Bienal do livro abre as portas ao público com homenagem a Maurício de Sousa

sábado, 31 agosto, 2019

E anuncia mais quatro nomes internacionais na programação: Penelope Douglas, Tara Sivec, Franggy Yanes e Sofia Silva

Jornal do BrasilCADERNO B, cadernob@jb.com.br

Criador de personagens que há seis décadas encantam gerações, o cartunista Mauricio de Sousa chegou ao Pavilhão das Artes da XIX Bienal do Livro causando frisson entre “crianças” de todas as idades. Vários adultos, fãs de Mônica, Cebolinha e Cascão, emocionaram-se ao encontrar o autor, que recebeu uma homenagem da Bienal pelos 60 anos de seus quadrinhos. Nesta manhã, ele inaugurou um mural de 210 metros quadrados no novo espaço do evento, com imagens de todas as fases de seus personagens e um enorme estêncil em que Maurício aparece brincando com Bidu, obra assinada pela artista urbana Simone Siss, que estava presente.

Macaque in the trees
Maurício de Souza na Bienal do Livro do Rio (Foto: Divulgação)

O cartunista autografou o painel e, em seguida, desenhou Bidu na placa comemorativa: “Ele foi meu primeiro personagem e se tornou um símbolo do meu estúdio “, contou.

Entre os fãs, a estudante catarinense Laura Flôr, de 16 anos, não parava de chorar: “Aprendi a gostar de ler por causa dos gibis dele!”, contou, enxugando as lágrimas.

Na Bienal mais diversa e inclusiva de todos os tempos, o autor e cartunista, que nos últimos anos vem criando diversos personagens com deficiências, falou sobre a importância da inclusão: “Sempre é uma coisa positiva, estamos somando personalidades, vontades, ideias. Esse é o segredo do progresso e da evolução. Estamos colaborando com isso com gibis, filmes, com tudo”, resumiu.

Durante a cerimônia de abertura do evento, que este ano faz uma reverência ao Japão e sua cultura, Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) ressaltou a importância da leitura e da valorização da educação: “Nosso país trilha um caminho perigoso que pode agravar a desigualdade”. E lembrou que a leitura pode ajudar a mudar esse cenário. “Promovemos com o Pró-Livro uma pesquisa do impacto do ato de ler no rendimento dos alunos. Os resultados indicam que ainda há muitas dificuldades e é preciso investir mais, tanto nos professores quanto nos alunos, a partir da leitura. A cada ataque à educação é preciso dobrar o acesso aos livros”, disse, destacando que Ana Maria Machado e Ruth Rocha são as grandes homenageadas da edição da Bienal 2019.

MAIS AUTORES INTERNACIONAIS AGITAM PROGRAMAÇÃO DA BIENAL

Nesta sexta-feira, mais quatro nomes internacionais confirmaram presença na XIX Bienal do Livro Rio. Penelope Douglas, Tara Sivec, Franggy Yanes e Sofia Silva farão parte do maior evento literário do Brasil com agenda e programação nos estandes de suas editoras.

Na The Gift Box Editora, a lista de autores inclui duas americanas e um venezuelano. Com títulos reconhecidos pelo The New York Times e The Wall Street Journal, e traduzida em mais de 14 países, a romancista americana Penelope Douglas, que assina os títulos “Birthday Girl” e “Punk 57”, será uma das estrelas. O time de talento estrangeiro da editora, inclui, ainda, a escritora Tara Sivec, cujo nome figura na lista de best-sellers do USA Today. Moradora de Ohio, ela se classifica como esposa, mãe, chofer, empregada doméstica, cozinheira de curta duração, babá e especialista em sarcasmo. Ela é responsável pela trilogia The Naughty Princess Club, que terá série completa na Bienal. Para os fãs, essa é uma vitória: é a primeira vez que os livros serão oferecidos juntos para o público. A primeira parte da coletânea foi lançada em março.

Já o fotógrafo venezuelano Franggy Yanes traz o livro “Next Door Journal: um projeto de amor ao Brasil” pelo novo selo da The Gift Box Editora, The Gift Book, voltado para projetos alternativos e culturais dentro da literatura. Há dois anos ele veio ao país para um evento e se apaixonou. Como bom desbravador de novos cenários e entusiasta das mais diversas culturas, Yanez deu vida ao projeto retratando através de suas lentes as belezas encontradas pelos estados que visitou.

Consagrada junto aos leitores brasileiros na última Bienal do Livro Rio, em 2017, Sofia Silva volta ao evento para lançar “Destinos Quebrados” e, mais uma vez, integrar a programação oficial. A autora portuguesa participará do debate “Vamos falar sobre luto” no Café Literário, dia 7 de setembro, às 12h. Haverá, ainda, uma sessão de autógrafos no estande da Editora Valentina (Pavilhão Verde, estande 72, Rua O), no dia 1º, às 15h.

Com investimento de mais de R$ 44 milhões, o festival é uma realização do Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) e da GL exhibitions , apresentado pela Microsoft e com patrocínio master do Banco Itaú. O evento conta com apoio da lei federal de incentivo à cultura, através da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, e da lei municipal de incentivo à cultura da cidade do Rio de Janeiro, lei do ISS.

Agenda: Penelope Douglas / Bate papo e sessão de autógrafos no estande da The Gift Box Editora / Datas: 31 de agosto de 2019, às 18h e 01 de setembro de 2019, às 20h. / Local: Pavilhão 3 – Estande Gift Box – M05

Tara Sivec / Bate papo e sessão de autógrafos no estande da The Gift Box Editora / Data: 31 de agosto de 2019, às 20h e 01 de setembro de 2019, às 18h / Local: Pavilhão 3 – Estande Gift Box – M05


São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, são as quatro maiores cidades do país, com 11,8% da população

quinta-feira, 29 agosto, 2019

Os quatro municípios mais populosos do país concentram 24,87 milhões de habitantes. Segundo dados de estimativa populacional divulgados hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as populações de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador concentram 11,8% da população brasileira, que hoje chega a 210,1 milhões de pessoas.

Com quase 3 milhões de habitantes, Salvador está entre as quatro maiores cidades do país

De acordo com as estimativas do IBGE, o município de São Paulo continua sendo o mais populoso do país, com 12,25 milhões de habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 6,72 milhões de habitantes, Brasília, com 3 milhões, e Salvador com 2,9 milhões de habitantes.

Já os municípios com menor população são Serra da Saudade (MG), com 781 habitantes, Borá (SP), com 837 habitantes, e Araguainha (MT), com 935 habitantes.

Serra da Saudade (MG), com 781 habitantes, é o município com menor população do país

Segundo o IBGE, 324 municípios têm mais de 100 mil habitantes. Juntos eles são apenas 5,8% do total de 5.570 municípios do país, mas respondem por 57,4% da população brasileira ou 120,7 milhões de habitantes, sendo que 48 deles têm mais de 500 mil habitantes.

Por outro lado, 3.670 municípios – 68,2% do total – são habitados por menos de 20 mil pessoas. Juntos eles têm 32 milhões de habitantes ou 15,2% da população total do país.

Dos 5.570 municípios do país, 28,6% apresentaram redução populacional. Aproximadamente metade (49,6%) dos municípios tiveram crescimento entre zero e 1% e apenas 4,8% (266 municípios) apresentaram crescimento igual ou superior a 2%. (Agência Brasil).

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40 anos da Anistia: mulheres foram pioneiras na luta durante ditadura militar

quarta-feira, 28 agosto, 2019
foto Google

Lei foi promulgada por Figueiredo em 28 de agosto de 1979

FolhaPressPAULA SPERB

Homens eram proibidos, por regimento, de participar do primeiro grupo nacional organizado para exigir da ditadura militar (1964-1985) a anistia de presos políticos e exilados.

Em abril de 1975, oito mulheres lideradas por Therezinha Zerbini (1928-2015), casada com um general, reuniram-se em São Paulo para redigir o manifesto do Movimento Feminino Pela Anistia (MFPA).

Elas precederam organizações que surgiriam mais tarde, como o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), em 1978. A Lei da Anistia foi promulgada em 28 de agosto de 1979, por João Batista Figueiredo (1979-1985), o último presidente do regime militar.

O texto escrito por elas dizia que o Brasil “só cumprirá sua finalidade de paz se for concedida anistia ampla e geral a todos aqueles que foram atingidos pelos atos de exceção”.

Resultado de imagem para mulheres na luta pela anistia

Não demorou para que surgissem os grupos espalhados por todo Brasil, o mais forte deles do Rio Grande do Sul, criado dois meses depois com presença da socióloga Lícia Peres (1940-2017) e da escritora Mila Cauduro (1916-2011).

Um abaixo-assinado pela anistia feito no mesmo ano reuniu 12 mil assinaturas, 8.000 delas obtidas pelas gaúchas. O estatuto do núcleo de Porto Alegre defendia que lutar pela anistia era também lutar pela “família brasileira”.

“À primeira vista, defender o reencontro das famílias separadas não parece frontalmente contrário ao regime. Era uma estratégia delas falar sobre política dando a impressão de que não se falava sobre. Era um período ainda muito perigoso para falar contra a ditadura. Mesmo com a abertura gradual prometida por Geisel, os mecanismos como o AI-5 [Ato Institucional nº 5], os órgãos de repressão, a Lei de Segurança Nacional, tudo continuava”, disse à Folha de S.Paulo Carla Rodeghero, professora titular do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

As mães de filhos torturados ou assassinados pela ditadura tentavam sensibilizar os “gorilas”, como eram chamados os militares.

“Gorila não foi filho de chocadeira [sem mãe]. Mesmo os gorilas tinham mãe e havia um certo respeito. E quando a gente se investia do papel de familiar. Eu me investia do papel de mulher do general e eles se enquadravam, viu? Principalmente a mãe. Mãe todo mundo tem”, disse Zerbini à pesquisadora Ana Rita Fonteles Duarte, autora de tese de doutorado sobre o tema defendida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2009.

“Como mães, elas passavam a exigir o reaparecimento dos corpos. Mostravam que as pessoas desapareciam nas mãos do Estado. As mulheres foram as protagonistas. Muitas delas encarnavam ao mesmo tempo o papel de esposa, de irmã, de filha de militantes, de colgas de desaparecidas ou eram militantes elas próprias”, afirmou Roberta Baggio, professora de direito constitucional na UFRGS e conselheira da Comissão da Anistia, entre 2007 e 2016.

Para Baggio, a Lei da Anistia acabou “não saindo como a anistia reivindicada” porque os “militares conseguiram fazer ao molde deles”.

A lei permitiu o regresso de diversos militantes que estavam exilados no exterior, mas deixou impune os crimes cometidos pelo braço repressor da ditadura.

Baggio afirma que, para uma transição democrática efetiva, a responsabilização dos agentes do Estado era necessária, colaborando para diminuir discursos de apoio à tortura que ainda persistem, por exemplo.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o ex-ministro da Justiça e da Defesa Nelson Jobim, atuou para evitar a evitar a revisão da lei. Ele foi ministro

Jobim foi ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) de 1995 a 1997, ministro do STF indicado por FHC de 1997 a 2006 e ministro da Defesa nos governos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) de 2007 a 2011.

“Nenhum ex-presidente quis enfrentar essa situação. Nem Fernando Henrique Cardoso, nem Lula, nem Dilma, nenhum. Quando vai jogando para baixo do tapete, uma hora esse tapete não aguenta mais e o que está embaixo vem à tona”, disse a professora da UFRGS.


IBGE: Brasil atinge marca de 210 milhões de habitantes, diz IBG

quarta-feira, 28 agosto, 2019

São Paulo permanece como o estado mais populoso, com 45,9 milhões de pessoas.

A população brasileira foi estimada em 210,1 milhões de habitantes, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número representa um aumento de 0,79% na comparação com a população estimada do ano passado.

Publicado no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira (28), a estimativa com o total de habitantes dos estados e dos municípios se refere ao período de 1º de julho deste ano.

São Paulo permanece na frente como a unidade da federação com mais habitantes: 45,9 milhões de pessoas. Ano passado, a população paulista era de 45,5 milhões – um aumento de de mais 380,1 milhões de pessoas.


Após denúncias, MP recomenda que prefeitura de Coité anule prova do Conselho Tutelar

terça-feira, 27 agosto, 2019

Gestão deve pagar uma empresa especializada na aplicação de prova de concurso

 

[Após denúncias, MP recomenda que prefeitura de Coité anule prova do Conselho Tutelar]
Foto : Secom/ Prefeitura de Conceição do Coité

Por Juliana Almirante no dia 27 de Agosto de 2019 ⋅ 11:20

A 1ª Promotoria de Justiça do município de Conceição de Coité, na região sisaleira, recomendou que a prefeitura da cidade anule a aplicação de provas do processo seletivo de escolha os conselheiros tutelares da cidade. O certame foi realizado no dia 14 de julho.

A recomendação foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico de ontem (26) e assinada pela promotora Pollyana Quintela Falconery.

Para o MP, a prefeitura deve pagar uma empresa especializada na aplicação de prova de concurso, a fim de garantir a lisura da aplicação da prova.

A promotoria recebeu dez representações que apontavam irregularidades como violação do envelope de provas pela presidente da comissão do concurso; ausência de correspondência das questões da prova com as do gabarito; ausência da assinatura da folha de resposta que continha o local para preencher as respostas; ausência da assinatura da ata dos três últimos candidatos; questões com assertivas a mais das que continham no gabarito.

Com a recomendação, a prefeitura deve encaminhar  ao MP, no prazo de 15 dias, as informações sobre as providências adotadas.

Metro 1


Pedetistas fazem ato em Salvador para homenagear Getúlio Vargas no dia de seu suicídio

segunda-feira, 26 agosto, 2019

Militantes do PDT e simpatizantes de Vargas relembraram o 24 de agosto de 1954 com discursos e leitura da carta-testamento.

Vários militantes do PDT baiano foram prestar homenagem a Getúlio Vargas

A Estação da Lapa, que é a maior de Salvador para ônibus urbanos, viveu uma manhã diferente de sábado. Um grupo de lideranças e militantes do PDT se reuniu à frente de sua entrada principal para render homenagens à Getúlio Vargas, o presidente brasileiro que, em 24 de agosto de 1954, deu um tiro no próprio coração com um revólver Colt calibre 32 para, como o próprio Vargas deixou escrito em sua famosa carta-testamento, sair da vida “para entrar para a história”.

Roberto Rodrigues, do movimento Negro do PDT, fala ao lado de Alexandre Brust

Os militantes se reuniram em torno do monumento que, em 2004, foi erguido à frente da entrada da Estação da Lapa para lembrar a data que abalou o Brasil. Ouviram os hinos nacional e da Bahia, e muitos discursaram, sempre ressaltando a importância de Getúlio Vargas para a política brasileira e a vida das pessoas do país, principalmente as mais pobres. O Presidente da Executiva Municipal do PDT, Alexandre Brust, leu a carta-testamento de Vargas, cujo texto integra o monumento da Estação da Lapa.

Eduardo Rodrigues, ao lado de Alexandre Brust, fala da importância da Vargas para o Brasil

“O suicídio de Vargas foi em reação a uma campanha subterrânea de grupos internacionais, que se aliaram a grupos nacionais golpistas com o intuito de bloquear a legislação trabalhista e o projeto desenvolvimentista que vinha sendo posto pelo presidente. Já havia um golpe em curso. Com seu ato de total entrega ao seu país, Getúlio fez com que o povo atentasse para o importante momento histórico e se levantasse contra os golpistas, que recuaram. Getúlio, então, deu a vida pela liberdade do Brasil”, lembrou Alexandre Brust.

Avanços da era Vargas

Também presente ao ato, Eduardo Rodrigues, Vice-Presidente Nacional da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, fez questão de lembrar os vários avanços do Brasil sob a administração de Getúlio Vargas, do campo trabalhista aos direitos da mulher, da criação de diversas empresas estatais à implantação do salário mínimo. “Getúlio Vargas ainda é para todos nós um exemplo de político brasileiro que pensou o país e o impulsionou para o progresso. E mais ainda, fez tudo isso sempre com proteções e vantagens ao povo mais humilde de nossa sociedade”.

Getúlio Vargas é o maior personagem da histórica da política brasileira após 1930

Com o evento deste sábado, o PDT da Bahia deu seguimento a uma série de eventos que estão sendo realizados já com vistas à organização para as eleições municipais de 2020. O partido pretende entrar forte na disputa, com candidato próprio para a prefeitura e bons nomes para a disputa por cadeiras na Câmara de Vereadores.

Fonte:  http://www.intwriordabahia.com.br

 


Sombra do que já foi, G7 se reúne ofuscado por agendas domésticas

sábado, 24 agosto, 2019
FolhaPressLUCAS NEVES

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Palco de construção de consensos sobre questões econômicas e geopolíticas desde 1975, a cúpula do G7, o clube dos países mais industrializados do mundo, chega a sua 45ª edição neste sábado (24) em crise de identidade.

A agenda doméstica devora qualquer vislumbre de concertação dos países participantes em torno de soluções para dilemas globais.

EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá andam ensimesmados, entregues a turbulências internas dos mais diversos feitios.

Em Biarritz (sul francês), talvez só a resposta aos incêndios em curso na Amazônia seja capaz de congregar os sócios do grupo em torno de um foco comum –ainda que o retrospecto ambiental de Donald Trump e sua aparente simpatia por Jair Bolsonaro sugiram que os americanos não irão subscrever reprimendas a Brasília.

No rol do “farinha pouca, meu pirão primeiro”, há, de início, a guerra comercial entre EUA e China, que teve nesta sexta (23) mais um capítulo.

Os chineses anunciaram novas tarifas sobre 5.000 artigos americanos, em retaliação aos US$ 300 bilhões (R$ 1,1 trilhão) em tributos que passarão a ser cobrados pelos EUA.

A queda de braço e o clima de instabilidade que ela enseja repercutem globalmente, afetando economias como a alemã, altamente dependente de exportações –o PIB da maior potência europeia retraiu no segundo trimestre de 2019.

O clima plúmbeo em Berlim é reforçado pelo fato de a chanceler Angela Merkel, no posto desde 2000, ter anunciado a intenção de deixá-lo ao fim de seu mandato, em 2021.

Já há quem acredite que o folhetim do brexit não termine até lá. Em curso desde 2016, quando um plebiscito definiu a separação, o vaivém sobre os termos do adeus britânico ganhou novo “roteirista-chefe”, o premiê Boris Johnson.

Primeiro-ministro desde o fim de julho, ele se mostra disposto a levar o processo a termo até 31 de outubro, com ou sem aprovação do acordo de “divórcio” por seu Parlamento.

O líder conservador insiste para que a UE aceite tirar do pacto o “backstop”, mecanismo concebido para evitar a volta de controles alfandegários na fronteira entre a Irlanda (membro da UE) e a Irlanda do Norte (integrante do Reino Unido) –caso não se encontre solução melhor.

A ideia de uma união aduaneira temporária é inconcebível para Londres, que vê aí o risco da permanência de uma ingerência europeia em sua política comercial.

Johnson deixou claro, em visitas a Macron e Merkel nesta semana, que não há entendimento possível enquanto o “backstop” não for descartado.

Foi instado, com maior (em Berlim) ou menor (em Paris) simpatia, a sugerir uma alternativa nos próximos 30 dias, a tempo da reunião de setembro do Conselho Europeu (colegiado de líderes).

Na verdade, trata-se de um jogo de cena bem ensaiado entre França e Alemanha para não serem acusados de ter forçado o “no deal”, a saída sem acordo.

Até porque, na sexta, deputados britânicos partidários da ruptura brusca disseram que o “backstop” não é o único empecilho.

De seu lado, a Itália envia ao G7 um premiê demissionário, Giuseppe Conte, que pediu as contas depois de a Liga, partido de ultradireita que governava em coalizão com o Movimento 5 Estrelas, retirar-se da gestão. Roma também está às voltas com uma economia anêmica e uma dívida pública fora de controle –que representa mais de 130% de seu PIB.

Os solavancos atingem até o ameno Canadá. O premiê Justin Trudeau, até há pouco tido como modelo de liderança carismática e idônea, está em maus lençóis desde que a procuradora-geral do país disse ter sofrido pressão dele para não levar adiante um processo contra uma grande empreiteira nacional.

Na semana passada, um relatório independente confirmou que ele infringiu a lei que rege o conflito de interesses na administração pública. Devido ao imbróglio, as intenções de voto no partido Liberal (governista) nas eleições de outubro deste ano derreteram.

Por fim, o Japão viu na quinta (22) a Coreia do Sul cancelar um acordo de cooperação militar, em mais uma etapa da recente escalada de tensões entre os dois países. Com a decisão, as desavenças políticas e comerciais entre Seul e Tóquio agora se estendem para algumas das questões de segurança mais sensíveis da região.

A crise no estreito de Hormuz (golfo Pérsico) após a apreensão de um petroleiro britânico pelo Irã também estará na pauta do G7. O episódio se insere num contexto de deterioração das conversas para salvar o acordo sobre o programa nuclear de Teerã após a saída dos EUA, em 2018.

O anfitrião Macron tentará obter de Trump o relaxamento de sanções que voltaram a ser impostas ao governo iraniano –em troca de um compromisso dos persas de respeitar os termos do pacto em vigor.

A Rússia, suspensa do clube (então G8) em 2014, depois de invadir a Ucrânia e anexar a Crimeia, também estará nos corações (ou talvez num só coração, o de Trump) e mentes em Biarritz. O presidente americano, apesar de ter retirado seu país do tratado de armas de alcance intermediário com a Rússia (que respondeu fazendo o mesmo), faz lobby pela volta de Moscou.

Alemanha e Grã-Bretanha disseram nos últimos dias, porém, que ainda não é o momento de readmitir Putin. Macron recebeu o russo nesta semana para tentar pavimentar um regresso, mas nada concreto deve sair da cúpula de agora.

Por causa das divergências, não haverá na segunda (26) uma declaração final referendada pelos líderes. Da última vez que se tentou isso, em 2018, no Canadá, Trump retirou sua anuência depois da divulgação do comunicado e ainda acusou Trudeau de desonestidade.

A verdade é que o G7 é hoje uma sombra do que já representou. Congrega 40% do PIB mundial e 12% da população.

Talvez por isso Macron tenha convidado ao encontro seus homólogos na Índia, na Austrália, no Chile e na África do Sul. Em suas palavras, em entrevista coletiva na quarta (21), é tempo de “defender um multilateralismo contemporâneo, renovando-o e não cedendo ao embrutecimento do mundo”.

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