O desafio de olhar para o futuro da educação

domingo, 31 março, 2019

Já não temos tempo para apenas resolver questões como a da alfabetização e da evasão e abandono escolar. Precisamos também nos preparar para um mundo de trabalho mais dinâmico. Há experiências que deixam uma marca profunda em nossas vidas, e acabo de viver uma delas ao conhecer a Atwood Primary Academy de Londres. A visita foi parte da missão organizada pela embaixada do Reino Unido que levou, no início de março, lideranças brasileiras da educação para conhecer os principais projetos britânicos para a área. O convívio de uma semana com especialistas locais e os debates animados que travamos permitiram uma rica troca de experiências para que, a partir daí, se desenhasse um programa de cooperação para a inclusão socioeconômica de alunos brasileiros e o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais e técnicas.

O que me cativou na Atwood?

Uma junção de coisas, não muito diferentes daquelas que já começamos a ousar desejar ou buscar para termos uma educação de qualidade no Brasil. Nada ali era original no sentido de inusitado, mas tudo funcionava criativamente. A começar pela boa formação dos professores e excelentes condições de trabalho – temas que foram, aliás, motivadores de muitas conversas e debates sobre a importância da formação e valorização do corpo docente-, e a criação de incentivos para uma carreira de magistério que atraia e prepare de fato os melhores profissionais.

Chamou especialmente minha atenção o acolhimento e a forma como as crianças eram tratadas. Ali reinava a diversidade, mas o clima era de respeito e dignidade. Nada de preconceitos, mas um lugar de “oportunidades iguais”, como ressaltava um cartaz colado em uma das paredes. A escola dava a todos, igualmente, o mesmo ponto de partida, mas incentivava o potencial individual na outra ponta.

Talvez aqui algumas pessoas se perguntem o porquê de eu estar fazendo referência ao sistema britânico e não aos conhecidos sistemas finlandeses e sul-coreanos, por exemplo. O fato de o Reino Unido estar preocupado não apenas com os problemas mais antigos da educação, como ainda é o caso do Brasil, mas também, ao mesmo tempo, ter um olhar para o futuro e para os desafios que a revolução tecnológica estão trazendo, me convenceu que tínhamos muito a aprender uns com os outros. Já não temos tempo para apenas resolver problemas como o da alfabetização e da evasão e abandono escolar. Enquanto fazemos isso, precisamos também nos preparar para um mundo do trabalho mais dinâmico e dominado por novas profissões, as quais ainda não conhecemos.

Os centros de ensino técnico e profissionalizantes e as universidades que visitamos tinham por meta formar alunos com habilidades para o mundo globalizado. Preocupados igualmente com o desenvolvimento de habilidades para a vida e para o trabalho, mostravam saber que ser criativo, dominar o ambiente digital, liderar e trabalhar em grupo, negociar, se apresentar em público e defender suas ideias já não poderia ser luxo, restrito a uma pequena elite.

Nesse cenário, a educação não é um fim em si mesmo, e os britânicos já entenderam isso. A preocupação com resultados para o indivíduo e para o país é premissa. A carreira é algo em que se pensa e se busca influenciar desde cedo: ao longo do ensino fundamental (a partir dos oito anos, em alguns casos) as escolas já inserem discussões sobre variadas profissões. A ideia é informar desde cedo os alunos, identificar vocações e prepará-los.

Não há tampouco constrangimento em tratar de aspectos que dizem respeito à produtividade do indivíduo. Essa é a premissa fundamental na área de formação técnica. O sistema educacional é objetivo e focado. Capacitar para a alta performance e treinar são etapas naturais, o que não significa uma padronização ou robotização, pois envolve necessariamente pensamento crítico e inovação, dentre outras competências.

Uma das provocações que surgiram durante a missão ao Reino Unido foi que a nossa Base Nacional Comum Curricular não deixa claro o nível de inglês que esperamos dos alunos de escola pública ao final dos sete anos de formação. Qual é a nossa meta? Sem isso, não podemos avaliar se tivemos sucesso ou não. Outra questão importante é o conceito de educação ao longo da vida, ou seja, a escolha por uma formação técnica não representa um caminho sem volta ou menos oportunidades para o indivíduo. O sistema educacional britânico propicia possibilidades e incentivos para que as pessoas transitem entre as formações técnica e acadêmica. Além disso, o aluno é incentivado a sempre buscar conhecimento e, caso queira, tem a possibilidade de voltar ao sistema educacional ao longo da vida.

Há uma boa governança e gestão integrada no sistema educacional que oferta ensino técnico. As necessidades dos empregadores são mapeadas e os cursos profissionalizantes desenhados e atualizados de acordo com elas. As ofertas são alinhadas à demanda e muitas até desenhadas sob medida, de acordo com pedidos das próprias empresas e indústrias. Para isso, é feito um mapeamento das habilidades requeridas por setor. Há agências temáticas para cada setor predominante da economia, que ofertam formações alinhadas aos diferentes segmentos produtivos. Há também órgãos públicos de controle de qualidade e fiscalização do sistema. A indústria, por sua vez, procura os institutos e organizações que desenham essas formações para um just in time training – treinamento com foco na demanda, o que tende a garantir emprego de qualidade e renda.

As recentes mudanças tecnológicas têm representado um importante indutor de crescimento econômico, mas estão também associadas a transformações consideráveis no mundo do trabalho. O cenário pode ser catastrófico: segundo Carl Frey e Michael Osborne, pesquisadores da Universidade de Oxford, até 2030, cerca de 2 bilhões de empregos serão extintos. Como o Brasil está se preparando para esse futuro nada distante?

Precisamos refletir sobre o que queremos para nossas crianças e jovens. Como vamos garantir o ensino das novas competências na implementação da base curricular? Como tornaremos mais efetivo o ensino técnico e profissionalizante para que seja uma alternativa real de formação e carreira? A missão educacional ao Reino Unido me trouxe essas e outras provocações, reafirmando meu compromisso com uma educação de qualidade para todos os brasileiros. Aliás, esse é um dos principais objetivos do meu mandato.

*Tabata Amaral foi eleita deputada federal pelo PDT de São Paulo em 2018. Antes disso, formou-se em ciência política, com bolsa integral, pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Pesquisa e atua em temas ligados à educação.

http://www.pdt.org.br


GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte IV)

sábado, 30 março, 2019

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

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Monumento a Independência, Campo Grande em Salvador. Google

O 25 DE JUNHO

No ato seguinte, os coronéis Garcia Pacheco e Falcão Brandão oficiaram a Câmara da Cacheira pedindo uma reunião urgente. Reunida às 9 horas da manhã do dia 25 de junho de 1822, com a presença do juiz de fora Antônio Cerqueira Lima, que a presidiu, do capitão mor José Antônio Fiusa e vereadores, foi indagado “do povo, e tropa… se erão contentes que se aclamasse S.A.R. O Sr. D. Pedro de Alcântara, por Regente e Perpétuo defensor e protetor do Reino Brazil”. Obtendo resposta afirmativa, o procurador da vila, Manoel Teixeira de Freitas, jogou o estandarte da Câmara para os mais de quatrocentos homens armados que se encontravam frente ao prédio.

Foi lavrada uma ata. Estavam celebrando Te Deum na Igreja de Nossa Senhora do Rosário quando a escuna canhoneira enviada por Madeira de Melo para fechar o porto de Cacheira disparou o primeiro tiro contra a vila. Quase ao mesmo tempo, alguns portugueses atiraram de suas casas nos brasileiros que passavam nas ruas. No dia seguinte, formou-se a primeira junta interina, Conciliatória de Defesa, com posta por Antônio Teixeira de Freitas Barbosa (presidente), Antônio Pereira Rebouças (secretário), José Paes Cardoso da Silva, padre Manuel José de Freitas (depois, padre Manuel Dendê Bus) e Antônio José Alves Bastos. Instalou-se no Hospital São João de Deus e adotou as primeiras decisões de governo: enviar mensageiros às vilas e povoações para informa-lhes a aclamação do príncipe e as hostilidades portuguesas já declaradas pela escuna canhoneira. Também solicitava que organizassem homens e armas para deter os tiros da canhoneira e dos portugueses em suas residências.

Aproveitaram uma “velha peça de ferro” para improvisar a arma com responderam os disparos da escuna canhoneira. Também utilizaram vaivéns mandados vim dos engenhos. Embora fossem armas precárias, serviram. No entardecer de 28 apareceu uma bandeira branca na escuna canhoneira, que foi tomada. Dela trouxeram presos o capitão e 26 marujos portugueses. A Câmara enviou uma proclamação ao príncipe dom Pedro afirmando: “V.A.R. é nosso defensor perpétuo”.

Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, Francisco Carneiro de Campos e José Cardoso Pereira de Melo abandonaram a junta Provisória, já então virtualmente prisioneira de tropas portuguesas. Francisco Elesbão Pies de Carvalho e Albuquerque, que era presidente da junta, seguiu para Santo Amaro. Francisco Carneiro de Campos e José Cardoso Pereira de Melo foram para o Rio Janeiro.

 

Leia na próxima quarta 03/04, ADESÃO DAS VILAS.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 


Deputada de 25 anos coloca Ricardo Veléz contra a parede: ”Cadê os projetos?”

quinta-feira, 28 março, 2019

Tábata Amaral (PDT-SP) critica ”lista de desejos” apresentada pelo ministro da Educação e diz que, ”em três meses, a gente consegue fazer mais do que isso”


O ministro da Educação, Ricardo Veléz, participou, nesta quarta-feira, de uma reunião na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, onde foi duramente questionado sobre as seguidas nomeações e demissões em cargos estratégicos da pasta. A participação mais crítica e incisiva na reunião, no entanto, ficou por conta da deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP), cientista política e astrofísica de 25 anos e estreante na Casa.

 

O vídeo da participação da deputada viralizou nas redes sociais e ela própria o postou no Twitter, dizendo que questionou insistentemente o ministro sobre os projetos e metas para a educação no Brasil, mas que não obteve resposta. A educação está no centro da plataforma política de Tábata Amaral.

A conclusão da fala da deputada não foi mais amena. “Eu não espero mais nenhuma resposta, já entendi que isso não vai acontecer. A mim, me resta lamentar o que está acontecendo, continuar o meu trabalho de educação, que não começa com este mandato, e esperar que o senhor mude de atitude – o que parece completamente improvável – ou saia do cargo de ministro da Educação.”

Visivelmente irritado, Veléz respondeu também em tom de embate. “Se a senhora não espera nenhuma resposta, para que faz perguntas?” O ministro, no entanto, disse em seguida que precisava ir embora, pelo adiantado da hora e finalizou garantindo que permanece no cargo. “A única coisa que posso dizer é que fico. Só me demito se o senhor presidente da República me pedir. Se ele, que é o chefe do Estado, achar que minha colaboração não está sendo adequada.”

 

Confira o vídeo na íntegra: 

Embedded video

Tabata Amaral

@tabataamaralsp

Hoje participei de uma reunião com o Ministro Ricardo Veléz na Comissão de Educação. Insistentemente o questionei sobre quais eram os projetos e metas para melhorar a qualidade da educação no Brasil, mas não obtive resposta.

Fonte: Estado de Minas


GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte III)

quarta-feira, 27 março, 2019

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

 

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foto: blog do Bozó

RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO

Concluída a ocupação militar da cidade do Salvador, Madeira de Melo adotou a linha política que visava justificar as decisões que tomara e obter apoio local para manter a Bahia unida a Portugal. Divulgou uma proclamação afirmando desejar “que a harmonia torne a estabelecer-se entre tantos milhares de cidadãos de uma mesma nação, súbditos de um mesmo rei, e que só devem considerar-se entre si como irmãos”. Em verdade o governo de Portugal e ele esperava uma luta demorada. A 18 de março chegou o reforço das tropas portuguesas comandadas pelo brigadeiro Francisco Joaquim Carreti, pouco antes expulsas do Rio de Janeiro pelos acontecimentos do Fico e ordem do príncipe dom Pedro. Outros reforços seriam enviados nos meses seguintes.

Número apreciável de famílias abandonou a cidade do Salvador e se dirigiu para Santo Amaro, São Francisco do Conde, Cachoeira e Maragogipe. Em abril já existiam várias conspirações contra o governo militar que o brigadeiro Madeira de Melo estabelecera. Algumas tendiam para o reconhecimento da autoridade de dom Pedro. Outras aceitavam o relacionamento político com as cortes de Lisboa. A definição dos baianos ocorreu entre maio e junho de 1822, para o que influiu a carta-consulta de 22 de março, redigida e assinada por deputados baianos no espirito conciliador do parecer da Comissão Especial dos Negócios do Brasil daquela assembleia. Ainda assim, ou talvez por isso, uniu proprietários de engenhos e plantações de cana-de-açúcar, oficiais militares e intelectuais na posição a favor do reconhecimento da regência deixada no Rio de Janeiro pelo rei D. João VI e aceitação da autoridade do príncipe dom Pedro. Redigida pelo jovem Bacharel Francisco Gomes brandão, que depois passaria Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, o jornal O Constitucional estabeleceu: “Defendemos, e havemos de defender a proposição de ter o Brasil hum Centro de Poder Executivo”.

Os partidários do reconhecimento da autoridade do príncipe tentaram uma decisão na Câmara da cidade do Salvador. Marcada para se reunir no dia 12 de junho, as tropas portuguesa bloquearam as ruas da Misericórdia e Direta do Palácio, a praça da Câmara e todas as vias de acesso ao prédio do Senado da Câmara. A reunião foi proibida. Dois depois (14 de junho) reuniu-se a Câmara de Santo Amaro, com a participação do ouvidor da comarca, desembargador Antônio José Duarte de Araújo Gondim, dos vereadores João Lourenço de Ataíde Seixas, Antônio de Araújo Gomes Júnior e Raimundo Gomes Martins, do juiz de Fora e presidente da Câmara, Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, do procurador da vila, Joaquim José Ribeiro Guimarães, de oficiais graduados das milícias, religiosos, Miguel Calmon DU Pin e Almeida, advogados, médicos e professores. A Câmara decidiu: “Que haja no Brazil hum centro único de Poder Executivo; que este Poder seja exercido por sua Alteza Real o Príncipe Regente”.

A partir dessa decisão é possível encontrar uma sequência de preparativos na Bahia para o reconhecimento da autoridade do príncipe dom Pedro, já então aclamado no Rio Janeiro Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil. Realizou-se em 21 de junho uma reunião secreta de proprietários, lavradores e militares. Em 24 de junho concentraram-se soldados e oficiais milicianos armados sob comando dos grandes proprietários e coronéis de milícias José Garcia Pacheco de Moura Pimentel e Aragão e Rodrigo Antônio Falcão Brandão, no sítio de Belém, povoado acima da Vila da Cachoeira.

 

 

Leia no próximo sábado 30, RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 

 


A Previdência precisa continuar a ser social

terça-feira, 26 março, 2019


Por Weverton Rocha
 

Nesta semana o PDT decidiu pela maioria dos seus quadros, em Convenção Nacional, fechar questão contra a reforma da Previdência. A decisão foi tomada depois de vários debates e muitas horas de estudo da Proposta de Emenda à Constituição enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Jair Bolsonaro. A conclusão é que a atual proposta, em muitos aspectos, consegue ser até pior do que aquela enviada pelo ex-presidente Michel Temer.

Basta analisar a repartição do sacrifício que cada um está sendo chamado a fazer para que se alcance a economia de 1 trilhão de reais desejada pelo governo. Os mais pobres estão sendo mais prejudicados, enquanto até o momento nenhuma medida foi anunciada no sentido de cobrar o cerca de meio bilhão que os grandes devedores deixaram de repassar à Previdência nos últimos dez anos.

Falta também o governo clarear o tamanho real do déficit da Previdência, excluindo desse cálculo os 30% que, por meio da Desvinculação da Receita da União (DRU), são retirados do que foi arrecadado para os benefícios previdenciários e utilizados com outros fins. É mais ou menos como se uma pessoa estivesse guardando um dinheiro para dar entrada em uma casa, mas todo mês retirasse dinheiro dessa poupança para fazer compras. Faltaria dinheiro no final. É o que ocorre com a Previdência, há déficit não por arrecadação insuficiente, mas por desvio de finalidade nos recursos arrecadados.

Uma vez restabelecida a verdade sobre o tamanho do rombo, é claro que ainda caberá uma reformulação da Previdência diante da longevidade cada vez maior da população brasileira. Teremos que discutir a melhor fórmula para estabelecer limites de idade e de contribuição. Mas há que se respeitar a realidade social brasileira, as diferenças regionais e o histórico de crises que mantém muitos trabalhadores na informalidade durante a maior parte de suas vidas.

Ainda mais depois de aprovada a reforma trabalhista, que precarizou uma série de direitos e criou a estranha figura do trabalho intermitente, o qual permitiu que trabalhadores ganhem menos que o mínimo e não tenham carteira assinada. Se não assinam carteira, não recolhem para a Previdência. Se não recolhem, não se aposentam.

Por fim, é preciso refutar com veemência essa proposta de implantar um regime de capitalização, em que cada trabalhador financia sua própria aposentadoria. É um modelo que só beneficia o mercado. E nos países onde foi adotado o que se viu foi um terrível empobrecimento dos aposentados, que chegam a ganhar apenas a metade de um salário mínimo.

Não dá para aceitar essa PEC que está no Congresso. Se a deixássemos passar, estaríamos decretando o fim do caráter social da Previdência. E, com isso, o PDT não concorda. Como líder do partido no Senado, usarei todos os espaços possíveis e toda minha energia para corrigir essas distorções e proteger o trabalhador, que não pode mais uma vez ficar com uma conta muito maior do que pode pagar. A Previdência precisa continuar a ser social.

*Weverton Rocha é senador e líder do PDT no Senado

http://www.pdt.org.br

Serviço

 

 

De Ubirajara Sá

Poeta e professor baiano.

Recanto das Letras volume I


GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte II)

sábado, 23 março, 2019

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

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foto do Google

 

LEVANTE MILITAR PORTUGÊS

A política das Cortes Gerais para o Brasil definiu-se no segundo semestre de 1821, dirigida a neutralizar qualquer mínima possibilidade de existência de um governo executivo central em alguma província brasileira. Os decretos de 29 de setembro alteraram comandos militares no Brasil, subordinando-os a Lisboa, e marcaram o retorno do príncipe para Portugal.

A 31 de janeiro de 1822 realizou-se a eleição que modificou a Junta Provisória. Passou a ser composta por Francisco Alesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, Francisco Vicente Viana, Francisco Carneiro de Campos, Francisco Martins da Costa, Cônego José Cardoso Pereira de Melo, tenente-coronel Manuel Inácio da Cunha Menezes e desembargador Antônio da Silva Teles. Alguns dias depois, chegou à cidade do Salvador a Carta Régia de 9 de dezembro de 1821 nomeando governador das armas o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, em substituição ao brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimarães. Logo se instalou uma situação de conflito.

Madeira de Melo tomou a iniciativa de requisitar o comando. Nesse sentido oficiou a Freitas Guimarães e aos comandantes dos fortes de São Pedro, Santo Antônio e Barbalho, exigindo que reconhecessem a sua autoridade. Em resposta, oficiais brasileiros do 1º regimento de infantaria, da Legião de caçadores, e do regimento de artilharia declararam que era ilegal aceitar um decreto de Lisboa sem a aprovação da Câmara. Não queriam Madeira de Melo no Governo das armas e para tanto orientaram a resistência que envolveu militares e civis brasileiros contra a sua nomeação. Antes que ela se manifestasse nos quarteis e nas ruas, o brigadeiro Madeira de Melo colocou as tropas portuguesas em prontidão e declarou que tomaria posse. Numa tentativa de conciliação, no dia 18 de fevereiro, a junta se reuniu com a Câmara e os comandantes militares e apresentou uma proposta para contornar a crise. Seria a formação de uma junta militar na qual estariam o brasileiro Freitas Guimarães e o português Madeira de Melo.

Madeira de Melo recusou. O dia 19 de fevereiro amanheceu com a ofensiva das tropas portuguesas. Atacaram o Forte São Pedro, onde se encontravam oficiais e soldados brasileiros das tropas regulares e de milícias, e os quartéis da Palma e da Mouraria. Foi no desdobramento do ataque ao velho quartel da Mouraria, na época vizinho ao convento da Lapa, que um gruo de soldados e marinheiros portugueses tentou invadir o recolhimento das religiosas concepcionistas, cujo claustro era totalmente vedado a homens. Ao forçarem o ataque, feriram mortalmente, com golpes de baioneta, a abadessa sóror Joana Angélica, que se colocara na porta do claustro, fechando-o, sendo também atingido o capelão do convento padre Daniel Nunes Silva Lisboa, com coices de armas. Retiradas às pressas, as freiras foram para o convento do Desterro. Na tarde do mesmo dia, o brigadeiro Madeira de Melo ordenou preparativos para o bombardeio do Forte de São Pedro e obrigou as religiosas do convento das Mercês a se retirarem para o convento da Soledade.

O forte de São Pedro foi intimado a se render. Os capitães Joaquim Sátiro da Cunha e Joaquim José Rodrigues e o tenente José Pedro de Alcântara mantiveram a decisão de resistir, no que foram acompanhados pelo cirurgião Sabino alvares da Rocha Vieira: Tentaram ganhar tempo adiando a resposta ao ultimato. Por fim, caindo a noite, começaram a retirada, que continuou durante todo o dia 20. A porta só foi aberta no entardecer, quando o tenente-coronel Bernardino Álvares de Araújo entregou a Madeira de Melo o termo de rendição. Na manhã de 21, o forte de São Pedro foi ocupado. Preso nesse dia, Manuel Pedro de Freitas Guimarães foi levado para bordo do São Gualter, embarcação que o conduziu a Lisboa.

 

 

Leia na próxima quarta, 27, RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 

 


RUMO À GREVE GERAL: 22 DE MARÇO É DIA DE LUTA CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

sexta-feira, 22 março, 2019

CUT reforça chamado à classe trabalhadora para reagir contra a proposta de reforma da Previdência de Bolsonaro e alerta: sociedade precisa ter ‘noção’ do que acontece hoje no Brasil

Em várias cidades do Brasil, panfletagens, atos, manifestações e assembleias serão realizadas nesta sexta-feira, 22 de março, o dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência. Em Alagoas, a concentração será às 15 horas, na Praça Centenário, e os bancários participarão intensamente do ato.

A data marca a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil contra o fim do direito à aposentadoria, que é o que vai acontecer se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019, da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL), for aprovada pelo Congresso Nacional, onde está tramitando.

A data é um dia de alerta para que a classe trabalhadora se conscientize sobre a realidade do Brasil – de ataques aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras – e um esquenta para uma greve geral que deve acontecer, caso Bolsonaro insista em aprovar a reforma da Previdência.

“Temos um grande motivo para uma greve geral e 22 de março será um dia de alerta. A CUT e as centrais orientaram seus sindicatos, que estão dialogando com os trabalhadores sobre o que representa essa reforma. A sociedade precisa ter noção do que está acontecendo”, diz Sérgio Nobre, Secretário Geral da CUT.

Entre as principais perversidades da proposta estão a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para mulheres, o aumento do tempo de contribuição 15 para 20 anos e o fim das condições especiais para trabalhadores rurais e professores terem direito ao benefício. A PEC da reforma da Previdência ainda traz a possiblidade de ser implantado o regime de capitalização, em que o trabalhador contribui mensalmente, em uma conta individual, administrada por financeiras privadas.

Se isso acontecer, o Brasil enfrentará uma tragédia. Muitos não conseguirão se aposentar porque vão morrer antes disso. É cruel

Em países como México e Chile, onde o sistema foi adotado, o que se viu foi idoso com benefício reduzido de forma drástica e  vivendo de favores das famílias.

Esse sistema de capitalização da previdência não serve para nada além de atender aos interesses dos bancos, tirando o dinheiro do trabalhador. É preciso entender que a Previdência também ampara as pessoas na viuvez, nos acidentes de trabalho, na doença e se houver um desmonte, o estrago será irreversíve.

O Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência é um alerta à classe trabalhadora sobre a realidade imposta pelo governo Bolsonaro, que deu continuidade ao ataque aos direitos dos trabalhadores, iniciado pelo ilegítimo Michel Temer (MDB), com ações como a reforma Trabalhista e lei que ampliou a terceirização.

Com Lula tivemos, no início do governo, programas como o Fome Zero, para acabar com miséria no Brasil, mais direitos e geração de emprego e renda. Bolsonaro já está há quase 90 dias no poder e até agora só o que fez foi atacar os direitos. Além de acabar com o sonho da aposentadoria, enganando o povo brasileiro, o presidente fala apenas em flexibilização ainda maior da lei trabalhista com a ideia da carteira verde-amarela com menos direitos aos jovens que ingressam no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que ataca a organização sindical por meio da Medida Provisória (MP) 873, que proíbe o desconto em folha de pagamento das mensalidades pagas pelos trabalhadores aos sindicatos.

A MP é uma atrocidade, um ataque à democracia. É uma maldade do governo para neutralizar a luta dos sindicatos pelos direitos dos trabalhadores, ameaçando inclusive autuar e prender a diretoria das entidades que não mudarem o desconto em folha pela emissão de boletos, conforme prevê a MP.

Ledo engano de Bolsonaro se acha que vai nos derrotar. Se preciso, os sindicatos vão passar até sacolinha nas portas de fábricas para arrecadar fundos para fazer a luta dos trabalhadores

Manifestação Popular

O desmonte do sistema previdenciário, o fim do sonho da aposentadoria e a tentativa de Bolsonaro ‘acabar de vez’ com as leis trabalhistas, são motivos para que o trabalhador reaja é vá às ruas na sexta-feira 22, Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência.

A vida do trabalhador nunca foi fácil, mas foi sempre em momentos de dificuldade que a nossa luta conquistou e manteve direitos. E agora não pode ser diferente. É necessário pressionar parlamentares para que votem contra a proposta, porque é desta maneira que se sensibiliza parlamentares: tem que dizer ‘camarada’, votei em você para melhorar a vida do povo e não para tirar direito do trabalhador.

Confira a lista de cidades onde já tem atos marcados para a sexta-feira:

Maceió/AL – ato às15h – Praça Centenário

Belém/PA – às 7h30, concentração em frente ao Banco do Brasil da Avenida Ponte Vargas e caminhada, a partir das 9h, do BB até a agência do INSS, na Av Nazaré.

Marabá/PA – pela manhã defronte do INSS e às 15h, seminário sobre reforma da Previdência na Faculdade Carajás

Belo Horizonte/MG – às 17h tem ato na Praça Sete. Na parte da manhã, sindicalsitas e militantes percorrerão com carro de som dois bairros populosos da capital – Barreiro e Venda Nova – explicando as perversidades da reforma de Bolsonaro e fazendo panfletagens.

Montes Claros, 16h – Ato na Praça Dr. João Alves (Praça do Automóvel Clube)

Brasília/DF – As entidades filiadas deverão realizar reuniões, seminários, assembleias, atos ou paralisações junto a suas bases, denunciando os perigos da reforma de Bolsonaro e construindo a Greve Geral.

Campo Grande/MS – 9h, paralisação com ato público, na Praça do Rádio Clube. Em todo o estado a FETEMS realizou assembleias com os trabalhadores, que aprovaram greve geral no dia 22.

Cuiabá/MT – ato às 16h, na Praça Ipiranga.

Florianópolis/SC – ato às 17h, no Ticen.

Blumenau – ato às 10h, em frente ao INSS

Joinville – às 14h tem ato na Praça da Bandeira

Fortaleza/CE – ato às 8h na Praça da Imprensa (bairro Dionizio Torres)

Juazeiro do Norte, ato às 16h, no Giradouro

Goiania/GO – às 6h, ato perto da Serra Dourada, na altura do KM 153 da BR

Mossoró, às 6h, manifestação na base da Petrobrás e, às 8h – concentração no INSS

Porto Alegre/RS – ato às 18h, na Esquina Democrática

Recife/PE – ato às 15h, na Praça  do Derby

Rio Branco/AC – ato às 8h, em frente à sede do governo do estado (Palácio Rio Branco), tem panfletagem também

Rio de Janeiro/RJ – ato às 16 na Candelária. Depois segue em caminhada até a Central do Brasil

Salvador/BA – ato às 9h, no Rótulo do Abacaxi.

São Paulo/SP – ato às 17h, em frente ao MASP, na Avenida Paulista

São Carlos – a partir das 9h, na praça em frente ao Mercado Municipal – Centro

Bauru, a partir das 14h, Audiência Pública na Câmara Municipal – Praça Dom Pedro II, 1-50 – Centro

Campinas, 10h00 – Ato dos professores e Servidores Públicos no Largo do Rosário, no centro; 16h30 – Concentração para o ato e panfletagem na rua 13 de Maio e diversos terminais de ônibus; 18h00 – Ato político com representante das centrais, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos sociais e sindicatos

Grande ABC, 7h – Caminhada com a participação dos sindicatos da região saindo da porta da Mercedes Benz e da Ford.

Teresina/PI – ato às 8h, na Praça Rio Branco, em frente ao INSS.

 

Fonte CUT

 

Rodoviários de Salvador prometem parar ônibus em protesto nesta sexta

Fonte: Da redação

Crédito da Foto: Aratu Online

  

Os rodoviários de Salvador prometem uma manifestação nesta sexta-feira (22/3), na Rótula do Abacaxi, em protesto contra o projeto da reforma da previdência, que será votado na Câmara dos Deputados, em Brasília.

LEIA MAIS: E-Nova: como a tecnologia aliada à gestão pedagógica ajuda os estudantes?

As informações foram confirmadas pelo diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, que afirmou, também, que não há previsão de término do ato.

Questionado sobre a possibilidade de paralisação dos coletivos que não passam pela Rótula do Abacaxi, Mota informou que o combinado é todos se reunirem na região, às 9h. Com isso, o transporte vai sair das garagens normalmente, durante o final da madrugada. Não há informações sobre protestos de outras categorias.

Fonte: Aratuonline