NÃO VEJO NADA SÓ ÓLEO

sábado, 21 setembro, 2019

Prof. Desiderio

 

“Bahia e suas riquezas, é o Enredo desse ano que o Ritmo escolheu.

Para prestigiar esse estado abençoado por Deus.

Mas tudo, tudo começou com o Pau Brasil, porém a ganancia e usura.

Com pouco tempo essa riqueza extinguiu.

Deixaram então a exploração e decidiram nos colonizar.

Plantaram a cana de açúcar produto de grande valor no mercado internacional.

Que junto ao cacau para a economia da Bahia representam um grande potencial.

Petróleo e Prata fumo e Dendê

Algodão e café, fazendo essa terra crescer. (refrão)”

 

Acima temos um trecho do Samba enredo “Bahia e suas Riquezas”, Letra de Dedé Jacaré e música de Pretinho. Enredo, música e a Escola Ritmo da Liberdade foram campeão em 1980, último ano que a Escola desfilou, seu presidente Ulisses morreria um ano depois.

Na memória de poucos baianos, na maioria, velhos e sambistas, é possível que haja lembrança sobre os nomes citados e daquela grande escola de Samba baiana que fazia seus ensaios em uma quadra da Meirelles, no Pero Vaz. Aqueles que destruíram o carnaval de rua de Salvador e, a maioria da população sequer lembram que a primeira capital do Brasil um dia teve escolas de Samba.

Mas, convém deixar claro que não é o carnaval, ou a velha escola nem os seus compositores os reais motivos que nos leva escrever neste sábado, primeiro da nova primavera, com o sol que só a Bahia tem, e que nos convida a sair e apreciar tudo que há de belo nessa terra. Na verdade, o que nos leva a escrever, de fato, é algo grave e triste: a ameaça do governo federal de tirar uma das sedes da Petrobrás da Bahia.

A associação com o carnaval de outrora, se deve ao fato da letra daquele samba enredo, belo e campeão,  da Ritmo da liberdade, escola que já não existe, falar em petróleo e fazer referência na sua letra a Oscar Cordeiro um pioneiro que lutou para provar que era viável economicamente a exploração do petróleo em terras baianas. Além disso, para deixarmos o alerta de que essa luta é de todos. Ressaltando que quem detém o poder político e econômico tem uma responsabilidade muito maior na defesa dos interesses da Bahia e dos baianos.

Claro que os sindicatos estão lutando, as associações de classes também faz a sua parte. Há postos de trabalho em jogo, tem o emprego direto e indireto, há perda econômica para diversas cadeias produtivas que pode afetar além da Bahia, todo a economia do nordeste. Mas há também a memória afetiva e cultural, sua perda não tem substituto. E o pior, a decisão de retirar a Petrobrás da Bahia é apenas política, mesquinha e rasteira.

A perda das escolas de samba, pode por um espaço de tempo, ter dado prestigio e até dinheiro para os “novos carnavalescos”. Depois veio a crise e o vazio cultural trazido pela falta da memória afetiva.

Perder a Petrobrás será um desastre para a Bahia e os baianos. Com certeza, nenhum de nós perdoará aqueles que tendo voz e poder, se calaram. Preferindo o silêncio cômodo e conivente para não contrariar as forças de Brasília. Tramam contra o maior estado do nordeste, mas não conseguirão nos derrotar, sem antes enfrentar a nossa resistência e capacidade de luta. O petróleo é nosso, a Petrobrás também.

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Petrobras vai encerrar atividades na Bahia e transferir funcionários, diz Sindipetro

Foto: Reprodução / Google Street View

A Petrobras terá suas atividades finalizadas na Bahia e em todo o Nordeste. É o que os funcionários da empresa e o Sindicato dos Petroleiros da Bahia revelaram ao Bahia Noticías nesta quarta-feira (4).

 

Segundo o diretor do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, o sindicato vem denunciando desde a posse da nova direção e do novo governo a intenção da empresa adotar medidas que sinalizam a diminuição da empresa no estado ou a saída completa.

 

“Tem se dado de duas formas. A Rlam foi colocada a venda, a Campus Petróleo na região de Catu, Candeias e Pojuca estão a venda, o fechamento da Fafem está em processo de paralisação, ela vai ser fechada e não vendida. Essas medidas somadas não estão integradas, mas sinalizam o tamanho da empresa”, comentou o diretor.

 

O maior foco é a sede da Pituba, que comporta as atividades administrativas. “A empresa vai fazer outro movimento, que é transferir trabalhadores do prédio ou das unidades operacionais no ramo do petróleo. Está estimulando os funcionários a se deslocarem para outros estados, principalmente no Sudeste: Santos, Espírito Santo e Rio de Janeiro”, revelou Radiovaldo.

 

“Na ultima semana foi feita uma apresentação na Pituba e em São Sebastião do Passé, para apresentar um leque de opções para os trabalhadores entenderem como será feita a transferência. Hoje temos 4 mil trabalhadores no estado e de terceirizados 15 mil [pessoas], com o plano de demissão voluntária que está aberto, com essas transferências e os desligamentos, é essa a mensagem passada”, disse.

 

Aos funcionários já foram sugeridas algumas opções de residência e escolas para o filhos dos trabalhadores da estatal. “Eles vieram vender o Espírito Santo na Bahia, esse conjunto é um forte sinal. Estamos denunciando isso há um tempo, na nossa visão o estado da Bahia vai pagar por isso. Os empregos diretos e indiretos, as cidades onde tem contratos terceirizados, o impacto dos municípios da Bahia e a gente não sabe quantificar, mas no médio e longo prazo vai trazer um forte impacto”, analisou.

 

O Nordeste deve ser atingido em mais estados com a medida. “A venda das unidades não é uma medida econômica, financeira, nada justifica, pois isso acontece em todos os estados do Nordeste. A prioridade da direção é o Nordeste, em Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, é um estimulo para a empresa sair da região”, disse Costa.

 

Procurada pelo Bahia Notícias, a assessoria de imprensa da Petrobras não confirmou as medidas e disse que não tem ciência dos fatos.

Bahia Noticias

ATO EM DEFESA DA PETROBRÁS

DIA 23/09 as 09 horas

Local: Assembleia Legislativa da Bahia _ CAB