GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte III)

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

 

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foto: blog do Bozó

RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO

Concluída a ocupação militar da cidade do Salvador, Madeira de Melo adotou a linha política que visava justificar as decisões que tomara e obter apoio local para manter a Bahia unida a Portugal. Divulgou uma proclamação afirmando desejar “que a harmonia torne a estabelecer-se entre tantos milhares de cidadãos de uma mesma nação, súbditos de um mesmo rei, e que só devem considerar-se entre si como irmãos”. Em verdade o governo de Portugal e ele esperava uma luta demorada. A 18 de março chegou o reforço das tropas portuguesas comandadas pelo brigadeiro Francisco Joaquim Carreti, pouco antes expulsas do Rio de Janeiro pelos acontecimentos do Fico e ordem do príncipe dom Pedro. Outros reforços seriam enviados nos meses seguintes.

Número apreciável de famílias abandonou a cidade do Salvador e se dirigiu para Santo Amaro, São Francisco do Conde, Cachoeira e Maragogipe. Em abril já existiam várias conspirações contra o governo militar que o brigadeiro Madeira de Melo estabelecera. Algumas tendiam para o reconhecimento da autoridade de dom Pedro. Outras aceitavam o relacionamento político com as cortes de Lisboa. A definição dos baianos ocorreu entre maio e junho de 1822, para o que influiu a carta-consulta de 22 de março, redigida e assinada por deputados baianos no espirito conciliador do parecer da Comissão Especial dos Negócios do Brasil daquela assembleia. Ainda assim, ou talvez por isso, uniu proprietários de engenhos e plantações de cana-de-açúcar, oficiais militares e intelectuais na posição a favor do reconhecimento da regência deixada no Rio de Janeiro pelo rei D. João VI e aceitação da autoridade do príncipe dom Pedro. Redigida pelo jovem Bacharel Francisco Gomes brandão, que depois passaria Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, o jornal O Constitucional estabeleceu: “Defendemos, e havemos de defender a proposição de ter o Brasil hum Centro de Poder Executivo”.

Os partidários do reconhecimento da autoridade do príncipe tentaram uma decisão na Câmara da cidade do Salvador. Marcada para se reunir no dia 12 de junho, as tropas portuguesa bloquearam as ruas da Misericórdia e Direta do Palácio, a praça da Câmara e todas as vias de acesso ao prédio do Senado da Câmara. A reunião foi proibida. Dois depois (14 de junho) reuniu-se a Câmara de Santo Amaro, com a participação do ouvidor da comarca, desembargador Antônio José Duarte de Araújo Gondim, dos vereadores João Lourenço de Ataíde Seixas, Antônio de Araújo Gomes Júnior e Raimundo Gomes Martins, do juiz de Fora e presidente da Câmara, Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, do procurador da vila, Joaquim José Ribeiro Guimarães, de oficiais graduados das milícias, religiosos, Miguel Calmon DU Pin e Almeida, advogados, médicos e professores. A Câmara decidiu: “Que haja no Brazil hum centro único de Poder Executivo; que este Poder seja exercido por sua Alteza Real o Príncipe Regente”.

A partir dessa decisão é possível encontrar uma sequência de preparativos na Bahia para o reconhecimento da autoridade do príncipe dom Pedro, já então aclamado no Rio Janeiro Defensor Perpétuo e Constitucional do Brasil. Realizou-se em 21 de junho uma reunião secreta de proprietários, lavradores e militares. Em 24 de junho concentraram-se soldados e oficiais milicianos armados sob comando dos grandes proprietários e coronéis de milícias José Garcia Pacheco de Moura Pimentel e Aragão e Rodrigo Antônio Falcão Brandão, no sítio de Belém, povoado acima da Vila da Cachoeira.

 

 

Leia no próximo sábado 30, RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DE DOM PEDRO.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 

 

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