“A disposição dele tem que ser para prefeito”, diz presidente do PDT sobre Léo Prates

terça-feira, 8 outubro, 2019

[“A disposição dele tem que ser para prefeito”, diz presidente do PDT sobre Léo Prates]
23 de Setembro de 2019 às 09:23  Por: Reprodução  Por: Redação BNews  0comentários

Opresidente do PDT na Bahia, deputado federal Félix Jr., contou que o convite para o secretário municipal de Saúde, Léo Prates (DEM), ingressar na legenda continua de pé. No entanto, para o parlamentar, ele tem de se lançar candidato à Prefeitura de Salvador em 2020.

“É um nome que a gente está conversando. E vou continuar. Agora, a disposição dele tem que ser de ser candidato a prefeito. Se for para ser vice, aí não tem. Quem lança vice, não lança nada. Se quiser se lançar candidato a prefeito no PDT, é uma possibilidade”, disse durante uma entrevista à Tribuna da Bahia, publicada nesta segunda-feira (23).

Bocão News

Nosso comentário

No PDT quem decide sobre candidaturas em cidades com mais de mil eleitores é a direção nacional. Essa centralização é estatutária, portanto legal. Contudo, é antidemocrática e cercada de obscuridade, que tem levado a legenda em Salvador a seguidos insucessos eleitorais. Houve todo tipo de experimentalismo, fundamentalismo com trocas no comando municipal constantes determinados pelo presidente nacional Carlos Lupi.

A filiação de Léo Prates poderá ser um caminho alvissareiro para os trabalhistas da Bahia. Prates é uma dessas novas lideranças política reveladas pela chegada de ACM Neto ao poder municipal em 2012. Tem brilho próprio mas precisa se submeter ao projeto de seu padrinho político. Se Neto e Lupi tiverem um mesmo projeto para 2022, vai ter música. Se os projetos divergirem o PDT repetirá os desastres de 2012 e 2016. 

Lupi precisa aprender sobre Bahia, sua cultura. Respeitar seus homens e suas mulheres. A submissão dos dirigentes estaduais do PDT a suas imposições não reflete o sentimentos da ampla maioria dos Trabalhistas baianos. Todos os caminhos são possíveis para a política. Contudo, aqueles construídos com ressonância nas bases rende mais e melhores frutos. (Prof. Desiderio)

 


Leo Prates e a estratégia de ‘dividir para conquistar’ nas eleições de 2020

terça-feira, 8 outubro, 2019

por Fernando Duarte

Leo Prates e a estratégia de 'dividir para conquistar' nas eleições de 2020

Foto: Reprodução / Instagram

A proximidade de Leo Prates com o PDT não é por mero desejo pessoal do deputado estadual licenciado. Há certo planejamento estratégico do grupo político de ACM Neto, mesmo que não seja evidenciado. “Cão de guarda” do prefeito enquanto esteve na Câmara de Vereadores e agora na Secretaria Municipal de Saúde, Leo é uma figura de confiança do gestor da capital baiana. Com a possibilidade pequena de se viabilizar como candidato a prefeito no DEM, preferiu adotar uma postura comum em guerras: dividir para conquistar.

 

O candidato de ACM Neto é Bruno Reis. Não precisa nem gastar muita energia para entender os passos dados publicamente por ambos. O prefeito alocou o vice para liderar a Secretaria de Infraestrutura e “colocar a cara no sol” em assinaturas de ordem de serviço e entregas de obras. Ao longo da última semana, o atual ocupante do Palácio Thomé de Souza sinalizou publicamente certa “saudade” do dia da eleição em 2016, em uma foto em que posava ao lado de Bruno Reis comemorando. Para adversários e aliados, foi um reforço da tese de que, em dezembro, o vice será alçado à condição de candidato.

 

No entanto, caso Bruno Reis não decole nas pesquisas de intenção de voto, ACM Neto precisará alavancar o postulante a sucessor. Sob o risco de perder a única grande capital sob comando do Democratas. Aí entra em cena essa articulação de Leo Prates. Além de figurar como um plano B efetivo, dentro do universo de fieis companheiros do prefeito, a aproximação do secretário com a esquerda – ou melhor, centro esquerda – amplia o eventual alcance da aliança política em torno do projeto de continuidade de poder desse grupo político.

 

Com o cenário atual, é praticamente nula a chance de Prates vir a substituir Bruno Reis nessa corrida eleitoral. Porém, ao trazer na garupa um partido como o PDT, o deputado estadual licenciado ganha um trunfo importante para conquistar uma vaga de vice. Esse movimento, todavia, não vai acontecer antes de 2020 e todas as conversas ficarão como especulação até a próxima janela partidária. Até lá, o PDT vai manter a perspectiva de ter uma candidatura própria na capital baiana e investir na possibilidade de ter um nome ligado ao atual prefeito na disputa. É inteligente, pois mantém a sigla na “crista da onda” das discussões em Salvador.

 

Mesmo que os pedetistas marchem com Léo Prates, a depender do ritmo das pesquisas do próximo ano, ter alguém entre os partidos de centro-esquerda pode “roubar” votos do grupo político mais ligado ao governador Rui Costa. Sem unanimidade do lado do petista, o “sonho” da candidatura unificada em torno de Guilherme Bellintani, por exemplo, pode ficar ainda mais distante para a oposição a ACM Neto. Ou seja, o PDT é relevante na construção desse bloco e, ao “abandonar o barco”, pode ser crucial para desmontar o arco de alianças.

 

Não é só mera vontade de Leo Prates ou apenas a benevolência de ACM Neto que podem alocar um escudeiro no PDT. São diversos fatores que podem explicar, em parte, a lógica dos debates sobre alianças para 2020. A tática é estar algumas jogadas à frente dos adversários. Mesmo que o xeque-mate não venha a acontecer e que o rei esteja ligeiramente ameaçado.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM e Valença FM.

Do Bahia Noticias