Diretor de “Bacurau” fala do orgulho de estar no júri da mostra oficial do Festival de Berlim

quinta-feira, 6 fevereiro, 2020
Jornal do BrasilMYRNA SILVEIRA BRANDÃO, cadernob@jb.com.br

Depois do anúncio de “Todos os Mortos”, de Marcos Dutra e Caetano Gotardo, concorrendo ao Urso de Ouro, e de 18 filmes (em produção e coprodução) nas Paralelas, o Brasil marca mais um tento na 70ª edição do Festival de Berlim, que acontece entre 20/2 a 1/3: o Júri internacional da mostra oficial – que será presidido pelo ator britânico Jeremy Irons – terá entre seus membros o brasileiro Kleber Mendonça Filho.

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Kleber Mendonça Filho com Sônia Braga em foto de arquivo (Foto: Clemens Bilan/ Getty Images)

Nascido em Recife (PE) em 1968, Mendonça Filho iniciou sua carreira como programador, crítico de cinema e jornalista em diversas mídias. Realizou vários curtas-metragens e estreou em longas com o documentário “Crítico”. Seguiram-se “O Som ao Redor” (2012), primeiro longa de ficção, listado pelo The New York Times como um dos dez melhores filmes do ano, “Aquarius” (2016), que concorreu à Palma em Cannes, e “Bacurau” (2019), em codireção com Juliano Dornelles, que foi exibido na competição do festival francês e ganhou o Prêmio do Júri.

Em entrevista ao JORNAL DO BRASIL, Mendonça Filho falou sobre o convite para o júri em Berlim e a situação atual da cultura no País.

O que representa o convite para integrar o júri da mostra oficial da Berlinale?

Representa a oportunidade de ver 18 filmes novos e conhecer novos amigos, uma dinâmica que me agrada muito, não importa o tamanho do festival. De curtas a documentários ou um festival grande como Berlim, eu sinto um orgulho e uma honra de poder colaborar com o cinema. Também devo dizer que é o primeiro ano de Carlos Chatrian como diretor artístico, bom estar lá acompanhando isso.

Como vê a participação do Brasil na Berlinale, uma das melhores dos últimos anos?

O Brasil, talvez você possa concordar, nunca teve tanto reconhecimento internacional e prestígio para o seu Cinema. 2020 foi um ano sem igual, de Sundance a Rotterdam, Berlim, Cannes, Locarno e Veneza. Creio que eu estar no júri da competição em Berlim resulta do prestígio, trazido não apenas pelo que venho fazendo, mas pela repercussão de “Bacurau” internacionalmente. Observo alarmado o desprezo que esse novo governo tem por uma área da economia que traz não apenas dinheiro para a indústria brasileira, mas representação internacional do país como cultura.

Além de Irons como Presidente e Mendonça Filho, os outros membros do Júri Internacional são:

A atriz Bérénice Bejo (Argentina / França)

A produtora Bettina Brokemper (Alemanha)

A diretora Annemarie Jacir (Palestina)

O dramaturgo e cineasta Kenneth Lonergan (EUA)

O ator Luca Marinelli (Itália)


Parlamentares apresentam pedido de impeachment de ministro da Educação ao STF

quinta-feira, 6 fevereiro, 2020

Jornal do Brasil

Um grupo de parlamentares apresentou nesta quarta-feira um pedido de impeachment do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A denúncia de crime de responsabilidade oferecida à corte pede a abertura de investigação de infrações políticas e administrativas. A peça protocolada nesta quarta lista atos do ministro que seriam incompatíveis com o decoro, a dignidade e a honra do cargo.

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Ministro da Educação, Abraham Weintraub (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

“O ministro da Educação, no exercício de suas funções, tem se valido de sua prerrogativa de chefe de uma pasta de altíssima relevância para se manifestar publicamente, sobretudo por meio das redes sociais, de maneira incompatível com a dignidade do cargo”, exemplifica o documento.

“De maneira recorrente, por meio de postagens e comentários nas redes sociais, o denunciado comporta-se de modo evidentemente incompatível com a honra e o decoro do cargo”, citando casos em que o ministro refere-se às mães de internautas que o criticaram.

A peça resgata ainda fala de Weintraub em dezembro, quando participou de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara, e acusou as universidades de promoverem plantações de maconha.

“Vocês têm plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas de algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico. Porque orgânico é bom contra a soja para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda tecnologia à disposição”, disse o ministro, segundo a denúncia oferecida nesta quarta ao STF.

O pedido de apuração expõe ainda condutas contrárias a princípios exigidos pela Constituição Federal como os da impessoalidade, eficiência e transparência. Também aponta “eloquente ineficiência do ministro” na condução de políticas de alfabetização, além de citar falhas do Enem e omissão sobre a utilização de recursos resgatados pela Lava Jato.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez duras críticas ao ministro nos últimos dias, mas não assina o pedido de impeachment. (Reuters)