BRASIL: INDICADORES SOCIAIS ENTRE 1950 E 1980

EDUCAÇÂO

Vamos Lidar agora com os indicadores sociais. Eles abrem caminho para que se conheça a qualidade de vida de um povo”. ( Boris Fausto)

Comecemos, no terreno educativo, pelos dados de alfabetização. Considerando-se a população com cinco anos de idade ou mais, houve um avanço na taxa de alfabetização entre 1950 e 1985. Segundo os dados do senso de 1950, 53,9% dos homens e 60,6% das mulheres eram analfabetos. Essas porcentagens caíram respectivamente para 34,9% e 35,2%, de acordo com o censo de 1980. A pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 1987, indica que taxas de analfabetismo para 25,8% entre os homens e 26,0% entre as mulheres. Para evolução geral, contribuiu bastante o avanço da alfabetização das mulheres – um indicador indireto de sua maior presença na vida social e na PEA.

Tomando-se a população escolarizável entre cinco e 24 anos, havia em 1949, para uma população escolarizável total de 23,8 milhões, 4,8 milhões matriculados em escolas, ou seja 15,1%. Segundo dados do PNAD de 1987, a população escolarizável era naquele ano de 74, 3 milhões, estando matriculados em escolas 34, 4 milhões, isto é, cerca de 47%.

Após a segunda Guerra Mundial, o ritmo de crescimento da educação no Brasil ficou acima de outros países latino-americanos mais avançados, como o Chile, a Argentina e o Uruguai. Mesmo assim, não se alcançaram resultados qualitativos muitos favoráveis.

A experiência dos países industrializados indica que, uma vez atingido certo grau de saturação em determinado nível do sistema educacional, ocorre uma diminuição da taxa de crescimento nesse nível e uma aceleração do crescimento no nível de educação imediatamente superior. Ou seja, a expansão começa no 1º grau e vai se propagando até chegar a universidade.

Esse modelo de crescimento não se aplica ao Brasil. Nos anos  70, o nível educacional que mais cresceu foi a pós graduação (31%), seguida do ensino universitário (12%),  do ensino do 2º grau (11%) e, por último, do ensino de 1º grau (4%).

Aparentemente, essa forma distorcida de crescimento tem a ver com o fato de que pressões política sobre o sistema de ensino vêm, na maior parte, de uma elite educada.

Mas, os problemas não se encontram apenas nas taxas de expansão e na distribuição de gastos. Tomando-se a situação das regiões mais desenvolvidas, calcula-se que mais de 95% de cada geração chega a matricular-se no sistema de ensino de 1º grau. Esse dado aparentemente positivo, mas acontece que as taxas de repetição e em menor grau, de abandono são elevadas. A inadequação da escola às camadas pobres da população e a pressão das necessidades sociais levam essas camadas, quando muito, a completar o 1º grau.

A relação entre ensino público e qualidade do ensino é outro ponto negativo a ser lembrado. No 1º grau, algumas escolas privadas se destacam pela qualidade, em contraste com as deficiências do ensino público. A situação se inverte nas universidades públicas, onde o ensino é gratuito. A maior possibilidade de ingresso nessas universidades é condicionada pelo currículo formado em escolas de 1º e 2º graus de bom nível e pelo conhecimento adquirido em casa e na rede de relações sociais – o chamado currículo oculto. Desse modo, o acesso de camadas pobres e da baixa classe média aos cursos mais prestigiosos das universidades públicas se torna bastante difícil. Esses setores sociais constituem a clientela preferencial das escolas privadas de nível superior. Ressalvadas algumas exceções, o ensino é aí de qualidade comparativamente inferior.

O crescimento do ensino superior privado pode ser apreendido quando se considera que em 1960 44% dos alunos do ensino superior estavam matriculados em instituições privadas. Esse número aumentou para  50% em 1970 e chegou a 85% em 1980.

foto: Acordacultura

Os fatores apontados e vários outros, como a reduzida disponibilidade de bolsas de estudo, levam a uma educação para poucos e nem por isso de elevado padrão. A educação constitui assim um privilégio e não um instrumento importante no sentido de se estabelecer, na prática, a igualdade de oportunidades para jovens de diferentes classes sociais.

 

Referência bibliográfica

Fausto, Boris.

História do Brasil/Boris Fausto. – 5. Ed. São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo : Fundação do desenvolvimento da Educação, 1997. – (Didática, 1).

 

 

 

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