GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte II)

sábado, 23 março, 2019

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

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LEVANTE MILITAR PORTUGÊS

A política das Cortes Gerais para o Brasil definiu-se no segundo semestre de 1821, dirigida a neutralizar qualquer mínima possibilidade de existência de um governo executivo central em alguma província brasileira. Os decretos de 29 de setembro alteraram comandos militares no Brasil, subordinando-os a Lisboa, e marcaram o retorno do príncipe para Portugal.

A 31 de janeiro de 1822 realizou-se a eleição que modificou a Junta Provisória. Passou a ser composta por Francisco Alesbão Pires de Carvalho e Albuquerque, Francisco Vicente Viana, Francisco Carneiro de Campos, Francisco Martins da Costa, Cônego José Cardoso Pereira de Melo, tenente-coronel Manuel Inácio da Cunha Menezes e desembargador Antônio da Silva Teles. Alguns dias depois, chegou à cidade do Salvador a Carta Régia de 9 de dezembro de 1821 nomeando governador das armas o brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo, em substituição ao brasileiro Manuel Pedro de Freitas Guimarães. Logo se instalou uma situação de conflito.

Madeira de Melo tomou a iniciativa de requisitar o comando. Nesse sentido oficiou a Freitas Guimarães e aos comandantes dos fortes de São Pedro, Santo Antônio e Barbalho, exigindo que reconhecessem a sua autoridade. Em resposta, oficiais brasileiros do 1º regimento de infantaria, da Legião de caçadores, e do regimento de artilharia declararam que era ilegal aceitar um decreto de Lisboa sem a aprovação da Câmara. Não queriam Madeira de Melo no Governo das armas e para tanto orientaram a resistência que envolveu militares e civis brasileiros contra a sua nomeação. Antes que ela se manifestasse nos quarteis e nas ruas, o brigadeiro Madeira de Melo colocou as tropas portuguesas em prontidão e declarou que tomaria posse. Numa tentativa de conciliação, no dia 18 de fevereiro, a junta se reuniu com a Câmara e os comandantes militares e apresentou uma proposta para contornar a crise. Seria a formação de uma junta militar na qual estariam o brasileiro Freitas Guimarães e o português Madeira de Melo.

Madeira de Melo recusou. O dia 19 de fevereiro amanheceu com a ofensiva das tropas portuguesas. Atacaram o Forte São Pedro, onde se encontravam oficiais e soldados brasileiros das tropas regulares e de milícias, e os quartéis da Palma e da Mouraria. Foi no desdobramento do ataque ao velho quartel da Mouraria, na época vizinho ao convento da Lapa, que um gruo de soldados e marinheiros portugueses tentou invadir o recolhimento das religiosas concepcionistas, cujo claustro era totalmente vedado a homens. Ao forçarem o ataque, feriram mortalmente, com golpes de baioneta, a abadessa sóror Joana Angélica, que se colocara na porta do claustro, fechando-o, sendo também atingido o capelão do convento padre Daniel Nunes Silva Lisboa, com coices de armas. Retiradas às pressas, as freiras foram para o convento do Desterro. Na tarde do mesmo dia, o brigadeiro Madeira de Melo ordenou preparativos para o bombardeio do Forte de São Pedro e obrigou as religiosas do convento das Mercês a se retirarem para o convento da Soledade.

O forte de São Pedro foi intimado a se render. Os capitães Joaquim Sátiro da Cunha e Joaquim José Rodrigues e o tenente José Pedro de Alcântara mantiveram a decisão de resistir, no que foram acompanhados pelo cirurgião Sabino alvares da Rocha Vieira: Tentaram ganhar tempo adiando a resposta ao ultimato. Por fim, caindo a noite, começaram a retirada, que continuou durante todo o dia 20. A porta só foi aberta no entardecer, quando o tenente-coronel Bernardino Álvares de Araújo entregou a Madeira de Melo o termo de rendição. Na manhã de 21, o forte de São Pedro foi ocupado. Preso nesse dia, Manuel Pedro de Freitas Guimarães foi levado para bordo do São Gualter, embarcação que o conduziu a Lisboa.

 

 

Leia na próxima quarta, 27, RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.