Jânio Quadros, o primeiro “mito” da República (Parte I)

quarta-feira, 3 outubro, 2018

 

A partir de hoje e sábado o blog do Prof. Desiderio relata a história do fenômeno político eleitoral Jânio da Silva quadros (1917-1992). Como foi a eleição,de 1960 para presidente da República, a falta de candidato competitivo dos partidos conservadores e a incapacidade de construção de unidade dos setores progressistas em torno de uma candidatura. Embora Jânio fosse místico, o fenômeno pode muito bem ser explicado pela ciência política e pela história. Para isso, recorremos ao trabalho de pesquisa do historiador Boris Fausto, da sua obra História do Brasil. A narrativa será contada em dois episódios. Boa leitura.

 

A SUCESSÂO PRESIDENCIAL (1960)

O entusiasmo não alcançava entre tanto a grande massa, como a eleição marcada para 3 de outubro de 1960 iria deixar patente. Já no curso de 1959, surgiram as candidaturas. Após ter sido eleito governador de São Paulo, Jânio Quadros era lançado em abril por um pequeno partido – o PTN -,  com o apoio de Lacerda. Ademar saiu pelo PSP, animado pelos bons resultados da eleição de 1955. O PSD e o PTB uniram-se mais uma vez, em torno da candidatura do general Lott, tendo João Goulart como candidato a vice-presidente.

A UDN hesitava entre o lançamento de uma candidatura própria e o apoio a Jânio. Jânio corria em faixa própria, criticando a corrupção do governo e a desordem financeira. Sem ter um programa definido e desprezando os partidos políticos, atraia o povo com sua figura popularesca e ameaçadora que prometia castigo implacável aos beneficiários de negociatas e de qualquer tipo de corrupção. Ele estava longe do figurino bem-comportado da UDN, mas ao mesmo tempo incorporava a seu modo algo do discurso udenista. Representava, sobretudo, uma grande oportunidade de o partido chegar afinal ao poder, embora por um atalho desconhecido. Na convenção realizada pela UDN em novembro de 1959, o apoio a Jânio acabou por prevalecer, com a derrota da corrente partidária de uma candidatura própria.

Desde os primeiros tempos de campanha, o favoritismo de Jânio se tornou evidente. Ele reunia as esperanças da elite antigetulista; do setor da classe média que esperava a chamada moralização dos costumes políticos e se via atingida pela alta do custo de vida; assim como grande maioria dos trabalhadores.

Lott foi um candidato desastroso. O general tivera um papel importante nos círculos restrito do poder, onde personificara a garantia de continuidade do regime democrático. Exposto a uma audiência mais ampla, suas fraquezas se tornaram evidentes. Falava mal em público e tentava assumir artificialmente o discurso getulista. Desagradava ao PSD com sua defesa sincera da concessão de voto aos analfabetos; desagradava ao PTB e principalmente à esquerda críticas também sincera a Cuba e ao comunismo.

Nas quatro eleições presidenciais desde de 1945, o eleitorado crescera bastante, como resultado da urbanização e do maior interesse pela participação política. De 5, 9 milhões em 1945, passou a 7, 9 milhões em 1950; 8,6 milhões em 1955 e finalmente 11,7 milhões em 1960, na última eleição direta para presidente da República que o país conheceu até 1989.

Jânio venceu as eleições de outubro de 1960, com 48% dos votos, enquanto Lott obteve 28% e Ademar 23%. Seu êxito só não superou, em termos percentuais, o de Dutra em 1945. João Goulart elegeu-se vice-presidente da República apesar da nítida derrota de Lott. Isso foi possível porque, na época, o eleitor podia votar no candidato a presidente de uma chapa e no candidato a vice de outra. A votação de Jânio e Jango nos meios operários expressou o nítido avanço do PTB, acompanhado não obstante de uma dissidência sindical trabalhista, nascida em São Paulo, que se inclinou por Jânio. Daí se originou o movimento Jan-Jan, apoiando os nomes os nomes de Jânio e Jango. Em pouco tempo, os acontecimentos políticos iriam demonstrar os riscos dessa combinação inesperada.

Veja na parte final, sábado 06/10/2018, O GOVERNO DE JÂNIO.

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Jânio, a direita, e a vassoura simbolo da sua campanha.

Referência bibliográfica

Fausto, Boris.

História do Brasil/Boris Fausto. – 5. Ed. São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo : Fundação do desenvolvimento da Educação, 1997. – (Didática, 1).

 


Ciro e Alckmin no ataque

quarta-feira, 3 outubro, 2018

Na tentativa de romper com a polarização, pedetista e tucano se apresentam como terceira via

Jornal do BrasilEDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Na reta final da corrida presidencial, os candidatos Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), respectivamente em terceiro e quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto, estão adotando bordões semelhantes. Os dois se esforçam para se apresentar como terceira via ante a polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

“Eles Não”, tem dito Alckmin nas entrevistas e na propaganda de rádio e TV, em trocadilho com a campanha #EleNão, contrária à eleição de Bolsonaro. Variando no mesmo tema, Ciro Gomes declarou ontem, em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte (MG), que o eleitor “não precisa votar no `coisa ruim` ou no `coisa pior`, colocando-se como alternativa “ficha limpa, com boas propostas, experiencia e capacidade de dialogar”.

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Ciro diz que cena política parece uma dança à beira do precipício (Foto: Marco Silva/AE)

Ambos os candidatos tentam atrair a simpatia do eleitor que pretende votar em um para que o outro não ganhe a eleição. “Você não precisa votar no PT porque não gosta do Bolsonaro, nem votar no Bolsonaro porque não gosta do PT. Me dê uma chance, analise minha história”, apelou Ciro na mesma entrevista. Alckmin, por sua vez, em visita à região de Perus, Zona Norte de São Paulo, disse que “tem eleitor que vota no Bolsonaro porque não quer o PT”.

Para Ciro Gomes, o cenário político atual representa uma “dança na beiro do precipício, que é esse enfrentamento radicalizado para que está sendo levado o nosso país”. Enquanto Alckmin afirma que “o caminho não é dos radicais, porque eles não vão ajudar a diminuir o desemprego ou trazer paz para o Brasil e fazer a economia crescer”.

As duas campanhas também retratam Haddad como a volta da corrupção ao país e Bolsonaro como extremista e despreparado. A divulgação de parte da delação premiada de Antônio Palocci, liberada de sigilo na segunda-feira pelo juiz Sergio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato reforça a argumentação dos dois.

Para Alckmin, as revelações terão resultado ainda no primeiro turno das eleições. Par que isso aconteça, a campanha tucana vai explorar, nos últimos programas de Rádio e TV, as declarações do ex-ministro dos governos Lula e Dilma. A propaganda que foi ao ar ontem à noite faz uma alarmante descrição da situação. “Escândalo: Lula sabia de tudo. A delação de Palocci mostrou que Lula sabia da corrupção da Petrobras desde 2007”, disse o narrador, enquanto o vídeo mostrava imagens de matérias publicadas em sites e jornais. “Se o PT, voltar a corrupção vai continuar”, finaliza o narrador.

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Alckmin resolveu usar contra o PT a delação do ex-ministro Palocci (Foto: Matheus Reche/AE)

O mesmo vídeo diz que Bolsonaro também não é alternativa porque tanto um quanto o outro “são ameaça real para o futuro do Brasil. Porque os dois foram sempre iguais”. A propaganda diz que tanto Bolsonaro quanto o PT votaram da mesma forma em várias matérias debatidas no Congresso Nacional.

Ciro Gomes, por seu turno, questionou: “Esse filme nós não já vimos? Será que nós vamos aguentar continuar essa novela? A novela do Petrolão, do Mensalão. Será que o Brasil não precisa mudar o assunto?”.

Os dois candidatos também procuram minimizar os resultados apresentados pelas pesquisas de intenção de voto. “É preciso que a gente não dê aos institutos de pesquisa o direito de escolher por nós”, comentou Ciro, que disse ter ido a Minas Gerais para pedir aos mineiros que ampliem a sua margem nas urnas. “Num país em que até se compra e vende deputado, é necessário ter uma certa reserva em relação aos institutos de pesquisa”. Alckmin disse que as pesquisas internas do seu partido revelam elevação de sua posição junto ao eleitorado e baixa rejeição. “Essa semana é a mudança. Vamos trabalhar forte até domingo”, disse.