GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA

Apresentaremos a partir dessa edição sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

foto: Google

 

    MANIFESTAÇÃO DE 3 DE NOVEMBRO DE 1821

    A Bahia aderira às cortes de Lisboa, elegera deputados para elaborar a futura Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve e desconhecera a regência do príncipe dom Pedro, instituída com o regresso do rei dom João VI para Lisboa. Mas a revolução liberal-colonialista de 1820 se institucionalizara numa linha nacional – colonialista que defendia a continuidade do império colonial português. Nada de equivalência entre Portugal e Brasil.

Aclamada no desvio do 10 de fevereiro, a Junta Provisória de Governo da Província da Bahia atuava cada vez mais submissa a Lisboa e aos oficiais que comandavam a recém – chegada Legião Constitucional Lusitana. Também era acusada de roubo. No lado oposto, militares e civis brasileiros, alguns deles baianos, formaram uma organização da qual pouco se sabe, constando apenas que se originara de uma loja maçônica fundada na cidade do Salvador naquele 1821. Eles queriam a deposição da Junta Provisória. Tal exigência circulou com a edição manuscrita do Jornal O Morcego. Por último, chegou às ruas com a manifestação de 3 de novembro.

Pouco antes do meio dia, militares e civis armados subiram a ladeira da Praça, dirigiram-se para o prédio da Câmara, ocuparam-no e tocaram o sino convocando o povo. Em seguida, com o estandarte da Câmara erguido, foram para Casa dos Governadores exigir a imediata deposição da Junta. O coronel português Francisco de Paula e Oliveira reuniu soldados e comandou: “É guerra de brasileiros com europeus”. Agindo rapidamente, o brigadeiro Inácio luís Madeira de Melo ocupou a praça, as ruas Direita do Palácio e da Misericórdia, a Sé e o Terreiro de Jesus, com forte contingente da Legião Lusitana. Os manifestantes foram presos: tenentes coronéis José Egídio Gordilho de Barbuda e Felisberto Gomes Caldeira, majores Elói pessoa da Silva, José Gabriel da Silva Daltro e Antônio Maria da Silva Torres, capitães João Antônio Maria, José Antônio da Fonseca Machado, Luís Antônio da Silva Horta e Felipe Justiniano Costa Ferreira, cadete João Primo e civis João Carneiro da Silva Rêgo e José Avelino Barbosa. Depois de presos, seguiram sob escolta para o forte do Barbalho, de onde saíram transferidos para a fragata Príncipe dom Pedro, que os levou para Lisboa.

Nesse momento dia 3, e nos seguintes, ocorreram diversos choques entre soldados brasileiros do regimento de artilharia e os portugueses da Legião Constitucional Lusitana. Morreram vários soldados brasileiros. Apesar da manifestação de 3 de novembro permanecer com aspectos desconhecidos, parece que seu objetivo não terminava na deposição da Junta. Queria mais. É de se avaliar que existiriam ligações entre aqueles militares e civis e outros participantes no Rio de Janeiro de conspirações para separar o Brasil de Portugal. Ao menos ficou uma proclamação da Junta Provisória acusando-os de desejarem “a perfeita cisão entre o Brasil e Portugal”.

Leia no próximo sábado, 23, LEVANTE MILITAR PORTUGUÊS.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 

 

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