos R$ 7,5 milhões que o partido enviou para Kátia Abreu, vice na chapa de Ciro. Este valor é contabilizado pela sigla para fins de cumprimento da cota feminina.

No PSDB, os repasses em geral declarados ao TSE já somam R$ 162 milhões, quase o total do valor ao qual o partido tem direito, de R$ 185 milhões. Destes, 18% (R$ 29,16 milhões) foram para as contas de mulheres “cabeças de chapa” e mais R$ 1,5 milhão para a campanha de Ana Amélia (PP-RS), vice na chapa de Geraldo Alckmin. Embora de outro partido, o valor entra na despesa do PSDB e também pode ser computado como repasse para candidatura feminina.

Procurado, o PSDB afirmou ter depositado R$ 55 milhões (referentes aos 30% da cota feminina) na conta do PSDB Mulher. O partido informa que R$ 39,4 milhões já foram transferidos para candidatas e que o restante será feito no decorrer da campanha. O PDT afirmou que está cumprindo a cota e ressaltou o repasse para Kátia Abreu.

Sem representação

Na véspera do protesto “Mulheres contra Bolsonaro”, marcado para sábado em várias cidades do País, as quatro candidatas a vice-presidente se reunirão para um debate sobre a participação feminina na política no qual serão apresentados os resultados de uma pesquisa sobre o tema.

O evento ocorre no momento que as senadoras Ana Amélia (PP) e Kátia Abreu (PDT), a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) e a líder indígena Sônia Guajajara (PSOL) intensificam a campanha contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que é criticado por declarações machistas e misóginas.

Segundo os dados do Instituto Locomotiva, que fez a pesquisa e organizou o debate, 94% das mulheres não se sentem representadas pelos políticos, enquanto 72% afirmam se interessar em algum grau por política.

Temas

O estudo também mostra que 43% das trabalhadoras brasileiras dizem que já sofreram algum tipo de preconceito ou violência no trabalho e apresenta dados sobre a distorção de salários entre e homens e mulheres.

O tema ganhou destaque na campanha após as pesquisas indicarem forte resistência do eleitorado feminino contra Bolsonaro. Na mais recente pesquisa CNI/Ibope, o índice de rejeição ao deputado do PSL chegou a 50% entre as mulheres.

O Ibope também mostrou que 11% do eleitorado feminino está indeciso e 14% deve votar branco e nulo – ante 4% e 9% dos homens, respectivamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Começam as traições

quarta-feira, 26 setembro, 2018

Um santinho distribuído ontem por panfleteiros da campanha do deputado Altineu Côrtes à reeleição resume a barafunda que virou esta eleição. Altineu é do PR, que faz parte do Centrão, que apóia Alckmin. Mas o santinho pede votos para Ciro Gomes presidente e, para o senado, na dobradinha Cesar Maia (DEM) e Lindberg Farias (PT). As traições de aliança às vésperas da eleição não são nenhuma novidade mas chamaram atenção este ano com a revelação de que o PT está bancando metade da campanha de Clarissa Garotinho à reeleição. “Todo santo dia nossa candidata posta em nossos grupos de whatsapp algum material bizarro como esse pedindo punições e comissão de ética”, desabafa o presidente municipal do PT, Bob Calazans. “O problema é que nunca vi ninguém do PT ser expulso. Ainda mais por isso. Até a saída do PSTU foi negociada”. Bob conta que espera para os próximos dias mais uma nova chuva de panfletos e santinhos com o que ele chama de “dobradinhas bizarras”. Ao fim da conversa com a coluna, mais uma delas chamou atenção: um carro com um imenso adesivo no vidro traseiro da dobrada Celso Pansera (PT) e Aguinaldo Barros (Podemos).

‘Strani Amori’
Se o PT dar dinheiro pra Clarissa Garotinho já é esquisito, o que dizer da relação entre o DEM e o deputado estadual Thiago Pampolha, do PDT. A direção nacional dos Democratas contribuiu com R$ 250 mil para a campanha dele. É cinco vezes mais que o próprio partido aplicou na candidatura.

‘Strani Amori’ 2
Lindberg Farias garante que não tem nada a ver com a decisão do PT nacional de doar R$ 700 mil para Clarissa Garotinho. “Isso faz parte de um acordo nacional do PT com o PROS”, afirma o senador. Ele explica que pelo acordo de apoio a Haddad o PT se comprometeu a ajudar 15 candidatos do PROS.

Deu Ibope
Tem vírus novo na praça. O link transmitido pelo zap e seguido de um texto explicando que o usuário foi selecionado para a próxima pesquisa do Ibope. Prontamente, começou o boato de que o link era uma trama de candidato x ou y para engordar sua porcentagem. Que nada! Trata-se apenas de mais um vírus como outro qualquer, em um período em que qualquer coisa sobre eleições gera cliques

Não devo e não pago
A Light foi mais uma vez condenada pelo TJ do Rio por continuar exigindo que novos proprietários de imóveis arquem com as dívidas dos antigos, sob pena de não conseguirem fazer a transferência de titularidade. Mesmo já tendo sido condenada, a empresa de energia continua fazendo tais cobranças. A Light responde por mais de 25% da demanda mensal dos Juizados Especiais e se estima que casos de mudança de titularidade negados em razão de débito do antigo morador representem cerca de 20% do número de processos mensais contra a empresa.

Não corra, papai 1
Só em 2017 foram registradas 41 mil mortes e 42 mil casos de invalidez permanente no país devido a acidentes de trânsito. Essa quase epidemia, entretanto, tem passado batido nas propostas dos candidatos majoritários. Preocupada, a Escola Nacional de Seguros enviou carta assinada pelo presidente Robert Bittar onde enfatiza os aspectos econômicos do problema.

Não corra, papai 2
Segundo Robert, cálculos do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), indicam que a violência no trânsito provoca uma perda de capital humano equivalente a R$ 199 bilhões. Esse total corresponde a 3% do PIB, considerando o que as vítimas de acidentes deixam de produzir.

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LANCE LIVRE

O Engenhão será sede hoje da final dos Jogos Estudantis 2018 da Rede Municipal de Ensino, com 1600 atletas de 7 à 15 anos. Dr. Victor Roisman e Dr. Gustavo Bonfadini, sócio do IORJ e diretor do Banco de Olhos do Estado do Rio de Janeiro farão palestra sobre transplante de córnea, sexta-feira no Hospital São Francisco na Providência de Deus.


Ciro Gomes passa mal e é internado às pressas em hospital

terça-feira, 25 setembro, 2018

Raquel Souza

 

Ciro Gomes, candidato do PDT (Foto:Márcia Foletto / Agência O Globo)
Ciro Gomes, candidato do PDT (Foto:Márcia Foletto / Agência O Globo)

Candidato à Presidência do PDT, Ciro Gomes acabou dando entrada na tarde desta terça-feira, 25 de setembro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sentir um desconforto na região da bexiga.

 

Por conta do ocorrido, o candidato foi submetido a um exame de tomografia com contraste e deve permanecer no hospital por mais algumas horas. É o que informa o jornal O Globo.

Até o momento, a previsão é a de que Ciro seja liberado para ir para casa ainda nesta terça. Ciro Gomes fez agenda na manhã desta terça-feira na Baixada Fluminense e depois viajou para São Paulo.

Vale lembrar que amanhã, 25 de setembro, tanto Ciro, quanto os outros principais candidatos, vai participar do debate presidencial que será promovido pelo jornal “Folha de S.Paulo”, pelo SBT e pelo “UOL”.

Candidato do PDT (Foto:Márcia Foletto / Agência O Globo)

Mais cedo, depois de ver ampliada de oito para 11 pontos percentuais sua desvantagem em relação ao petista Fernando Haddad, que está em segundo lugar, na última pesquisa Ibope, o candidato disse apostar nos três debates de TV que estão marcados até o dia da votação, e no alto índice de mulheres indecisas para ir ao segundo turno da eleição.

FAMOSOS VÃO DE CIRO NAS ELEIÇÕES 2018

Em breve nós brasileiros e brasileiras iremos as urnas para votar e eleger nessas eleições de 2018 nossos próximos políticos. Neste especial elaborado pelo TV Focomostraremos quem são os famosos que apoiam o Ciro Gomes do PDT.

 

O candidato atualmente possuem 13% das intenções de voto segundo o DataFolha. Além disso, ele vem ganhando alta repercussão nas redes sociais. Ciro Gomes é um político controverso, assim como muitos por aí, ele é adorado por uns por sua forma de se expressar e por suas propostas e também é rejeitado por outros que acreditam que ele seja explosivo e repressivo. De qualquer maneira, muitos famosos deixaram o medo de lado e já se manifestaram em prol de Ciro. Confira só:

CAETANO VELOSO

A HERANÇA DE TRUMP

terça-feira, 25 setembro, 2018
Jornal do BrasilJOSÉ VICENTE DE SÁ PIMENTEL*

Desde o fim da II Grande Guerra, os Estados Unidos são a supernação dominante. Há sete décadas exportam não apenas bens e serviços, mas também estilo de vida e um modelo político que se refletem numa ordem mundial erguida sobre a norma da legitimidade. Quando o presidente do país que vinha sendo promotor, defensor e principal beneficiário dessa norma passa a contestá-la, as turbulências no sistema tornam-se inevitáveis e potencialmente nocivas para todos os seus integrantes.
Quem quiser se aprofundar nas questões de poder e ética entre as nações deve ler a obra magistral de Gelson Fonseca Jr. intitulada “A legitimidade e outras questões internacionais”. Aqui, basta lembrar que, com o sistema da ONU, o recurso à guerra, recorrente no início do século 20, passou a ser considerado ilegal, e os países membros adotaram regras, que julgaram de seu interesse obedecer. As negociações passaram a ser a tônica e os Estados abriram mão de parcelas de sua soberania por perceberem ganhos concretos na convergência regulamentada das vontades nacionais. Apesar das falhas da ONU, de 1945 para cá não houve guerras mundiais e o mundo conheceu décadas de prosperidade.
Com a queda do muro de Berlim e o fim da URSS, parecia que o modelo americano e o sistema constituído pelas Nações Unidas, suas agências e a União Europeia, havia triunfado. No entanto, em vez do fim da história vieram a surpresa do Brexit e do fortalecimento de partidos autoritários na França, Alemanha, Dinamarca, Holanda, Áustria, Suíça, Hungria, Polônia, uma lista cada vez mais longa.
A reversão de expectativas e a decorrente frustração americana têm raízes na evolução da economia, e esta na revolução tecnológica. Enquanto o 1% mais rico da população americana detinha menos de 8% do PIB em 1970, hoje detém 20%, e os 10% mais ricos valem 50% da renda total. Por sua vez, ajustados pela inflação, os salários permanecem iguais há quase 30 anos. Ou seja, a automação não vem gerando números expressivos de bons empregos, mas cria alguns poucos extremamente bem remunerados, o que aumenta a desigualdade e o mal-estar social.
O desgaste econômico tem reflexos também na aliança de países ocidentais, espinha dorsal da estabilidade político-diplomática, que está se desgastando. Os membros da coalizão contra a URSS comandavam grande parte do PIB global. Hoje, sua parcela caiu a menos da metade e, segundo projeção do FMI, em mais uma década cairá para um terço da renda mundial. Enquanto isso, a participação de países como China, Arábia Saudita e outros do Golfo vem crescendo. Irã, Casaquistão e Rússia ostentam rendas per capita superiores a US$ 20 mil. O modelo do capitalismo autoritário ganha prestígio, em detrimento das democracias liberais.
O que agrava a situação é o impacto da revolução tecnológica nos empregos. Jovens à margem do mercado de trabalho, junto com experientes trabalhadores ameaçados por tecnologias que não dominam, revoltam-se diante de problemas cuja origem não compreendem e cujas soluções simplesmente não existem ainda. A frustração leva à rejeição dos políticos tradicionais e à preferência por candidatos ignorantes, mas com pose de fortes e discurso radical contra o comércio exterior, contra a globalização, contra a imigração, contra as elites, contra tudo que está aí, inclusive a norma da legitimidade, que garantia a estabilidade do sistema.
Trump é um efeito desse estado de coisas. Quando se insurge contra concorrentes comerciais, parceiros na lógica capitalista; contra defensores do meio ambiente e das tecnologias inovadoras, sustentáveis e de grande potencial econômico; contra imigrantes, imputando-lhes culpas apriorísticas pelo tráfico de drogas e o terrorismo e descuidando do estímulo que sempre trouxeram ao setor produtivo, e contra direitos humanos, escanteados por serem de esquerda, ele apenas bajula o “verdadeiro americano”, o homem branco esquecido pelas políticas identitárias. Quando tuíta absurdos evidentes, seus seguidores não o contestam, porque não são guiados pela reflexão nem por uma ideologia, e sim por uma espécie de culto. Ou, por outra, selecionam as informações em função de sentimentos, dos quais o mais forte é o medo de serem excluídos, o medo, no dizer de Manuel Castells, de que se desmantelem as últimas defesas da tribo ante a invasão do desconhecido.
Mas a História demonstra que essas políticas não levam a bom termo. O retrospecto da economia mundial nos últimos 100 anos comprova que guerras comerciais não aumentam o número de empregos, muito ao contrário, desnorteiam o setor produtivo e travam a produtividade. E o problema não está no comércio. A verdade é que, entre 2000 e 2010, mais de 85% dos empregos em manufaturas nos EUA foram eliminados em decorrência de avanços tecnológicos.
Por outro lado, fustigar a China, que bem ou mal vinha balizando seu crescimento pelas regras do status quo; agastar-se com a Otan, cujo êxito na manutenção da paz no continente europeu tem sido essencial para a pax americana, e cortejar líderes autoritários com acesso a arsenais nucleares e sem controle psiquiátrico, tudo isso só gera perplexidade e pode levar ao descrédito a norma da legitimidade, que mantém o sistema global estável e sem guerras mundiais desde 1945. A América esteve em primeiro lugar durante todo esse tempo, dada a sua prosperidade e o seu código de conduta democrática. Alterar os fundamentos do sistema é cortejar o risco. Este seria o pior legado de Trump, aquele que, dado a capacidade de irradiação americana, poderia impelir o mundo a rejeitar a ordem e a conviver com o caos.
Trump et caterva ampliam o stress derivado das incertezas da transição que vivemos e viveremos até saber aonde vamos. A fase é complicada, mas não inédita. Em recente artigo, Walter Russell Mead demonstrava que um dos aspectos mais marcantes da revolução industrial foi a transformação que houve, na passagem do século 18 para o 19, no modo que as pessoas viviam e trabalhavam. Ora, a revolução da informação promete ser mais transformadora ainda. Sob o impacto das inovações tecnológicas, muitas atividades desaparecerão, mesmo algumas hoje exercidas por profissionais de alta qualificação. Há uma clara tendência para um aumento exponencial de pequenos empreendedores, e o poder do Estado será inevitavelmente afetado. Governos precisarão ser muito mais ágeis na interação com o público, para atender às reais demandas e superar os antagonismos que a crescente transparência tende a criar.
Mas a lição mais importante é a de que a humanidade sempre soube transpor os obstáculos e reinventar-se. Sem messianismo, e com determinação, dizem os cientistas que poderemos atingir uma nova era de riqueza, liberdade e bem-estar inimagináveis, em que a inteligência artificial simplificará o cotidiano, os transportes e as comunicações serão muito mais rápidos e seguros, e a medicina se beneficiará de uma redução de custos, com aumento de qualidade dos tratamentos.
Esse mundo admirável precisará de água em abundância, mares e rios limpos, atmosfera respirável, um meio ambiente, enfim, em equilíbrio. A revolução das comunicações e dos transportes ampliará a liberdade dos meios de produção e assegurará ampla mobilidade também à mão de obra. O turismo crescerá a níveis nunca vistos e o comércio se universalizará, cada consumidor buscando supridores onde quer que estejam seus produtos preferidos. A comunidade internacional, cada vez mais interconectada, reconfirmará a necessidade imperiosa de respeito a regras pactuadas, a obediência às quais será imprescindível, dadas as vantagens econômicas e sociais, além de políticas, da boa convivência.
É altamente discutível que políticos como Trump possam conduzir-nos a esses tempos felizes. Já ficará de bom tamanho se não levarem o mundo a catástrofes. A rigor, a marca mais positiva que Trump poderá deixar, a contribuição mais proveitosa que governantes com seu pedigree poderão dar ao século 21 será a conscientização geral de que suas atitudes desagregadoras e improdutivas não podem prevalecer num mundo evoluído e, por isso mesmo, amante da paz.

* Ex-embaixador do Brasil na Índia e África do Sul


O POVOAMENTO DE SALVADOR (parte V)

sábado, 22 setembro, 2018

Tribunal do Santo Ofício na Bahia, Judeus e cristãos-novos

As famílias estavam tão entrelaçadas que a maioria das questões se resolviam por composição entre as partes e em virtude do mútuo parentesco. Parentesco, esse em que se misturava, pelo que verificou a inquisição nas suas duas visitas à Bahia, muito sangue de judeu com sangue de índio e de cristão branco.

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foto google

É possível que os judeus tivessem começado a vir para o Brasil muito pouco depois da descoberta. Rodolfo Garcia aventa a hipótese de que tenham sido judeus com Fernão de Loronha, ou por esse trazidos, o Caramuru, João Ramalho, Francisco Chaves, o misterioso bacharel de cananeia, um castelhano que vivia no Rio Grande do Norte, entre os potiguaras, com o beiço furado, e alguns outros como os primeiros físicos ou selorgiões que vieram para a Bahia, – Jorge Fernandes, Afonso Mendes, Talvez Valadares. Entre a instauração do Tribunal do Santo Ofício em Portugal em 1547 e a proibição da emigração de judeus, para as colônias em 67, muitos israelitas devem ter vindo para a América portuguesa depois de terem estado algum tempo em Holanda, para onde haviam emigrado. Depois de 1577, quando aquela proibição foi suspensa, e particularmente após o domínio espanhol sobre Portugal, vinham diretamente ao Brasil, disfarçando o seu judaísmo como cristãos-novos ou conservando discretamente a fé mosaica que cultuavam numa sinagoga em Matoin ou na intimidade dos seus lares. A visitação do Santo Ofício no Brasil ao Brasil tinha muito em vista a desconfiança que o governo espanhol faziam aos judeus, suspeitos, como se veio a confirmar e os próprios holandeses admitiam, de cumplicidade com os invasores flamengos. Não que todos fossem capazes disso, mais uns 200 de origem ou proveniência holandesa passaram-se para os atacantes quando estes ocuparam a cidade em 1624. E estes diziam, no relatório dum espião mandado à Bahia por ocasião da ocupação de Pernambuco, que não era difícil dominar a cidade do Salvador uma vez que a população, além de muitos degredados, tinha uma porção de índios que lhes dariam ajuda por ódio aos espanhóis. Durante todo o período colonial foi de judeus a maioria do comércio baiano, em particular o negocio de financiamento e exportação do açúcar. Com a ameaça da vinda do inquisitor em 91, muitos se prepararam para a fuga, que quase não se verificou pela dificuldade de apurar, de um momento para outro, todos os seus haveres, pela escassez de transportes e confiança na benevolência das autoridades civis e eclesiásticas. Apenas alguns partiram para a África e para outras conquistas da América do Sul. Muitos poucos devem ter fugido pois que, dez anos depois, Pyrard del Laval admirava-se do grande número de cristão novos da Bahia; dizia-se na ocasião que o rei de Espanha queria estabelecer a inquisição novamente e, ao que parece, em caráter permanente no Brasil, com o que viviam amedrontados os israelitas. Afinal em 1618, com a nomeação da 2.ª missão apostólica, fugiram mais alguns para a Holanda, o Rio da Prata e as Antilhas, onde, com seus escravos, seus capitais e seus conhecimentos, introduziram a indústria do açúcar. Já adaptados à vida baiana pelo seu passado de contato multissecular com a civilização ibérica, da qual haviam incorporado muitos elementos, e especialmente a língua, esses sefardins nunca deixariam de contribuir para a vida econômica e a formação demográfica da Bahia. Em 1696 os baianos eram asseados, corteses e sérios, na opinião de um visitante francês, sendo muito afeiçoado ao comércio “e geralmente da raça judia”; quando alguém desejava ordenar um filho, precisava provar o cristianismo dos seus antepassados, exigência ditada pelo receio da infiltração da judiaria na Igreja. Essa, medida as Constituições do Arcebispado, de 1707, ainda mandavam cumprir, mas nunca foram observadas com rigor: os processos de vita et moribus, existentes no arquivo eclesiástico da Bahia, dos fins do século XVIII em diante conservam essas perguntas, porque se faziam por meio de folhas impressas que se remetiam aos vigários, mas quase sempre riscadas como para não ser preenchidas. A legislação portuguesa de 1773 também abolira as distinções entre cristãos velhos e novos. Assim, a vida dos judeus, que continuaram numerosos na Bahia, não oferecia os mesmos motivos de sobressalto, até porque, muito mais assimiláveis do que se crê ordinariamente, os antigos israelitas completavam o seu processo de aculturação, cristianizando-se não mais para se dissimular aos olhos dos inquisidores e das autoridades reinós, particularmente intolerantes no período da dominação espanhola, mas por força mesmo convívio e dos laços de família na sociedade brasileira, pela qual foram inteiramente assimilados.

 

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Senta Pua: foto google

 

 

Bibliografia

AZEVEDO, Thales de, O Povoamento da Cidade do Salvador, Thales de Azevedo, Editora Itapuã, Bahia, 1969.

Veja no próximo, Parte final,  sábado 29/09/2018.

 


BAHIA: CIRO GOMES VISITA HOJE MERCADO MODELO DE SALVADOR

sábado, 22 setembro, 2018

O presidenciavel Ciro Gomes, PDT, visita a cidade do Salvador  neste sábado com parada no mercado Modelo e ato de campanha na Praça Municipal. Na breve visita, Ciro terá um encontro com a militancia do partido e simpatizantes da sua candidatura. O candidato que tem 9%  da preferencia dos baianos, segundo o Data Folha,  tem viés de crescimento podendo dobrar seu eleitorado. Para o presidente do PDT de Salvador Aldo Queiroz o trabalho aguerrido dos militantes e boa aceitação de Ciro, que é de longe o melhor candidato nestas eleições,garantirá a presença de Ciro no segundo Turno.

militantes receberão Ciro no Mercado Modelo

Agenda de Ciro em Salvador:

Mercado Modelo: 14:30

Praça Municipal: 15:30

Da redaçã

Professor Desiderio