Jânio Quadros, o primeiro “mito” da República (Parte I)

 

A partir de hoje e sábado o blog do Prof. Desiderio relata a história do fenômeno político eleitoral Jânio da Silva quadros (1917-1992). Como foi a eleição,de 1960 para presidente da República, a falta de candidato competitivo dos partidos conservadores e a incapacidade de construção de unidade dos setores progressistas em torno de uma candidatura. Embora Jânio fosse místico, o fenômeno pode muito bem ser explicado pela ciência política e pela história. Para isso, recorremos ao trabalho de pesquisa do historiador Boris Fausto, da sua obra História do Brasil. A narrativa será contada em dois episódios. Boa leitura.

 

A SUCESSÂO PRESIDENCIAL (1960)

O entusiasmo não alcançava entre tanto a grande massa, como a eleição marcada para 3 de outubro de 1960 iria deixar patente. Já no curso de 1959, surgiram as candidaturas. Após ter sido eleito governador de São Paulo, Jânio Quadros era lançado em abril por um pequeno partido – o PTN -,  com o apoio de Lacerda. Ademar saiu pelo PSP, animado pelos bons resultados da eleição de 1955. O PSD e o PTB uniram-se mais uma vez, em torno da candidatura do general Lott, tendo João Goulart como candidato a vice-presidente.

A UDN hesitava entre o lançamento de uma candidatura própria e o apoio a Jânio. Jânio corria em faixa própria, criticando a corrupção do governo e a desordem financeira. Sem ter um programa definido e desprezando os partidos políticos, atraia o povo com sua figura popularesca e ameaçadora que prometia castigo implacável aos beneficiários de negociatas e de qualquer tipo de corrupção. Ele estava longe do figurino bem-comportado da UDN, mas ao mesmo tempo incorporava a seu modo algo do discurso udenista. Representava, sobretudo, uma grande oportunidade de o partido chegar afinal ao poder, embora por um atalho desconhecido. Na convenção realizada pela UDN em novembro de 1959, o apoio a Jânio acabou por prevalecer, com a derrota da corrente partidária de uma candidatura própria.

Desde os primeiros tempos de campanha, o favoritismo de Jânio se tornou evidente. Ele reunia as esperanças da elite antigetulista; do setor da classe média que esperava a chamada moralização dos costumes políticos e se via atingida pela alta do custo de vida; assim como grande maioria dos trabalhadores.

Lott foi um candidato desastroso. O general tivera um papel importante nos círculos restrito do poder, onde personificara a garantia de continuidade do regime democrático. Exposto a uma audiência mais ampla, suas fraquezas se tornaram evidentes. Falava mal em público e tentava assumir artificialmente o discurso getulista. Desagradava ao PSD com sua defesa sincera da concessão de voto aos analfabetos; desagradava ao PTB e principalmente à esquerda críticas também sincera a Cuba e ao comunismo.

Nas quatro eleições presidenciais desde de 1945, o eleitorado crescera bastante, como resultado da urbanização e do maior interesse pela participação política. De 5, 9 milhões em 1945, passou a 7, 9 milhões em 1950; 8,6 milhões em 1955 e finalmente 11,7 milhões em 1960, na última eleição direta para presidente da República que o país conheceu até 1989.

Jânio venceu as eleições de outubro de 1960, com 48% dos votos, enquanto Lott obteve 28% e Ademar 23%. Seu êxito só não superou, em termos percentuais, o de Dutra em 1945. João Goulart elegeu-se vice-presidente da República apesar da nítida derrota de Lott. Isso foi possível porque, na época, o eleitor podia votar no candidato a presidente de uma chapa e no candidato a vice de outra. A votação de Jânio e Jango nos meios operários expressou o nítido avanço do PTB, acompanhado não obstante de uma dissidência sindical trabalhista, nascida em São Paulo, que se inclinou por Jânio. Daí se originou o movimento Jan-Jan, apoiando os nomes os nomes de Jânio e Jango. Em pouco tempo, os acontecimentos políticos iriam demonstrar os riscos dessa combinação inesperada.

Veja na parte final, sábado 06/10/2018, O GOVERNO DE JÂNIO.

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Jânio, a direita, e a vassoura simbolo da sua campanha.

Referência bibliográfica

Fausto, Boris.

História do Brasil/Boris Fausto. – 5. Ed. São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo : Fundação do desenvolvimento da Educação, 1997. – (Didática, 1).

 

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