Balanço de 2019: que venha o novo.

terça-feira, 31 dezembro, 2019

Estamos no último dia de 2019. Um ano marcado por grandes contradições. Onde a realidade se confundiu com a virtualidade. Nunca na história desse pais a família foi colocada em tal patamar de evidência. Defendida por religiosos e autoridades a família figurou nas novelas das oito, na propaganda oficial e no marketing das grandes corporações. E onde está a contradição?

De início podemos afirmar que há contradição na teoria e na prática, não somente dos governantes das três esferas de poder. Mas também daqueles que tem poder mesmo sem ter um mandato popular, sim pela sua condição econômica e/ou por uma tradição ainda não superada. E é justamente desses setores que vem a pior contradição: agir sem ética mas defender os (bons), costumes.

Agem sem ética porque são incapazes de resolver rudimentos da economia e da política, logo não atendem a necessidade de políticas públicas reclamadas pela população. Sem respostas concretas para o desafio no mundo real, nos envolveram em um enredo de escola de samba, aparentemente confuso, mas com um objetivo claro e bem definido:  abafar o debate sincero.

Para tanto, na busca de êxito nessa estratégia, que parece nova, mas é não é. Trata-se da política conhecida como “pão e circo” amplamente utilizada por governantes desde a Roma antiga. Até aí nenhuma novidade, novo mesmo foi a cara dura, o disfarce e o cinismo desses atores na defesa dos costumes, utilizando o conceito família como carro chefe de suas narrativas.

A defesa da família esteve em primeiro lugar no discurso, ao mesmo tempo que em se intensificava. Aumentavam também a perda de direitos trabalhistas e previdenciários, a violação de domicílios, o aumento da violência contra a mulher, negros, índios e LGBTs.

A morte de um pai, pelas mãos de quem jurou defender a Pátria e o brasileiro foi considerado um incidente. Assim como outros “incidentes” ocorreram também com aqueles que lutam pela terra, pelos direitos humanos e por um meio ambiente sustentável.

A família é a base de tudo. Devemos defende-la, mas diferenciando os conceitos. O conceito de família deles é pai, mãe e filhos, heterossexual e brancos.

Para nós família é qualquer grupo solidário, com objetivos comuns e senso de justiça. Independe de cor, raça, gênero ou orientação sexual.

Enfim, apesar dessas contradições chegamos até aqui e com o suor do nosso trabalho honramos as nossas contas. Não perdemos os nossos valores nem a confiança no futuro.

Mudamos sim, as nossas atitudes. Governos e sistemas passam, tempos difíceis também. O que não passa é a fé, porque não nos falta amor e a capacidade de continuar amando. Esperança no triunfo da democracia e dos homens de bens, a quem Deus criou conforme a sua semelhança.

A vida continua

foto: google

Que venha o novo. Feliz 2020

Prof. desiderio

 

 


Mito: o que é?

sexta-feira, 27 dezembro, 2019
foto: google

O que é Mito:

Mito são narrativas utilizadas pelos povos gregos antigos para explicar fatos da realidade e fenômenos da natureza, as origens do mundo e do homem, que não eram compreendidos por eles. Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis. Todos estes componentes são misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que realmente existiram.

Um dos objetivos do mito era transmitir conhecimento e explicar fatos que a ciência ainda não havia explicado, através de rituais em cerimônias, danças, sacrifícios e orações. Um mito também pode ter a função de manifestar alguma coisa de forma forte ou de explicar os temas desconhecidos e tornar o mundo conhecido ao Homem.

Mito nem sempre é utilizado na simbologia correta, porque também é usado em referência as crenças comuns que não tem fundamento objetivo ou científico. Porem, acontecimentos históricos podem se transformar em mitos, se tiver uma simbologia muito importante para uma determinada cultura. Os mitos têm caráter simbólico ou explicativo, são relacionados com alguma data ou uma religião, procuram explicar a origem do homem por meio de personagens sobrenaturais, explicando a realidade através de suas historias sagradas. Um mito não é um conto de fadas ou uma lenda.

mitologia é o estudo do mito, das suas origens e significados. Alguns dos mitos mais conhecidos fazem parte da mitologia grega, que exprime a maneira de pensar, conhecer e falar da cultura grega. Fazem parte da mitologia grega os deuses do Olimpo, os Titãs, e outras figuras mitológicas como minotauros e centauros.

Um mito é diferente de lenda, porque uma lenda pode ser uma pessoa real que concretizou feitos fantásticos, como Pelé, Frank Sinatra, etc. Um mito é um personagem criado, como Zeus, Hércules, Hidra de Lerna, Fênix, etc.

Mito da Caverna

O mito da caverna possui vários outros nomes, como “alegoria da caverna”, “prisioneiros da caverna” ou “parábola da caverna”. Essa alegoria faz parte da obra “A República”, da autoria do filósofo grego Platão.

Nesta narração, Platão nos convida a imaginar uma caverna onde dentro existem humanos que nasceram e cresceram dentro dessa mesma caverna. Eles nunca saíram, porque se encontram presos no seu interior. Os habitantes da caverna estão de costas voltadas para a sua entrada. Fora da caverna, existe um muro alto que separa o mundo exterior da caverna. Os homens existentes no mundo exterior mantêm uma fogueira acesa, e os ruídos que fazem podem ser ouvidos dentro da caverna. De igual forma, as suas sombras são refletidas na parede no fundo da caverna, e os seres humanos acorrentados, vêm as sombras e pensam que elas são a realidade.

Em seguida, Platão pede que imaginemos que um dos seres humanos acorrentados consegue fugir da caverna, subir o alto muro e passar para o outro lado, descobrindo que as sombras que antes via, vinham de homens como ele. Além disso, descobriu também a natureza que existia do outro lado do muro. Platão discursa então sobre o que esse homem fará com essa nova realidade e o que poderá acontecer se ele resolver voltar para a caverna, contando aos outros que a vida que estão vivendo é na realidade um engano. Poderá acontecer que os outros homens o ignorem completamente, ou no pior dos casos, que o matem, por considerarem que ele é um louco ou mentiroso.

Através desta alegoria, Platão nos remete para a situação que muitos seres humanos vivem, num mundo de ilusão, e presos por crenças errôneas, preconceitos, ideias falsas, e por isso vivem em um mundo com poucas possibilidades, assim como os homens na caverna.

Platão usou essa narrativa para explicar como o ser humano pode obter libertação da escuridão com a ajuda da luz da verdade, falando também da teoria do conhecimento, do conceito de linguagem e educação como alicerces de um Estado Ideal. Contudo, é importante perceber que indíviduos que procuram espalhar a luz e a verdade – como o homem que regressara à caverna – são muitas vezes mortos. Esse foi o caso de Sócrates, que foi condenado à morte, depois de ter sido acusado de corromper a mente dos jovens.

Mito de Narciso

Na mitologia grega, um dos mais famosos mitos é o de Narciso, um jovem tão bonito que despertou o amor de Eco, uma bela ninfa. Narciso rejeitou esse amor, fazendo que a ninfa ficasse destruída com a rejeição. Como castigo, a deusa Nêmesis fez com que ele se apaixonasse pelo próprio reflexo no rio, de tal forma que Narciso morreu afogado.

fonte: https://www.significados.com.br/mito/

Nosso comentário: O principal o objetivo do mito é a reprodução de novos mitos. Mas isso também pode ser mito.


Economista explica por que acordo EUA-China não é um bom presente para o Brasil

quinta-feira, 26 dezembro, 2019

Enquanto EUA e China trabalham para encerrar a disputa comercial que vem afetando intensamente a economia mundial em 2019, exportadores brasileiros demonstram preocupação com os termos desse acerto entre as potências.

Macaque in the trees
Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Após meses de debates, taxações e trocas de acusações, Washington e Pequim anunciaram neste mês um acordo parcial para estabilizar o comércio bilateral e pôr um fim à guerra comercial que vem gerando inúmeras preocupações ao redor do globo nos últimos tempos. Embora o entendimento entre os dois países traga certo alívio para a economia mundial, há, por outro lado, quem tenha motivos para continuar se preocupando com os desdobramentos desse assunto.

A fase um desse acordo prevê, entre outras coisas, um aumento significativo na importação de produtos agrícolas norte-americanos pela China, totalizando US$ 16 bilhões por ano até 2022 e podendo chegar a US$ 50 bilhões no médio prazo. Bom para os Estados Unidos, ruim para o Brasil.

O Brasil exportou US$ 57,6 bilhões em produtos para a China do início deste ano até novembro, o que representou um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2018. A soja, um dos principais itens agrícolas tanto do Brasil quanto dos EUA, respondeu por 34% desse montante, graças às brigas entre americanos e chineses, que permitiram a outros países aumentar suas participações em determinados setores desses dois mercados.

Agora, o receio dos exportadores brasileiros, sobretudo de soja, não é o de voltar a um cenário anterior ao da guerra comercial, mas, sim, o de levar desvantagens com esse novo acerto entre as potências, que, na prática, criará uma espécie de reserva de mercado para os norte-americanos na China, reduzindo o tamanho desse mesmo mercado para o Brasil.

Para o economista Ricardo Macedo, professor do Ibmec-Rio, a empolgação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com esse princípio de acordo com a China se justifica, evidentemente, tanto pela garantia de fortalecimento da agricultura norte-americana quanto pela provável expansão de determinados ramos da indústria associados, como o da fabricação de tratores e outras máquinas.

Segundo o especialista, embora, a princípio, as preocupações brasileiras se concentrem na perda de mercado para a soja na China, existe a possibilidade de o Brasil também perder espaço no mercado dos EUA, já que há determinados produtos brasileiros que os chineses também exportam para lá.

Se quiser evitar os efeitos negativos dessa associação China-EUA, o Brasil terá que mudar sua política comercial, buscando novos mercados para seus produtos, afirma Macedo.

“Pelo que a gente tem verificado ao longo dos anos, a balança comercial brasileira é muito dependente tanto da China quanto dos Estados Unidos. A gente acaba até entrando em um certo conflito, como foi demonstrado no início do governo Bolsonaro, dentro da linha apresentada pelo seu plano de ação na política externa [aliança automática aos EUA]. Agora, o governo brasileiro tem que buscar novas parcerias.”

Apesar das perdas imaginadas para o Brasil com a entrada em vigor desse acordo entre Pequim e Washington, o professor destaca que há, ao mesmo tempo, pelo menos dois pontos positivos desse cenário: um deles diz respeito justamente a essa necessidade de diversificar as parcerias aproveitando o câmbio favorável, enquanto o outro se refere a um provável aumento da oferta de certos produtos no mercado nacional, deixando-os mais baratos.

Ainda sobre essa questão do mercado doméstico, o economista do Ibmec explica que, dada a sua lenta recuperação, é provável que, em um primeiro momento, os produtos sejam oferecidos a preços mais acessíveis. Mas, com a gradual recuperação e o crescimento da demanda, a expectativa é a de que, no longo prazo, os produtores possam adotar preços semelhantes aos cobrados no mercado internacional. (Sputnik Brasil)


Crônicas de natal

domingo, 22 dezembro, 2019

Resultado de imagem para natal

foto: google

 

Uma pequena crônica de natal….

Valeria Trindade

Os embrulhos mal cabiam em seus braços…
A felicidade estampada em seu olhos…
Ao sair de casa um semblante caído, desanimado
Triste…
Na volta ao lar, aquele sentimento de vitória,
Do guerreiro que vence a última das guerras…
E então a pergunta:…afinal o que acontecera??
Naquele momento ele, que estava a olhar,
Disse, como se lesse pensamentos:
“não, eu não ganhei na loteria, consegui um emprego!!”
Não, não haviam bebidas, nem cerveja…apenas presentes…Natal é isso, é quando Jesus se mostra através dos homens e a felicidade se multiplica, porque felicidade é assim,ela nunca É sozinha, só funciona em rede!
Jesus sabe disso, por isso esse pai de família voltou aquele dia,
Com presentes na mão e emprego no bolso…
Nós que estamos sempre a procurá-Lo, só podemos encontrá-Lo,
Dentro de nós e no máximo, ao nosso lado….sempre!!
(Valéria Trindade) …uma pequena crônica, bem pequena mesmo,….para ilustrar o que significa o Natal….cujos presentes simbolizam a felicidade que desejamos às pessoas raras e únicas que fazem a caminhada junto a nós…
Então desejo à Família do Recanto das Letras um FELIZ NATALLLLLLL com Amor, Felicidade, Alegria e Paz!!!!

fonte: https://www.recantodasletras.com.br/cronicas-de-natal/790762

NATAL – Luís Fernando Verissimo

Natal é uma época difícil para cronistas. 
Eles não podem ignorar a data e ao mesmo tempo 
não há mais maneiras originais de tratar do assunto.
Os cronistas, principalmente os que estão no métier há tanto tempo, que ainda usam a palavra métier – já fizeram tudo que havia para fazer com o Natal.

Já recontaram a história do nascimento de Jesus de todas as formas: versão moderna (Maria tem o bebê numa fila do SUS), versão coloquial (“Pô, cara, aí Herodes radicalizou e mandou apagá as pinta recém-nascida, baita mauca”), versão socialmente relevante (os três reis magos são detidos pela polícia a caminho da manjedoura, mas só o negro precisa explicar o que tem no saco) versão on-line (jotace@salvad.com.bel conta sua vida num chat sitc), etc.

Papai Noel, então, nem se fala. Eu mesmo já escrevi a história do casal moderno que flagra o Papai Noel deixando presentes sob a árvore de Natal, corre com o Papai Noel e não conta nada da sua visita para o filho porque querem criá-lo sem qualquer tipo de superstição várias vezes.
Poucos cronistas estão inocentes de inventar cartas fictícias com pedidos para o Papai Noel: patéticas (paz para o mundo, bom senso para os governantes), políticas (“Só mais um mandato e eu juro que acerto, ass. Fernando”) ou práticas (“Algo novo para escrever sobre o Natal, por amor de Deus!”).
Já fomos sentimentais, já fomos amargos, já fomos sarcásticos e blasfemos, já fomos simples, já fomos pretensiosos – não há mais nada a escrever sobre o Natal! Espera um pouquinho. Tive uma idéia. Uma reunião de noéis! Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel. Acho que sai alguma coisa.
Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos… onde? Na mesa de um bar? Papai Noel não freqüenta bares para não dar mau exemplo. Pelo menos não com a roupa de trabalho. No Pólo Norte? Noel Coward, acostumado com o inverno de Londres, talvez agüentasse, mas Noel Rosa congelaria. Não interessa onde é o encontro. Uma das primeiras lições da crônica é: não especifica. Noel Rosa, Noel Coward e Papai Noel estão reunidos em algum lugar.

Os três conversam.
Noel Rosa – Ahm… Sim… Hmm…

Noel Rosa – E então?

Noel Coward e Papai Noel se entreolham. Papai Noel cofia a barba. Ninguém sabe, exatamente, o que é “cofiar”, mas é o que Papai Noel faz, enquanto Noel Coward olha em volta com evidente desgosto por estar em algum lugar. Preferia estar em outro. A todas essas eu penso em alguma coisa para eles dizerem.

Noel Rosa (tentando de novo) – E aí?
Papai Noel – Aqui, na luta.
Noel Coward – What?

Esquece. Não há mais nada a escrever sobre o Natal.
Salvo isto, se dão vênia: que seu Natal em nada lembre o da Chechênia.

Crônica de Natal

Quando chega o Natal todos se esmeram em dar presentes para os parentes, amigos, colegas de serviço, etc. Os mais abastados preparam a ceia com os produtos típicos da época que, devido à tradição são importados e, portanto, vendidos a preços proibitivos para a  população em geral.Não interessa!  Até mesmo nos lares mais humildes,  a presença do Natal é sentida e comemorada de forma especial, principalmente pelas crianças, que vêem na data uma oportunidade, talvez a única, de receber um brinquedo – usado que seja – mas que para elas representaria a realização de um sonho.

Ah! Voltar no tempo, voltar à infância. Dormir, ansioso para acordar no dia seguinte diante de um presente que nos foi deixado pelo Papai Noel. Se não foi possível, a frustração do momento, dará lugar à esperança do futuro (no ano que vem, o presente virá, pois este ano Papai Noel não deve ter tido tempo…).

Mas, e o Natal? O que é o Natal?
Alguns darão um enfoque capitalista, pragmático, no qual o Natal é um período do ano em que as pessoas gastam e consomem mais, adquirindo presentes e produtos alusivos à data. Há os chamados “festeiros” ou “arroz de festa”  e, para eles, é mais um motivo para comemoração.

Há também os consumistas inveterados, chamados “compulsivos”, que aproveitam “as festas” para dar vazão a sua volúpia de compras, “atacando” o comércio “a prazo” e endividando-se para o resto do ano.

Segundo os dicionaristas, NATAL é um adjetivo que diz respeito ao dia do nascimento. É também um substantivo, dia em que se comemora o nascimento de CRISTO. É, sobretudo neste conceito que estamos interessados.

É que poucos comemoram, na verdade, o nascimento do Cristo, o nascimento de um Deus, ocorrido no meio do nada, num estábulo, perante a assistência de alguns animais.No entanto, um Rei, um Senhor, um Soberano, que veio ao mundo para anunciar o Reino dos Céus, inaugurando uma “Nova Era de Esperança para os homens de boa vontade”.

Faço votos que neste Natal tenhamos uma  “festa de aniversário”;  celebrando, cada um nós, dentro de nossas possibilidades, a Fraternidade, o Aniversário de Jesus, que é o verdadeiro e único  motivo para a comemoração.

Finalmente, dentro do chamado “espírito de natal”, façamos uma festa solidária, convidando parentes, amigos e etc.

Ah! Uma recomendação importante se faz pertinente:  Não esqueçamos de convidar o Aniversariante.

FELIZ NATAL! DEZEMBRO de 2019

EMILIO CARLOS ALVES
https://www.recantodasletras.com.br/cronicas-de-natal/77938

Câmara dos EUA aprova impeachment de Trump, e caso vai para o Senado

quinta-feira, 19 dezembro, 2019

Em um dia histórico para a política americana, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (18) o impeachment do presidente Donald Trump.

De maioria democrata, o plenário da Casa registrou 230 votos a favor e 197 contra a acusação de que o presidente cometeu abuso de poder ao pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden, seu principal adversário na eleição de 2020.

Dois democratas votaram pela permanência de Trump no cargo.

O presidente também é acusado de obstruir o Congresso ao atrapalhar as investigações depois que o episódio foi descoberto -foram 229 votos a favor e 198 contra a denúncia. Três democratas votaram a favor do republicano.

Eram necessários 216 votos para aprovar o impeachment em pelo menos uma das acusações -maioria simples dos 431 deputados em plenário- mas o resultado ainda não é suficiente para tirar Trump da Casa Branca.

John Shimkus, deputado republicano de Illinois, não foi votar porque está visitando o filho na Tanzânia. Ele disse que avisou Trump que a viagem estava marcada desde antes da votação ser agendada na Câmara e que não apoiaria o impeachment caso estivesse na Casa.

Ao contrário do Brasil, onde o afastamento do chefe de governo acontece imediatamente após o Senado receber a denúncia de impeachment aprovada pela Câmara, o presidente dos EUA só deixa o cargo depois de ser condenado no Senado, hoje comandado por maioria republicana.

A partir de janeiro os 100 senadores, 53 deles republicanos, serão os jurados das acusações chanceladas pelos deputados, em sessões comandadas pelo presidente da Suprema Corte, John Roberts.

O avanço do impeachment, porém, vai além dos trâmites legais. O processo é pano de fundo da eleição do próximo ano e tem servido de estratégia aos dois lados de um polarizado tabuleiro político.

O desfecho na Câmara, de maioria oposicionista, já era esperado em Washington, mas servirá de reforço à narrativa dos democratas de que Trump não tem mais condições de liderar o país.

A expectativa da oposição é de que o passo concreto dado nesta quarta-feira estimule o apoio popular em torno do tema e pressione os senadores a também votar pelo impeachment.

Mas o roteiro tem dois problemas fundamentais: o interesse dos eleitores americanos sobre o processo diminui a cada semana e o assunto parece ter se tornado apenas mais um elemento de disputa partidária.

Além disso, os democratas sabem, o cenário é favorável a Trump no Senado. Os republicanos têm maioria na Casa e apostam nisso para enterrar de vez o processo contra o presidente.

Ali são necessários mais de dois terços dos votos. Ou seja, no mínimo 67 dos 100 senadores precisam votar contra Trump, possibilidade remota visto que o presidente goza de expressivo apoio dentro do seu partido e poucas defecções são esperadas.

Analistas e políticos americanos avaliam ainda que o impeachment se tornou mais um elemento da polarização em que já estão mergulhados os EUA, sem grande potencial de reflexo no voto do eleitorado em 2020.

Quem não gosta de Trump, dizem, usará a aprovação na Câmara como argumento de que ele abusou do cargo e deve sair, enquanto quem o defende tentará capitalizar a provável decisão dos senadores de rejeitar o processo.

Trump tem força em sua base eleitoral, energizada com a repetida retórica de que o presidente é vítima de uma caça às bruxas inventada pelos democratas e alimentada, na sua avaliação, pela imprensa americana.

Os bons índices da economia -com taxas de desemprego baixíssimas e crescimento do PIB (Produto Interno Bruno) em 2% mesmo com a crise global- também têm ajudado o discurso do republicano.

As pesquisas mais recentes mostram a população divida quanto ao impeachment: cerca de 47% querem que Trump seja removido do cargo, enquanto 46% são contra o afastamento do presidente.

As eleições nos EUA, no entanto, não se baseiam no voto popular, mas sim no sistema indireto de Colégio Eleitoral.

Justamente com o temor de ver o impeachment parar no Senado e ter que lidar com o fracasso político às vésperas de 2020, a cúpula democrata resistiu por muito tempo em avançar com o processo no Congresso.

No entanto, diante das informações de que Trump havia pressionado a Ucrânia a investigar Biden e o filho dele, Hunter, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, precisou mudar de postura.

Em 24 de setembro, ela anunciou a abertura do processo de impeachment e deu início ao inquérito contra Trump.

A partir daí o Comitê de Inteligência da Câmara conduziu interrogatórios sobre as acusações com diplomatas, funcionários de alto escalão do governo e especialistas.

No fim de novembro, as audiências se tornaram públicas, em uma estratégia da oposição para angariar apoio popular à tese de que Trump atuou de forma irregular quando pressionou a Ucrânia.

E as testemunhas não decepcionaram. Em depoimentos transmitidos ao vivo pela TV, confirmaram que o presidente havia condicionado ajuda militar de US$ 391 milhões ao país do leste europeu a apurações contra os Bidens.

A contrapartida é um dos pilares cruciais da oposição para mostrar o desvio de conduta e abuso de poder de Trump em suas relações com a Ucrânia.

Em 3 de dezembro, o Comitê de Inteligência da Câmara divulgou seu relatório sobre o processo de impeachment.

Em seguida, foi a vez do Comitê Judiciário começar os trabalhos para deliberar se os atos do republicano se enquadravam nas definições do Artigo 2º, Seção 4 da Constituição dos EUA, que traça as regras para o impeachment.

A Carta estabelece que o presidente “deve ser removido do cargo através do impeachment se condenado por traição, suborno e outros altos crimes.”

O deputado democrata Jerry Nadler, presidente do Comitê Judiciário e responsável por redigir as acusações contra Trump, chegou a convidar o republicano a depor, mas ele se negou a ir ao Congresso.

Após a elaboração dos dois artigos -ou acusações- de impeachment, o processo seguiu para o plenário da Câmara, etapa concluída com a votação desta quarta-feira.

Trump nega qualquer irregularidade em sua relação com a Ucrânia e diz que o telefone com Zelenski foi um evento corriqueiro, sem pedidos com contrapartidas.

Na terça-feira (17), o presidente enviou uma carta de seis páginas a Pelosi dizendo que protestava de maneira “forte e poderosa contra o impeachment”, o qual ele descrevia como uma “cruzada” liderada pelos democratas.

Nos bastidores, porém, o presidente diz querer esticar ainda mais o processo -enquanto os democratas trabalharam para acelerá-lo nas últimas semanas- já que o tempo corre contra a oposição.

Dois dos principais pré-candidatos, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, são senadores e estarão comprometidos no julgamento do Senado ao invés de se dedicarem à campanha nos estados, por exemplo.

Essa é a terceira vez na história americana que a Câmara aprova o impeachment de um presidente. Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998, sofreram impeachment na Câmara, mas foram absolvidos pelo Senado.

Richard Nixon renunciou antes da votação da Câmara em 1974, ao perceber que perdia apoio entre seus próprios aliados e seria removido do comando da maior potência mundial.(Marina Dias/FolhaPress)


Impeachment de Trump: O que acontece agora?

quarta-feira, 18 dezembro, 2019

Jornal do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, deve se tornar nesta semana o terceiro presidente dos Estados Unidos a sofrer um processo de impeachment depois que a Câmara dos Deputados do país, liderada pelos democratas, votar as acusações que derivam de suas iniciativas para pressionar a Ucrânia a investigar seu rival político Joe Biden. Ontem, terça (17) o Comitê de Regras da Câmara determinou questões como a duração do debate na Casa e quando deve ser iniciada a votação pelo impeachment.

Macaque in the trees
Trump deve enfrentar julgamento no Senado (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst )

A seguir o que provavelmente deve acontecer:

Quarta-feira, 18 de dezembro

A Câmara deve aprovar neste dia o impeachment de Trump. É esperado que os votos sigam amplamente as orientações partidárias. Alguns democratas provavelmente votarão contra o próprio partido, mas não o bastante para colocar em perigo os dois artigos de impeachment.

Trump continuará no cargo, esperando o resultado do julgamento no Senado.

Se o impeachment for aprovado, a Câmara irá selecionar parlamentares para atuarem como gerentes e apresentarem o caso contra Trump no julgamento no Senado. Os democratas da Câmara dizem que a maioria dos gerentes deve sair do Comitê Judiciário da casa, e possivelmente do Comitê de Inteligência, que liderou a investigação. Muitos deputados esperam ser selecionados para o cargo, que é de grande importância.

Início de Janeiro

Trump deve enfrentar julgamento no Senado que determinará ou não sua condenação e consequente remoção do cargo. O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, espera começar o julgamento no início de janeiro.

O Senado é controlado pelos colegas republicanos de Trump, que em sua maioria defendem o presidente. Uma maioria de dois terços dos presentes na casa composta por 100 parlamentares é necessária para que Trump seja condenado, o que implica que cerca de 20 dos 53 senadores republicanos precisariam votar contra o presidente para que ele fosse impedido de continuar no cargo.

O presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, presidiria o julgamento. Os gerentes apontados pela Câmara apresentariam o caso contra Trump e a equipe jurídica do presidente responderia, com os senadores atuando como membros do júri.

Um julgamento poderia envolver depoimentos de testemunhas e um cronograma cansativo. O processo pode acontecer no período entre seis dias e uma semana ou se estender para até seis semanas de duração.

McConnell já disse que o Senado poderia realizar uma opção mais curta, votando os artigos do impeachment após as arguições de abertura, pulando os depoimentos de testemunhas, mas McConnell ainda está se consultando com a Casa Branca sobre isso.(Reuters)


Operação cumpre mandados contra Fabrício Queiroz e ex-assessores de Flávio Bolsonaro

quarta-feira, 18 dezembro, 2019

O Ministério Público do Rio (MPRJ) realiza, na manhã desta quarta-feira, uma operação que mira ex-assessores do hoje senador Flávio Bolsonaro, entre eles Fabricio Queiroz e Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. A ação cumpre mandados de busca e apreensão na investigação da prática de “rachadinha” no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz: ação mira ex-segurança do senador e ex-assessores da Alerj – Reprodução / Arquivo

Os mandados de busca e apreensão atingem 96 pessoas e empresas e foram deferidos pelo juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, de acordo O Globo. Procurado, o Ministério Público ainda não deu mais informações sobre a operação.

A investigação foi instaurada em julho do ano passado e obteve na Justiça em maio deste ano a quebra dos sigilos fiscal e bancário de 96 pessoas e empresas, incluindo Queiroz e Flávio, tendo como base o relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf, hoje Unidade de Inteligência Financeira).

O documento constatou movimentação atípica de Fabrício Queiroz num total de R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O caso ficou parado de julho até novembro, pois aguardava decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade do compartilhamento das informações do Coaf sem autorização judicial. O STF aprovou no mês passado o compartilhamento. (Fonte: O Dia).

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