GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA (parte V)

 

 

Apresentaremos nessa edição e sempre as quartas e aos sábados um breve histórico sobre os importantes acontecimentos e episódios que marcaram a História da Bahia. A biografia é do professor doutor Luís Henrique Dias Tavares. Vale a pena conhecer, boa leitura.

 

Batalha de Pirajá

      Travou-se a batalha de Pirajá na área de Cabrito – Campinas – Pirajá. Ela começou na madrugada de 8 de novembro com o desembarque de 250 soldados portugueses em Itacaranha e Plataforma. Eles avançaram sobre o Engenho Cabrito ao tempo em que chegavam por terra os que atacaram Pirajá. No seu todo, a batalha teria durado oito horas. Movimentou quatro mil homens, constituindo-se desde então na mais alta demonstração da resistência brasileira ao longo da cansativa campanha militar pela independência. Sabemos, no entanto, muito pouco dessa batalha. Tudo o que existe é o comunicado de Labatut para o Conselho interino, datado de 9 de novembro, no qual informou que as forças de Madeira de Melo foram “obrigadas a ceder pelo valor, e denodo das bravas tropas pernambucanas, e do Rio de Janeiro, como também pelos soldados da Legião da Bahia”; a carta que escreveu ao ministro José Bonifácio de Andrada e Silva; e as noticias publicadas nos jornais Semanário Cívico e Idade d`Ouro. Por causa da escassez e imprecisão dos informes, passou-se a dar crédito à versão de Ladislau  dos Santos Títara, autor do poema “Paraguassu” e a quem se respeita como testemunha ocular da campanha militar pela independência, pois exerceu o encargo de registrar “em livros” toda a correspondência do general Labatut. A versão de Títara foi aceita por Inácio Accioli e Brási do Amaral (Memórias históricas e políticas da província da Bahia, v.III e IV). Apresenta o cabo-corneta Luís Lopes salvando o exército brasileiro com um toque de “avançar a cavalaria, e sucessivamente à degola”, ao contrário do toque de retirada que teria ordenado pelo tenente-coronel Barros Falcão. Nas informações de Labatut, nas noticias dos jornais portugueses Semanário Cívico e Idade D´Ouro, aparecem a tenacidade dos oficiais e soldados brasileiros, regulares, milicianos e voluntários, e o erro tático do coronel português Francisco José Pereira, que atacou pela esquerda e abriu para Armações e Boca do Rio, assim enfraquecendo o centro do ataque a Campinas – Pirajá, o que concedeu ao tenente-coronel Barros Falcão (Labatut não participou da Batalha de Pirajá) uma brecha para a ofensiva.

Labatut escreveu na proclamação de 11 de novembro aos soldados: “O dia 8 de novembro de 1822 vos faz cada vez mais certos de que esses lusitanos são além de fracos, indignos de temor…tivemos a audácia, e valor de repelir, e ceifar”. Deve-se registrar que onze dias depois da batalha da Mata-Escura e Saboeiro atacaram Pirajá, ao que se supôs na época enganos por suposta promessa de Madeira de Melo de libertá-los da escravidão se aderissem aos portugueses. Cinquenta homens e vinte mulheres foram aprisionados. Os homens foram fuzilados e as mulheres chicoteadas.

Posições do Exército brasileiro

Em novembro de 1822, dia 24, alguns batalhões do Exército brasileiro saíram de Armações para Campinas de Brotas, posição que facilitou ataques a Boa Vista de Brotas. Para Graça/Vitória foi deslocada uma uma companhia do 1º batalhão da Torre, sob o comando dos alferes José Nunes da Silva Aguiar. Em dezembro, grupos de emboscadas atacaram o engenho da Conceição, Ubaranas, Cabula e Resgate. Ao começar o ano de 1823, o Exécito brasileiro já estava em Brotas, Graças, Cabula e Engenho da Conceição.

Madeira de Melo contou com o reforço de 1.300 soldados vindos da Europa. Isso atemorizou Labatut, levando-o à posição defensiva e imobilista, logo criticada pelo Conselho Interino. Com essas forças, Madeira de Melo ordenou ataque à ilha de Itaparica e a Barra do Paraguaçu, pontos vitais para garantir o cerco da cidade do Salvador. Os soldados portugueses encontraram tenaz resitência. Na defesa da Barra do Paraguaçu destacou-se Maria Quitéria de Jesus, soldado do batalhão Voluntários do Príncipe.

Resultado de imagem para 2 de julho

Monumento A Maria Quitéria, sildado herói do Brasil, Lapinha em salvador

Em abril, existiam cerca de treze mil homens nas fileiras das forças armadas brasileiras. Ao Exército unira a flotilha de barcos e saveiros comandadas pelo tenente João Francisco de Oliveira Botas, responsável pelo bloqueio dos rios Jaguaripe e Paraguaçu. Por sugestão do marechal Felisberto Caldeiras Brant Pontes, o ministro José Bonifácio convidou o almirante inglês Lord Crochrane, que se encontrava no Chile, para organizar e comandar a Marinha do Brasil. Ele assumiu o posto em março de 1823, quando saiu do Rio de Janeiro para limpar a Baia de Todos os Santos dos navios de guerra portugueses comandados por pelo chefe de divisão João Félix Pereira de Campos. A esquadra brasileira era composta de uma nau, uma fragata, duas corvetas e dois brigues. A essa altura da guerra ( primeiros cincos meses de 1823), ocorriam episódios cuja repercussão no Brasil em guerra com Portugal não está resolvida. Sucedeu em Portugal o levante militar Vila Franca de Xira, do que resultou o rei D. João VI recuperar as suas prerrogativas absolutistas, o Congresso português ser fechado e a Constituição de setembro de 1822 deixar de existir. Sob grande pressão, em 3 de maio se instalou no Rio de Janeiro a primeira Assembleia Nacional Constituinte e Legislativa do Brasil. Seis dias após, Madeira de Melo destituiu a Junta Provisória elita em janeiro de 1822 e empolgou o poder político. Ficou único no governo e na administração da cidade do Salvador. Do quartel de Pirajá, Labatut dirigiu estranho ofício ao tenente-coronel Barros Falcão, indagando-lhe a que obedecia, se a ele, comandante-em-chefe do Exército brasileiro em operação de guerra ou ao “governo de Pernambuco’. Intrigas e denúncias espalhavam que jovens oficiais brasileiros comentavam que o título de imperador ofertado a dom Pedro I só seria autêntico quando fosse votado e aprovado pela Assembleia Constituinte.

 

 

Leia no próximo sábado 06/04, a parte final.

 

Fonte bibliográfica

TAVARES, Luís Henrique Dias, 1926-

História da Bahia/ Luís Henrique Dias Tavares.

–São Paulo : Editora UNESP : Salvador, BA :

EDUFBA, 2001.

 

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