Fuga do hospício

sexta-feira, 5 julho, 2019

Ontem, até às pontas de trabalho, estivemos refletindo (eu e mais duas colegas de profissão) sobre o que é o surto psicótico na atualidade. Como intervir na crise? Ou melhor, o que é a crise? O que nos tira do prumo e nos coloca exatamente no ponto de corte daquilo que é normalidade e o que é patológico? Estamos sempre correndo, trabalhando incansavelmente, consumindo desenfreadamente e nos relacionando superficialmente com os nossos próximos. Só para refletir, e procurarmos nos localizar nesse emaranhado do mundo contemporâneo, retomo aqui a crônica de Machado de Assis… Detalhe: escrita no ano de 1896!

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imagem: Google

 Crônica

Por Machado de Assis

A fuga de doidos do hospício é mais grave do que pode parecer à primeira vista. Não me envergonho de confessar que aprendi algo com ela, assim como que pedi uma das escoras da minha alma. Este resto de frase é obscuro, mas eu não estou agora para emendar frases nem palavras. O que for saindo saiu, e tanto melhor se entrar na cabeça do leitor.

Ou confiança nas leis, ou confiança nos homens, era convicção minha de que se podia viver tranquilo fora do Hospício dos alienados. No Bond, na sala, na rua, onde quer que se me deparasse pessoa disposta a dizer histórias extravagantes e opiniões extraordinárias, era meu costume ouvi-la quieto. Uma ou outra vez sucedia-me arregalar os olhos involuntariamente, e o interlocutor, supondo que era admiração, arregalava também os seus, e aumentava o concerto do discurso. Nunca me passou pela cabeça que fosse um demente. Todas as histórias são possíveis, todas as opiniões respeitáveis. Quando o interlocutor, para melhor incutir uma ideia ou um fato, me apertava muito o braço ou me puxava com força pela gola, longe de atribuir o gesto a simples loucura transitória, acreditava que era um modo particular de orar ou expor. O mais que fazia, era persuadir-me depressa dos fatos e das opiniões, não só por ter os braços mui sensíveis, como porque não é com dois vinténs que um homem se veste neste tempo.

Assim vivia, e não vivia mal. A prova de que andava certo, é que não me sucedia o menor desastre, salvo a perda da paciência; mas a paciência elabora-se com facilidade; – perde-se de manhã, já de noite se pode sair com dose nova. O mais corria naturalmente. Agora, porém, que fugiram doidos do hospício e que outros tentaram fazê-lo (e sabe Deus se a esta hora já o terão conseguido), perdi aquela antiga confiança que me fazia ouvir tranquilamente discursos e notícias. É o que acima chamei uma das escoras da minha alma. Caiu por terra o forte apoio. Uma vez que se foge do hospício dos alienados (e não acuso por isso a administração) onde acharei método para distinguir um louco de um homem de juízo? De ora avante, quando alguém vier dizer-me as coisas mais simples do mundo, ainda que não me arranque os botões, fico incerto se é pessoa que se governa, ou se apenas está num dqueles intervalos lúcidos, que permitem ligar as pontas da demência às da razão. Não posso deixar de desconfiar de todos.

A própria pessoa – ou para dar mais claro exemplo, – o próprio leitor deve desconfiar de si. Certo que o tenho em boa conta, sei que é ilustrado, benévolo e paciente, mas depois dos sucessos desta semana, que lhe afirma que não saiu ontem do hospício? A consciência de lá não haver entrado não prova nada; menos ainda de ter vivido desde muitos anos, com sua mulher e seus filhos, como diz Lulu Sênior*. É sabido que a demência dá ao enfermo a visão de que um estado estranho e contrário à realidade. Que saiu esta madrugada de um baile? Mas os outros convidados, os próprios noivos que saberão de si? Podem ser seus companheiros da Praia Vermelha. Este é o meu terror. O juízo passou a ser uma probabilidade, uma eventualidade, uma hipótese.

Isto, quanto à segunda parte da minha confissão. Quanto à primeira, o que aprendi com a fuga dos infelizes do hospício, é ainda mais grave que a outra. O cálculo, o raciocínio, a arte com que procederam os conspiradores da fuga, foram de tal ordem, que diminuiu em grande parte a vantagem de ter juízo. O ajuste foi perfeito. A manha de dar pontapés nas portas para abafar o rumor que fazia Serrão arrombando a janela do seu cubículo, é uma obra prima; não apresenta só a combinação de ações para o fim comum, revela a consciência de que, estando ali por doidos, os guardas os deixariam bater à vontade, e a obra da fuga iria ao cabo, sem a menor suspeita. Francamente, tenho lido, ouvido e suportado coisas muito menos lúcidas.

Outro episódio interessante foi a insistência de Serrão em ser submetido ao tribunal do júri, provando assim tal amor da absolvição e conequente liberdade que faz entrar em dúvida se se trata de um doido ou de um simples réu. Não repito o mais, que está no domínio público e terá produzido sensações iguais às minhas. Deixo vacilante a alma do leitor. Homens tais não parecem artífices de primeira qualidade, espíritos capazes de levar a cabo as questões mais complicadas deste mundo?

Não quero tocar no caso de Paradeda Júnior, que lá vai mar em fora, por achá-lo tardio. Meio século antes, era um bom assunto de poema romântico. Quando, alto mar, o infeliz revelasse, por impulsão repentina, o seu verdadeiro estado mental, a cena seria terrível, e a inspiração germânica, mais que qualquer outra, acharia aí uma bela página. O poema devia chamar-se “Der narrische Schiff” (A nau dos insensatos). Descrição do mar, do navio do céu; a bordo, alegria e confiança. Uma noite, estando a lua em todo o esplendor, um dos passageiros contava a batalha de Leipzing ou recitava uns versos de Uhland (poeta alemão). De repente, um salto, um grito, tumulto, sangue: o resto seria o que Deus inspirasse ao poeta. Mas, repito, o assunto é tardio.

De resto, toda esta semana foi de sangue, – ou por política, ou por desastre, ou por desforço pessoal. O acaso luta com o homem para fazer sangrar a gente pacata e temente a Deus. No caso de Santa Teresa, o cocheiro evadiu-se e começou o inquérito. Como os feridos não pedem indenização à companhia, tudo irá pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. No caso da Copacabana, deu-se a mesma fuga, com a diferença que o autor do crime não é o cocheiro; mas a fuga não é privilégio do ofício, e, demais, o criminoso já está preso. Em Manhuaçu continua a chover sangue, tanto que marchou para lá um batalhão daqui. O comendador Ferreira Barbosa (a esta hora assassinado) em carta que escreveu ao diretor da Gazetae foi ontem publicada, conta minunciosamente o estado daquelas paragens. Os combates têm sido medonhos. Chegou a haver barricadas. Um anônimo declarou peloJornal do Comércio que, se a comarca de S. Francisco tornar à antiga província de Pernambuco, segundo propôs o Sr. Senador João Barbalho, não irá sem sangue. Sangue não tarda a escorrer do jovem Estado (peruano) do Loreto…

Enxuguemos a alma. Ouçamos, em vez de gemidos, notas de música. Um grupo de homens de boa vontade vai dar-nos música velha e nova, em concertos populares, a preço cômodo. Venham eles, venham continuar a obra do Clube Beethoven, que foi por tanto tempo o centro das harmonias clássicas e modernas. Tinha de acabar, acabou. Os Concertos populares também acabarão um dia, mas será tarde, muito tarde, se considerarmos a resolução dos fundadores, e mais a necessidade que há de arrancar a alma ao tumulto vulgar para a região serena e divina…Um abraço ao Dr. Luís de Castro.

Pela minha parte, proponho que, nos dias de concerto, a Companhia do Jardim Botânico, excepcionalmente, meta dez pessoas por banco nos bonds elétricos, em vez das cinco atuais. Creio que não haverá representação à Prefeitura, pois todos nós amamos a música; mas dado que haja, o mais que pode suceder, é que a prefeitura mande reduzir a lotação a quatro pessoas do contrato; em tal hipótese, a companhia pedirá como agora, segundo acabo de ler, que a Prefeitura reconsidere o despacho, – e as dez pessoas continuarão, como estão continuando as cinco. Há sempre erro em cumprir e requerer. Quanto ao método, é muito melhor que tudo se passe assim, no silêncio do gabinete, que tumultuosamente na rua: Não pode! Não pode!

Fonte:

http://becodosaflitos.blogspot.com/2010/04/machado-assis-cronica.html


Chuva em quase todo o litoral do Nordeste e frente fria chegando

quinta-feira, 4 julho, 2019

Nesta semana, as nuvens mais carregadas crescem em quase todo o litoral nordestino

As nuvens mais carregadas crescem entre o litoral do Ceará e o litoral de Alagoas. Nestas áreas, incluindo as capitais Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Maceió, a previsão é de um dia com variação de períodos nublados e de sol, com chuva fraca a moderada.

Já para o litoral do Piauí e de Sergipe, incluindo Aracaju, e o interior do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba,  no agreste de Pernambuco e de Alagoas, a previsão é de sol e chuva fraca e passageira.

Para o litoral do Maranhão, incluindo São Luís, o dia é de sol forte pela manhã com chuva a partir da tarde. Nas outras áreas do interior do Nordeste, considerando todo o estado da Bahia e também a região de Teresina e de Salvador, o ar seco ainda predomina e o dia é de muito sol.

Frente fria vai chegar na Bahia

Uma frente fria que avança pelo centro-sul do país chega ao litoral da Bahia no próximo fim de semana. Este sistema não vai causar chuva muita chuva na Região Nordeste, mas a partir de sexta-feira, o ar polar associado a essa frente fria vai diminuir a temperatura no estado da Bahia. (Fonte: Portal Terra/ Foto de Marcelo Pinheiro, Natal-RN).

http://www.interiordabahia.com.br


ELEIÇÕES 2020: “Precisamos ter um candidato na Câmara”, afirma Carlos Muniz em apoio a Geraldo Junior

terça-feira, 2 julho, 2019
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02 de Julho de 2019 às 09:28  Por: BNews  Por: Pedro Vilas Boas e Caroline Gois  

O vereador Carlos Muniz (PL) marcou presença no desfile do 2 de Julho, nesta terça-feira e afirmou que, além de prestigiar a festa, “estou prestigiando Geraldo Junior”. “Entendo que nós precisamos ter um candidato a prefeito na Câmara de Salvador. O nome hoje para mim é Geraldo Junior. Quero que saía um nome da Câmara de Salvador porque é importante não só para os vereadores, mas também para o povo. Porque quem conhece mais os problemas de Salvador são os vereadores”, afirmou.

Segundo Muniz, o Executivo precisa ser independente e mais social para Salvador.

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Geraldo Júnior (SD) chegou ao cortejo do 2 de Julho, nesta terça-feira, com um bloco de 22 vereadores vestindo camisa verde. Intitulado como “unidos pela renovação”, o presidente da Casa mandou um recado: estaremos juntos mesmo que as forças ocultas não permitam. Além dos vereadores, os presidentes dos partidos MDB, Alexsandro Freitas, e do PSC, Heber Santana, acompanham a comitiva.

Fonte: Bnews


França não assinará acordo com o Mercosul a qualquer preço, dizem ministros

terça-feira, 2 julho, 2019

Jornal do Brasil

A França não vai assinar o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul a qualquer custo e ainda não se sabe se o país dará apoio à proposta, disseram ministros franceses nesta terça-feira.

A UE e o Mercosul fizeram um acordo de livre comércio na sexta-feira, concluindo duas décadas de negociações entre os blocos.

Macaque in the trees
Ministro francês da Agricultura, Didier Guillaume (Foto: REUTERS/Charles Platiau)

A França, a maior potência agrícola da UE, tem expressado preocupação com o risco de um aumento nas exportações agrícolas sul-americanas para a Europa.

“Não teremos um acordo a qualquer preço. A história ainda não terminou”, disse o ministro da Agricultura, Didier Guillaume, a parlamentares.

“Vamos esperar para ver exatamente o que está neste texto, mas gostaria de dizer que todo o governo e eu estaremos vigilantes. Não serei o ministro que sacrifica a agricultura francesa no altar de um acordo internacional.”

O ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, fez o mesmo, dizendo que, embora o projeto de acordo comercial ofereça oportunidades para os exportadores europeus, ainda não se sabe se atende às exigências da França.

“Os limites que traçamos para o acordo são claros”, disse o ministro ao Parlamento, acrescentando que “ainda é preciso ver” se Paris dará apoio ao acordo.

Os grupos de agricultores franceses são fortemente contra o que eles consideram padrões mais baixos dos países do Mercosul, e Guillaume disse que um acordo teria que mostrar a rastreabilidade adequada e boas práticas de pecuária no setor de carne bovina.

O principal sindicato de agricultores da França, a FNSEA, disse na terça-feira que pediu uma reunião com a Macron e também está planejando protestos sobre o acordo entre UE e Mercosul.

(Por John Irish)


OAB BRASIL: Nota à Imprensa

sábado, 29 junho, 2019
  

A Ordem dos Advogados do Brasil e toda a advocacia brasileira foram alvo de ataques injustificados do presidente da República, em entrevista à rádio Jovem Pan.

O presidente repete uma informação falsa, que inúmeras vezes já foi desmentida, de que o sigilo telefônico de Adélio Bispo é protegido pela OAB.

A própria Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, já informou que todo o material apreendido com o cidadão que atentou contra a vida do presidente já foi analisado e não há liminar impedindo os trabalhos dos investigadores.

Como o presidente pergunta, a certa altura, para que serve a Ordem, vai aqui a explicação.

A OAB existe para fazer valer o compromisso de que todo advogado se incumbe em seu juramento, ao entrar na profissão. Prometemos exercer a advocacia com dignidade e independência, observando a ética e as prerrogativas profissionais; defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis e o aperfeiçoamento das instituições jurídicas.

A OAB existe porque sem advogado não há Justiça. E garantir as prerrogativas do advogado – de exercer livremente seu ofício – é condição essencial para que o direito individual do cidadão seja respeitado, em especial seu direito à defesa, que garante o equilíbrio da Justiça.

A dificuldade em enxergar a função e a importância da OAB talvez se explique pela mesma dificuldade de ter compromisso com a verdade, de reconhecer o respeito à lei e à defesa do cidadão e de assumir o espírito democrático que deve reger as relações de um governante com seu povo, suas entidades e as instituições estabelecidas pela Constituição.

Felipe Santa Cruz

Presidente do Conselho Federal da OAB


Sem projeto para reativar economia, governo Bolsonaro reduz em 60% alta do PIB

sexta-feira, 28 junho, 2019

Todos os indicadores estão em queda; previsão do PIB encolhe de 2% para 0,8%

GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O Banco Central do Brasil gastou 54 páginas no Relatório Trimestral de inflação do 2º trimestre, divulgado nesta quinta-feira, 27, para explicar porque a economia está andando de lado.

Ricamente ilustrado, com gráficos e boxes, que até incluem estudo especial sobre a demora da reinclusão dos demitidos no mercado de trabalho, após a recessão de meados de 2014 a meados de 2017, o RTI não faz o mea culpa de seus erros em não forçar – desde o gpverno Temer, na gestão Ilan Goldfjan – a queda mais pronunciada dos juros bancários.

Vale conferir no endereço https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/ri/201906/ri201906p.pdf a falta de autocrítica do BCB (e do Comitê de Política Monetária – Copom) para os erros cometidos.

Macaque in the trees
Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O governo Temer, oriundo do PBMB (que depois da posse do vice de Dilma Roussef, que era presidente de honra do partido, tirou o P e virou MDB), lançou o documento “Ponte para o futuro” e a equipe econômica – comandada por Henrique Meirelles e, depois de maio de 2018, por Eduardo Guardia – deixou uma série de importantes diagnósticos sobre a economia.

Boa parte dos estudos, sobre estatais, impacto dos servidores e militares no déficit previdenciário, infraestrutura, e privatizações foi aproveitada por Paulo Guedes&Cia.

Faltou ao governo Bolsonaro criar estímulos à Economia para 2019, como na retomada dos projetos de infraestrutura, que emagreceram a construção civil. A economia que vinha perdendo ritmo desde a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, ficou atrelada à reforma da Previdência como tábua de salvação. E esta só vai produzir resultados a partir de 2021.

As reduções são consideráveis

Em relação ao RTI de março, quando o clima do governo era de otimismo e o Ibovespa chegou a romper os 100 mil pontos, nível ao qual não resistiu hoje, houve quedas consideráveis, sobretudo na indústria de transformação: em vez da alta de 1,8%, o governo agora prevê queda de 0,3%. Parte da reversão veio da piora do cenário externo, com redução das exportações para China, Argentina (que compra muitos manufaturados) e Europa.

O PIB teve encolhimento de 60% ante a previsão inicial de 2%, para os atuais 0,8%. Isto tem impacto em todos os segmentos e na sociedade. Para começar, haverá menos dinheiro circulando, sob a forma de renda, salários, investimentos, produção e consumo. E mais risco de demorar a reverter a fila do desemprego. E a menor arrecadação compromete a prestação de serviços pelos governos (federal, estaduais e municipais).

Do lado da produção vejam algumas mudanças em relação ao RTI de março:

PIB agrícola ia crescer 1%; será o único segmento a melhorar, para 1,1%;

PIB industrial como um todo encolhe de 1,8% para 0,2% (queda de 89%).

A maior queda é na indústria de transformação, que troca alta de 1,8% por retração de 0,3%.

A indústria extrativa (mineração e exploração de petróleo e gás) teve a expansão revista de 3,2% para 1,5% (queda de 53%) e não foi apenas pelos problemas da Vale em Brumadinho e MG, mas também pela parada de produção de campos da Petrobras.

A indústria de Construção Civil teve a alta de 0,5% transformada em queda de 1,1%.

O setor de serviços, que representa mais de 70% do PIB e é o maior empregador do país, teve a expansão revista pela metade: de 2% para 1%.

No lado da demanda, o consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, vai encolher de uma alta prevista de 2,2% em março para 1,4%% (uma queda de 36%, ou pouco mais de um terço).

Pepino para os tomadores de crédito

As consequências de uma economia que deve encolher em relação às projeções e às esperanças depositadas podem sobrar para as pessoas físicas.

Há algum tempo, com a recessão da economia e a retração do crédito das empresas envolvidas nos esquemas de corrupção descobertas pela Lava-Jato, o cartel bancário (5 bancos controlam mais de 80% do crédito do país), concentrou suas operações nas pessoas físicas, que pagam juros mais altos que as jurídicas.

Em março, o BC tinha previsto que o crédito às PJ (incluindo das grandes, que estão retraídas e têm meios de captar recursos diretamente no mercado, via debêntures, outros títulos de crédito ou emissões de ações, às pequenas e médias empresas) ia crescer 4,1%. Pois vai crescer apenas 2,5% na nova revisão do RTI (queda de 39%).

Como os bancos não podem perder lucros (sempre dão um jeito de ganhar mais em cima dos correntistas ou tomadores de crédito), miraram nos clientes pessoas físicas. Para esses foi mantida a previsão de expansão de 9,7% no crédito. Com juros escorchantes no cartão de crédito (e na alternativa do crédito pessoal para o endividamento no CC ou no cheque especial), a lógica vai ser o aumento da inadimplência.

Inflação cai, mas juros sobem

Nada menos de 63 milhões de brasileiros estão com débitos em atraso em contas de serviços, cartões e carnês, além de financiamentos.

Também pudera. Com a inflação declinando e apontando para taxas anuais abaixo de 4% até 2021, os juros mensais com recursos livres para pessoas físicas até sobem e estavam em maio em 3,6%. Isso significa um custo de 52,86% ao ano.

Só que as taxas do rotativo do cartão de crédito e do crédito pessoal não consignado são de, respectivamente, 11,8% e 6,8¨ao mês. Ou de 381,33% ao ano e 220,22%.

Detalhe, o crédito da Crefisa, aquela que empresta “até a negativados” (sic), estava em 937,22% ao ano, entre os dias 6 e 12 de junho, segundo levantamento do Banco Central.


Fábrica Paquetá fecha a unidade de Riachão e deixa 210 famílias desempregadas

quinta-feira, 27 junho, 2019

A noticia de encerramento das atividades surpreendeu os funcionários da Paquetá

De acordo com as informações, a direção da empresa já comunicou o fechamento da fábrica a todos os funcionários nesta sexta, pela manhã. Ainda segundo informações, vários funcionários choraram desesperados e outros também se mostraram abatidos diante da noticia.

Por volta das 13h desta sexta-feira, a direção da empresa foi vista em almoço no Restaurante SO na Brasa, uma movimentação atípica para a rotina da empresa. Horas depois, a noticia já circulava pela cidade, mostrando que os empresários vieram para sacramentar o fechamento da fábrica de produção instalada em Rachão do Jacuípe.

A Paquetá emprega atualmente cerca de 210 funcionários, mas todos serão demitidos

A fábrica foi instalada em Riachão do Jacuípe no ano de 2013, durante o governo da Prefeita Tania Matos e veio para o município depois de uma articulação iniciada pelo então vereador Carlos Matos junto à direção da fábrica de Ipirá. Depois que a prefeita Tânia assumiu, ela foi a Ipirá junto com o vereador para bater o martelo sobre a vinda da fábrica para Riachão.

Falta de apoio

Apesar de ser uma empresa privada, a Paquetá sempre contou com uma parceria com a administração anterior, em serviços de logística, que pouco oneravam o município. “Não é uma obrigação da prefeitura, mas a gente sabe que se trata de uma empresa que gera muitos empregos. Então, uma parceria com a prefeitura poderia ajudar a permanência da fábrica no município”, avaliou um comerciante da cidade que pediu para não ser identificado.

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