AMOR DE CARNAVAL SEMPRE ACABA NA QUARTA-FEIRA

Letícia Vidica

Já tive muitos amores de carnaval. O primeiro deles foi um garoto sardentinho (não me faça lembrar o nome, pois eu não recordo!) que eu conheci no meu primeiro baile de carnaval, aos 12 anos, no clube Esperança onde a tia Norma me levou para pular o carnaval. Nosso amor durou as duas primeiras horas do baile porque depois nos enchemos um do outro, tacamos confetes e serpentinas em ambos e decretamos o fim do começo da nossa história de amor.

O Pierre foi o meu segundo amor de carnaval e o meu primeiro beijo também. O conheci num baile de máscaras que a Lurdinha, minha amiga do colégio, fez na casa dela. Foi fixação a primeira vista. Lembro que, fiquei nervosa, quando ele me tirou para dançar, depois me ofereceu um copo de suco Tang (na época, eu mal sabia o que era uma cerveja) e me deu um selinho no final do bailinho.

O mais duradouro deles acho que foi o Fábio. Surfista, sarado, moreno jambo, um pecado em pessoa. Dos meus quinze anos até os dezoito sempre ia passar o carnaval na casa de praia da Aline, minha prima. Foi lá que eu conheci o Fábio e também foi com ele que engatei um amor de verão. Todo carnaval era batata: a gente ficava! Era tipo uma devoção, um hábito, um costume…era coisa de pele sabe? Os quatro dias do carnaval eram aproveitados intensamente, sem nenhuma cobrança, mas com um detalhe: sempre acabava na quarta-feira de cinzas. E a única certeza que tínhamos era de que, dali um ano, tudo começaria de novo. Depois de três anos de amor de folião, nunca mais nos vimos. Minha tia fez o favor de vender a casa e acabar com a minha folia. Cá estava eu, mais uma vez, pronta a encontrar mais um desses amores.

Jurei que, nesse carnaval, ia me internar num SPA ou ir acampar no meio do mato ou fazer um retiro espiritual. Talvez fosse lá que minha alma gêmea estava a minha espera, mas não – eu nunca cumpro o que prometo … Sabe onde eu estava? Cheia de tererês no cabelo, em meio a várias malas, com a Lili e a Betina cantando “A cor dessa cidade sou eu…” seguindo rumo a Salvador. Não me crucifique, sei que na Bahia não vou encontrar minha alma gêmea, mas quem sabe metade dela? Mais uma vez, fui convencida pelas minhas queridas amigas a curtir o carnaval na Bahia. Compramos as passagens e os abadas (caros, por sinal!) e agora enfrentávamos 3 horas de atraso de vôo, mas nada ia tirar a gente do sério… Com quase cinco horas depois do previsto, desembarcamos na Bahia.

Ô terra abençoada! Largamos as malas no hotel e fomos logo torrar no sol de Salvador. Muita gente bonita, sol, turistas, axé, água de coco e só alegria…e uma delas se chamava Jean Pierre, um francês que falava português (aprendeu num curso rápido) que estava hospedado no mesmo hotel. Primeiro, rolou uma amizade. E combinamos de irmos ver o trio passar juntos. Ele estava acompanhado de dois amigos brasileiros e embarcamos em bando para as ladeiras do Pelourinho.

No meio do caminho, a Lili foi conquistada pelo charme de um negão com todo o seu sotaque mole de um típico baiano. Os dois logo se perderam no meio daquela multidão de gente que se formava nas ladeiras de paralelepípedos. A Betina seguia conversando com um dos amigos do Pierre. Pareciam até que estavam se entendendo, mas assim que o trio passou do nosso lado, Betina se escafedeu e se perdeu na multidão.

A única que não conseguiu fugir foi eu porque o francês havia colado na minha …

– Estou adorando estar aqui no Brasil e conhecer uma mulher tão bela como você…

– Obrigada, mas me fala mais de você…

No meio da batida do Olodum, o Pierre me contou que era engenheiro e que estava de férias no Brasil. Tinha 28 anos e solteiro (pelo menos em solo brasileiro…) Passamos aquela noite e o resto dos outros dias juntos. O Pierre simplesmente não desgrudava de mim…

– Di, ta na hora de dar uns perdidos nesse francês, hein?

– Isso mesmo, Be… a gente vem curtir o carnaval da Bahia e você perde o melhor da festa…

– Se querem saber, o melhor daqui pra mim é o Jean Pierre, merci!

– Ah, não, Diana…amor aqui não rola…

Realmente, amor na Bahia não rolava não. O negócio era pegação e isso as minhas amigas aprenderam logo. Eu fui a única que preferi a exceção. Enquanto o povo fervia que nem pipoca atrás do trio, eu e o Pierre preferíamos a paz, o sossego e curtir nossos poucos dias de amor. Porém, tudo que é bom dura pouco e o carnaval era uma dessas coisas que duram muito pouco…

– Foi ótimo, Jean

– Te espero na França!

– Quem sabe… Demos um beijo e nos despedimos. E, mais uma vez, naquela quarta-feira de cinzas perdi mais um amor. É, mas ano que vem tem mais…

PAPO DE CALCINHA – E você, qual a sua história de carnaval?

papodecalcinha.blogspot.com

 

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