Redação Nota mil

 

Uma boa redação termina de forma incisiva, dando ao leitor a sensação de ter sido esgotado o plano do autor, logrando o emissor obter o objetivo pretendido. Há, assim, correlação entre introdução e conclusão, porque esta última resolve a proposta do texto”.

 

Um quadro: tela e moldura

 (Autor, 1991)*

O homem é um ser eminentemente social e, como consequência dessa natureza, está sujeito às imposições ou determinações da sociedade que o abriga. Inegavelmente discriminadoras, tais determinações visam ao benefício de um pequeno grupo, que denominamos “elite”, em detrimento da grande parte restante, essencialmente inconsciente, que chamamos de “massa”.

Toda tela precisa de uma moldura para se constituir num verdadeiro quadro. Essa realidade em pedaços vem levar-nos a refletir sobre o grupo minoritário, porém poderoso, que à custa da massa oprimida, constituindo o verdadeiro sistema capitalista, que mediante reflexão radical, seria um “egossistema”.

Há a necessidade de ter a massa envolvida, enlaçada nos efeitos paralisantes do eficiente mecanismo usado pela elite – o discurso ideológico. Esse envolvimento gera passividade, e esta, legitimação dos valores. Há a necessidade de todos se envolverem com o sistema manipuladoramente paternalista, e o não envolvimento pode causar amargas consequências ao arrojado individuo que o tentar. Não será “este perturbador da ordem” perseguido pela elite como subversivo, assim como o alvo é pelo cartucho? Não o seria, se todos não “tirassem sempre o chapéu” e “comessem só que `eles` dão”, sem saber se o que está ingerindo é bom ou ruim, benéfico ou maléfico.

Assim, resta-nos concluir que todas as diretrizes que seguimos são a moldura da tela que o “pintor”, o sistema capitalista, deseja retratar – a manipulação ideológica. E mediante o desenho em que nos baseamos, entende-se que tal manipulação está para o sistema assim como a tela.

 

A ENXADA E A CANETA

A caneta e a enxada são instrumentos úteis ao homem, justificam, aparentemente, uma relação de oposição entre o engajamento e a alienação que, segundo Hegel, tendem a uma aproximação. Mas em que medida a enxada caracteriza o ser dominado diante da caneta, como ser dominador?

O sistema capitalista a que somos submetidos é estruturado, fundamentalmente, pela exploração do homem pelo homem, no qual o “poder” é análogo ao “ter”. Uma minoria elitizada domina uma massa alienada, segundo os interesses egoisticamente unilaterais da classe dominante.

Embora a caneta e a enxada mostrem interesses opostos e conflitantes, há profunda identificação, na medida em que ambos os instrumentos coexistem, isto é, não há dominador sem dominado e nem elite sem massa, em nossa sociedade. Enquanto a caneta simboliza a consciência e a enxada, a ignorância, o primeiro prevalecerá sobre o segundo, pois o conhecimento gera dominação, e esta passividade.

Assim, ambos são a antítese que se sintetizam na estrutura social capitalista.

Fontes bibliográficas:

Os Autores dessas obras foram aprovados no Vestibular da FUVEST, para o curso de Direito (1992).

 

 

 

 

 

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