Jânio Quadros, o primeiro “mito” da República (Parte final)

sábado, 6 outubro, 2018

O GOVERNO JÂNIO QUADROS

       Pela primeira vez um presidente tomou posse em Brasília, encarnando as esperanças do futuro. Em menos de sete meses essas esperanças seriam desfeitas, com a renúncia que atiraria o país numa grave crise política.

Jânio começou a governar de forma desconcertante. Ocupou-se de assuntos desproporcionais à importância do cargo que ocupava, como a proibição de lança-perfume, do biquíni e das brigas de galo. No plano das medidas mais sérias, combinou iniciativas simpáticas à esquerda com medidas simpáticas aos conservadores. De algum modo desagradava assim a ambos.

Política externa

    

     A política externa provocou a oposição dos conservadores, especialmente da maioria da UDN, cujo objetivo de chegar ao poder não se concretizou.

Em 1959, um fato de grande importância ocorrera na América Latina: a vitória da revolução cubana. Após um período de euforia geral resultante da derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista, comando da revolução Fidel Castro começou a se inclinar pelo socialismo comunista. Cuba caminhava nessa direção por convicção de suas lideranças e empurradas cada vez mais pelas medidas de embargo contra a ilha tomadas pelos Estados Unidos. A ameaça comunista, agitada como um espantalho para reprimir as reivindicações das classes dominadas, convertia-se em realidade. Se um regime desse tipo podia se instalar a menos de 150 quilômetros da costa da Flórida, porque não poderia triunfar em outras regiões da América Latina?

Jânio estivera em Cuba em março de 1960, expressando de forma cifrada uma vaga simpatia pelo regime de Fidel Castro. Como presidente, provocou a fúria dos conservadores ao condecorar o companheiro de Fidel, Che Guevara, com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Não Havia nesse gesto qualquer intenção de demonstrar apoio ao comunismo. Ele simbolizava para o grande público a política externa independente que Jânio começara por em prática. Essa política, colocada nas mãos insuspeitas do ministro do exterior, Afonso Arinos de Melo Franco, consistia na busca de uma terceira via para o Brasil entre os dois blocos, capitalista e comunista, em confronto.

POLÍTICA FINANCEIRA

No terreno financeiro, Jânio anunciou um plano para enfrentar os problemas herdados do governo Juscelino. Em seu discurso de posse, afirmou ser terrível a situação. O déficit do balanço de pagamentos chegara a 410 milhões de dólares. A dívida externa, segundo ele, era de 3,8 bilhões de dólares, dos quais 600 milhões venciam em 1961. O déficit orçamentário previsto para 1961 ia além de 100 bilhões de cruzeiros, cerca de um terço da receita prevista no exercício. A inflação em 1959 e 1960 superara os 30% ao ano, cerca do dobro da inflação média anual do 1958 período de 1950 – 1958.

O novo presidente optou por um pacote ortodoxo de estabilização, envolvendo forte desvalorização cambial, contenção dos gastos públicos e da expansão monetária. Os subsídios para a importação do trigo e petróleo foram reduzidos, o que provocou uma elevação de 100% no preço do pão e dos combustíveis.

As medidas foram bem recebidas pelos credores do Brasil e pelo FMI, o Clube de Haia, constituído pelos credores europeus, assim como os americanos, reescalonaram a dívida brasileira em 1961. Novos empréstimos foram contraídos nos Estados Unidos, com o apoio do presidente Kennedy. Jânio era encarado como uma via para impedir que o maior país da América Latina escorregasse pelo caminho da instabilidade e do comunismo. Em agosto de 1961, Jânio começou a afrouxar as medidas de contenção financeira, mas não chegou a por em prática uma possível mudança de rumos, Nesse mês de agosto, com um gesto, pôs fim ao seu governo.

A RENÚNCIA

O presidente vinha administrando o país sem contar com uma base política de apoio. O PSD e o PTB dominavam o Congresso; Lacerda passara para a oposição, martelando suas críticas a Jânio com a mesma veemência com que o apoiara. A UDN tinha várias razões de queixa. O presidente agia praticamente sem consultar a liderança udenista no Congresso. Além disso, a política externa independente causava preocupações, assim como a simpatia presidencial pela reforma agrária.

Na noite de 24 de agosto de 1961, Lacerda – que tinha sido eleito governador da Guanabara – fez um discurso, transmitido pelo rádio, denunciando uma tentativa de golpe janista articulada pelo ministro da justiça Oscar Pedroso Horta. Estranhamente, teria sido convidado para aderir a ele. Pedroso Horta negou a acusação. Logo no dia seguinte, Jânio renunciou à presidência da República, comunicando a decisão ao Congresso Nacional.

 

 Foto google: Janio e Tche

 Reveja a parte I: 

Jânio Quadros, o primeiro “mito” da República (Parte I)

 

Veja a seguir, sábado 13/10/2018, Collor de Mello o caçador de marajás, o segundo “mito” da República.

 

Referência bibliográfica

Fausto, Boris.

História do Brasil/Boris Fausto. – 5. Ed. São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo : Fundação do desenvolvimento da Educação, 1997. – (Didática, 1).

 

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Ibope: na simulação para 2º turno Bolsonaro só perde para Ciro Gomes

[ Ibope: na simulação para 2º turno Bolsonaro só perde para Ciro Gomes]

06 de Outubro de 2018 às 20:45 Por: Reprodução Por: Redação BNews00comentários

O Ibope divulgou neste sábado (6) o resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto na eleição presidencial. Segundo o instituto, desde a pesquisa divulgada no dia 3, e realizada nos dias 1 e 2 de outubro, o primeiro colocado, Jair Bolsonaro, cresceu quatro pontos, enquanto Fernando Haddad, em segundo lugar, oscilou um ponto para baixo.

A probabilidade de os resultados retratarem a realidade é de 95%, considerando a margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 3.010 eleitores na sexta-feira (5) e no sábado (6).

 

Simulações de segundo turno
Ciro Gomes 45% x 41% Jair Bolsonaro (branco/nulo 11%; não sabe 2%)
Geraldo Alckmin 40% x 43% Jair Bolsonaro (branco/nulo 14%; não sabe 3%)
Jair Bolsonaro 46% x 36% Marina Silva (branco/nulo 15%; não sabe 3%)
Fernando Haddad 41% x 45% Jair Bolsonaro (branco/nulo 12%; não sabe 3%)

 

Do Bocão News