Bem Vindo ao Blog do Professordesiderio

terça-feira, 11 janeiro, 2011

 


Crônica de domingo

domingo, 20 outubro, 2019

Crônica de domingo

Domingo é um dia esquisito. À sua espera não corresponde, quase nunca, ao otimismo da realização das expectativas. Chegado o domingo e o seu longo rosário de horas, o que fazer? Sair para comprar o jornal, se abalar para o supermercado em busca de víveres para casa, pendurar na parede um quadro novo na parede, ir num almoço de aniversário de um parente (oh-oh!), dar uma geral no carro, ir ao shopping pagar as prestações vencidas… Não, ao domingo não foram destinados momentos e oportunidades para as coisas épicas. Tudo parece amortecer o brilho ou o efeito, diante do diálogo mortiço que ocorre entre os  minutos que se sucedem preguiçosos.

Um amigo liga de longe, dizendo de saudades, mas cadê coragem para atravessar a cidade e, encontrá-lo para colocar a conversa em dia? Os adventistas, de pastinhas executivas pretas numa das mãos, tocam a campainha e fincam pé diante do portão e, só depois do latido insistente das cadelas e, que se vão. No quintal da casa, o chão está pontuado do vermelho dos cajus – que estão menores depois de trinta dias de “águas” e, pedem uma limpeza urgente. Como recompensa, descubro a pitangueira cheia de frutos já roxos, na horinha de serem devorados – eu, antes dos pardais e periquitos.

Não demora e saio à rua para comprar o jornal de domingo – sempre mais gordinho e, com coisas interessantes e, variadas para se ver.   Dizem que, em breves dias, os jornais impressos vão se acabar, pois os Ipads da vida vão terminar o serviço que a Internet começou. E eu temo este dia, menos pela qualidade pífia do jornalismo encontrado nos portais e sites da Internet, onde os jornalistas, em geral fazem de fatos aquilo que alguém escreveu e, publicou antes, do que pela perda deste meu arraigado e prazeroso costume de sair de casa com o único compromisso de comprar os jornais e alguma revista semanal, para ler em casa, numa ordem muito aleatória, onde até os vistosos cadernos de anúncio de móveis e eletrodomésticos me roubam a atenção.

A revista semanal de que gosto ainda não chegou. E os jornais não trazem nada de muito interessante, na capa. “Benza Deus!”, penso eu, que os últimos meses têm sido de manchetes locais e nacionais impressionantes, em letras garrafais – para usar um termo da época em que não se falava em “fonte”. Não sei porque chamam o “tipo” ou “modelo” de letra de “fonte”. E suponho, por outro lado, que não exista muita gente que se recorde do que seja “tipo”.

Comprei apenas um jornal local, bem gordinho, pois além dos cadernos normais do domingão, está cheio de cadernos de ofertas, já que, para o comércio, o Natal começa em novembro. Em casa, sento-me à mesa da varanda e, examino a capa. Formação de equipe de governo, corrida de fórmula 1, futebol e, coisas assim. No canto direito, uma chamada para uma série de matérias relativas ao centenário da morte do grande Liev Tolstói. “Taí!”, penso e, separo o caderno de cultura, para ler depois.

No primeiro caderno, notícia do massacre de cristãos, na verdade, católicos, no Iraque, sob patrocínio da Al Qaeda – organização que prima pelo radicalismo político, muitas vezes travestido de radicalismo religioso, pela estratégia e, pela incrível covardia. Estão perseguindo e, matando cristãos em muitos lugares do mundo. Mas, ninguém tem coragem de ir muito fundo no assunto, nem de tratar a questão de uma forma mais sistêmica. Ora, num tempo de patrulhas políticas, ideológicas (na América Latina, é só o que dá…) e, do “politicamente correto”, o silêncio é menos covardia, do que método. De repente me vem à mente uma canção do musical “Hair”: “…Age of aquarius/ age of aquarius/ age of aquarius…”. Muito cínico. Mas, é como reago, quanto a este tempo e, estas situações…

Lá pelo fim do primeiro caderno, uma outra notícia me chama à atenção, embora suspeite que ela tenha sido objeto de uma operação ctrl+c+save+ctrl+p: “cientistas argentinos e brasileiros obtém impressionantes imagens de alta resolução da crosta solar”. Resolvo  ler. E depois que descrevem o que os cientistas deduzem das fotos, a fala de um deles é destacada, dizendo que o sol anda num momento de estranha calmaria, já que deveria estar entrando em mais um ciclo de intensa atividade, o que ocorre de onze em onze anos.

E o tal cientista ainda afirma que, por causa desse comportamento um tanto inesperado, a terra pode entrar num ciclo de mini glaciação, como ocorreu no século XVII. Pois, é: sei que ninguém vai dar crédito ao cientista em questão, já que seu raciocínio não está afinado com o dos ecologistas, mesmo diante da invocação de um acontecimento geológico recente e documentado.

De qualquer forma, para tristeza de muitos, o mundo não vai se acabar. E teremos que nos levantar todos os dias para tirar o sal da terra e viver do suor do nosso rosto, se formos competentes e, orgulhosos o bastante. Do contrário, a coisa é muito fácil. Epa! Deixa isto pra lá…

Entrei no caderno de cultura. E então, encontro na crônica do poeta Gabriel Nascente (um senhor vate que, prestem atenção, vive da poesia – da poesia de sua lavra!), a notícia de que seu amado periquito Loló, companheiro “de redação”, por assim dizer, morreu. Todo mundo que sabe das coisas do Nascente ou, pelo menos leu suas crônicas – ou a crônicas de escritores amigos, sabem da história do alegre e carismático Loló. De repente, recordo-me de minha avó Francelina, que cumpriu um verdadeiro luto por ocasião da morte de uma bela e faladeira arara que tinha, a Cota. E me vejo comovido com o fato e, me solidarizando com a perda do poeta.

Na página de economia, a informação de que o Brasil é o quarto do mundo, em venda de veículos. E me pergunto: noves fora, a movimentação e econômica (criação de empregos, envolvida), me pergunto: é o caso de nos ufanar? As ruas estão entupidas de veículos e, o trânsito vai se tornando um ambiente inviável, violento e insuportável. Por que nos ufanar? Mas, de repente lembro-me que, honestamente, sou parte do problema, pois não sou capaz de trocar o carrinho pelo horrendo transporte público oferecido aos goianienses (ah, se tivesse pelo menos um jornalista e um meio de comunicação de coragem para escarafunchar a história da licitação de caráter nacional ocorrida pouco tempo atrás, onde só compareceram empresas locais!…).

Não dá. Volto ao caderno de cultura. E entro, enfim, nas matérias que tratam do centenário da morte de Liev Tolstói, que, até os anos 80, seus livros eram públicos no Brasil com seu nome traduzido para o português, “Leão”.

Fazem hoje cem anos que Tolstói, um dos dois maiores escritores russos, autor de uma estupenda e venerada bibliografia, nas quais se incluem o monumental “Guerra e Paz (que merece uma refilmagem à altura, épica e dividida em pelo menos três filmes, como anda em moda)”, “Anna Karenina – que também, espero, levem novamente para as telas numa produção à altura)” e, “A Morte de Vladimir Ilyich”, que, a despeito da ambientação regional, tratam dentro de uma concepção “realista”, de temas e dramas humanos e sociais de natureza universal. Da mesma forma, os seus personagens, cuja humanidade e verossimilhança estão estampadas em suas personalidades contraditórias, vacilantes ou idiossincráticas.

Engraçado que, a data deveria ter merecido maior atenção no país – não poderia se esperar menos do que palestras, simpósios e, debates em torno da incrível obra, da vida movimentada e, agitada personalidade do consagrado escritor russo. Mas… quase nada! Pelo que sei, de evento, só relançamento de dois livros do escritor, traduzidos diretamente do russo. É muito pouco. O governo que se mete em muito assunto onde não é chamado, poderia ter tomado a iniciativa. Mas… Nada!

Ao lado de uma caixa de texto, colocaram uma foto do mestre. Lá está ele, com uma camisa típica dos agricultores russos e, seu olhar basso e, a barbaça hirsuta. Ele era de outro tempo. E a camisa e, a barbaça, não pode ser consideradas como algo proto midiático. Mas, certamente tem muito de nacionalista e, de contestação à ordem czarista vigente.

(Me lembro bem dos trajes típicos usados pelos agricultores da Rússia, por conta da lembrança dos “russos” de uma comunidade localizada em Rio Verde – GO, que, tempos atrás, em trajes típicos da terra ancestral, vinham a Goiânia depois das colheitas, para comprar à vista, veículos, máquinas e, implementos agrícolas, fazendo a festa dos comerciantes localizados na Avenida Pio XII, no bairro Cidade Jardim, região onde trabalho).

Lembrando deste mestre da literatura, acabou vindo à o tempo em que me mudei para Goiânia e, fui estudar na UCG  – hoje, PUC-GO, e por conta da política  estudantil, havia um movimento de culto à cultura do que se dizia ser o “mundo soviétiéco”. Muita gente dizia inclusive, não me lembro mais porque, que, o português tinha afinidade com a língua russa e, haviam até algumas escolas especializadas que ofereciam o aprendizado de russo na cidade – não é que muita gente da esquerda ainda alimentava o  sonho de estudar ou fazer pós-graduação na URSS, à custa de indicação dos partidos e militantes comunistas?

E me vem à lembrança que tenho até hoje na minha estante, um daqueles livros de disseminação das ideias de Marx, Karl Marx, impressos na URSS (encadernação costurada e, um cheiro de tinta horrível) que eram distribuídos à boca miúda, nas universidades, naqueles dias em que ia se anunciando o fim da ditadura militar e, muita gente não imaginava a queda do Muro de Berlim, por aqui. Quem me deu, foi um colega de trabalho que diz ser socialista até hoje. Não consegui ler mais do que algumas páginas, porque notei logo que não passava de um pastiche das contestáveis teses marxistas-leninistas. Mas, o engraçado é que, por se tratar de um produto exótico que testemunha um tempo passado e, talvez por consideração a quem o deu, nunca me livrei do tal opúsculo.

Mas, nesta altura, me obrigo a confessar que fujo do que segue: evidentemente, não tenho competência para criticar a obra de Liev Tolstói. Mas, posso dizer que tudo o que se espera de uma grande obra literária está lá – Profundidade e densidade na exploração de tema, maestria no desenvolvimento do roteiro da história, magnífica exploração do universo retratado e da personalidade das personagens, o que pode ser conferido na novela “A morte de Ivan Ilyich”, por exemplo.

Chico Buarque de Hollanda tem o conhecido talento por retratar as relações conjugais pela ótica feminina. Mas, quem está familiarizado com a obra de Tolstói, sabe que neste quesito ele é difícil de ser superado. É o que pode-se deduzir da leitura de Anna Karenina, como bem diz uma colega, que é leitora contumaz de bons livros.
……………………………..
A tarde cai, silenciosa e calma – o que indica que ninguém da vizinhança fez aniversário natalício ou de casamento,  noivou ou casou, este fim de semana. De movimento, só mesmo os frequentadores da pista de cooper ou, o pessoal da Igreja Cristã Evangélica, que vai subindo a rua em suas roupas sóbrias (os homens de terno e gravata e, as mulheres, vestidos compridos). Alguns deles levam nas mãos os instrumentos musicais que tocam, durante o culto.

Nada de extraordinário aconteceu. Nenhum evento humano, terrestre, cósmico ou divino parece ameaçar a conclusão pacífica deste dia tão típico e manso de domingo.

Boa semana a todos!

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/cronicas/2602447


Caixa e BB iniciam nova fase de pagamento do PIS/Pasep

quinta-feira, 17 outubro, 2019

Trabalhadores que nasceram até dezembro recebem o PIS ainda este ano

O abono salarial dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) do calendário 2019/2020 começa a ser pago nesta quinta-feira (17) para os beneficiários nascidos em outubro e servidores públicos com final de inscrição 03.

A Caixa Econômica Federal é responsável pelo pagamento do abono salarial do PIS. Os pagamentos são disponibilizados de forma escalonada conforme o mês de nascimento do trabalhador.

Os titulares que possuem conta individual na Caixa com cadastro atualizado receberam o crédito automático antecipado desde a última terça-feira (15).

Os primeiros a receber o abono foram os nascidos em julho, no caso dos trabalhadores da iniciativa privada. Quanto aos servidores públicos, os que têm inscrição iniciada em zero.

Os trabalhadores que nasceram até dezembro recebem o PIS ainda este ano. Os nascidos entre janeiro e junho terão o recurso disponível para saque em 2020.

Os servidores públicos com o dígito final de inscrição do Pasep de 0 e 4 também recebem este ano. Já no caso das inscrições com o final entre 5 e 9, o pagamento será no próximo ano.

O fechamento do calendário de pagamento do exercício 2019/2020 será no dia 30 de junho de 2020.

Quem tem direito
O benefício é pago ao trabalhador inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, que tenha trabalhado formalmente por pelo menos 30 dias ao longo de 2018 com remuneração mensal média de até dois salários mínimos.

Para ter direito ao abono também é necessário que o empregador tenha informado os dados do empregado na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2018.

Para os trabalhadores que tiverem os dados declarados na Rais 2018 fora do prazo e entregues até 25 de setembro de 2019, o pagamento do abono salarial estará disponível a partir de 4 de novembro de 2019, conforme calendário aprovado. Após esse prazo, o abono será pago no calendário seguinte.

Os trabalhadores que tiverem os dados dos últimos cinco anos corrigidos e declarados pelos empregadores na Rais também terão seu abono liberado conforme o calendário regular. Se os empregadores encaminharem correções do cadastro a partir de 12 de junho de 2020, os recursos serão liberados no próximo calendário.

O teto pago é de até um salário mínimo (R$ 998), com o valor calculado na proporção de 1/12 do salário. A quantia que cada trabalhador vai receber é proporcional ao número de meses trabalhados formalmente em 2018.

Os herdeiros também têm direito ao saque. No caso de falecimento do participante, herdeiros têm que apresentar documentos que comprovem a morte e a condição de beneficiário legal.

Como sacar o PIS
O pagamento do PIS é feito pela Caixa e o do Pasep, pelo Banco do Brasil. Os clientes da Caixa e do Banco do Brasil recebem o dinheiro diretamente na conta.

Segundo a Caixa, beneficiários que não têm conta no banco e os que possuem Cartão do Cidadão com senha cadastrada podem pegar o recurso em casas lotéricas, ponto de atendimento Caixa Aqui ou terminais de autoatendimento da Caixa.

Caso não tenha o Cartão do Cidadão, o valor pode ser retirado em qualquer agência do banco. Nesse caso, é preciso apresentar um documento de identificação oficial.

O valor do benefício pode ser consultado no aplicativo Caixa Trabalhador, no site da Caixa ou pelo Atendimento Caixa ao Cidadão pelo 0800 726 0207.

De acordo com o banco, o total disponibilizado para o pagamento do PIS no atual calendário é de R$ 16,4 bilhões, beneficiando 21,6 milhões de trabalhadores.

Como receber o Pasep
No caso do Pasep, pago pelo Banco do Brasil, mais de 2,9 milhões de trabalhadores têm direito ao abono, totalizando R$ 2,6 bilhões.

Este ano, a novidade é que correntistas de outras instituições financeiras podem enviar transferência eletrônica disponível (TED) sem custos. Para os clientes Banco do Brasil, o crédito automático em conta será feito dois dias antes da liberação dos pagamentos.

Entre os servidores públicos e militares, com direito ao saque do abono no exercício 2019/2020, cerca de 1,6 milhão não têm conta no Banco do Brasil. Para facilitar o recebimento, esse público não precisará se deslocar a uma das agências do banco.

Na página da internet criada pelo BB para o pagamento do benefício, o servidor poderá solicitar a transferência bancária do valor do seu abono, de acordo com o calendário de pagamento. A transferência também pode ser feita em qualquer terminal de autoatendimento do Banco do Brasil, antes mesmo do início do atendimento físico nas agências.

Os demais beneficiários (cerca de 1,3 milhão de trabalhadores) são correntistas do banco.

Para saber se tem direito ao abono, o trabalhador pode consultar o site http://www.bb.com.br/pasep ou telefonar para a Central de Atendimento do Banco do Brasil, nos telefones 4004-0001 e 0800-729-0001.

Histórico
As leis complementares nº 7 e 8 de 1970, respectivamente, criaram o PIS e o Pasep. A partir de 1976, foi feita a unificação dos programas no Fundo PIS/Pasep. Até outubro de 1988 os empregadores contribuiam ao Fundo de Participação PIS/Pasep, que distribuía valores aos empregados na forma de cotas proporcionais ao salário e tempo de serviço.

Após a promulgação da Constituição de 1988, as contribuições recolhidas em nome do PIS/Pasep não acrescentam saldo às contas individuais. Os recursos passaram a compor o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para o custeio do Programa do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial e a financiamento de programas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O abono salarial que não for retirado dentro do calendário anual de pagamentos será devolvido ao FAT.

 


Crônica sobre um professor de história – Domingos Pellegrini

terça-feira, 15 outubro, 2019
Enviado por Gilberto Godoy
cronica-sobre-um-professor-de-historia---domingos-pellegrini

      Domingos Pellegrini, na Gazeta do Povo

O professor de História, no seu primeiro dia de aula, entra e os alunos nem percebem, conversando, falando ou jogando no celular. Ele escreve na velha lousa um imenso H, e depois vai desenhando cabeças com bigodes e barbas, enxada, foice. A turma foi prestando atenção, trocando risinhos, e agora espera curiosa. Finalmente ele fala:

– Não vamos estudar aquela História com H, só com heróis e grandes eventos! Vamos estudar a partir da nossa história, daonde e como viemos. Por exemplo, como é seu sobrenome?

– Oliveira.

– Pois é, muitos Oliveiras têm esse nome porque eram imigrantes europeus, fugidos de perseguições religiosas, então adotavam nomes de árvores ou plantas, Oliveira, Pereira, Trigueiro e tantos outros. E o seu sobrenome?

_ Santos.

– Foi o nome adotado por muitos ex-escravos ou filhos mestiços de fazendeiros com escravas. Você é, como diz o IBGE, pardo, o que não é vergonha nem demérito algum, ao contrário, a maioria do povo brasileiro é pardo. E o seu sobrenome?

– Vicentini.

– Origem italiana. Os italianos, como os espanhóis, alemães, japoneses, vieram para cá para bater enxada, trabalhar nos cafezais quando os escravos foram libertados.

O engraçadinho da turma levanta o braço:

– Meu sobrenome é Silva, professor. Tem mais Silva na lista telefônica que formiga em formigueiro. Daonde eu vim?

– Da selva. Silva é selva, em latim. Foi o nome dado pelos romanos antigos aos que vinham das florestas para morar na cidade, eram os “da selva”. Se a gente pensar que a maioria das pessoas morava no campo há meio século, e depois se mudou em massa para as cidades, a origem do nome até se justifica.

A turma espera em silêncio: aonde ele quer chegar?

– Proponho o seguinte. Vocês conversem com seus pais, avós, tios, para saber dos antepassados. Daonde vieram, por que, trabalharam e viveram onde e como. Cada um contará então a história de sua família, e daí vamos situar essa história familiar na história social. Vamos falar da cafeicultura, por exemplo, depois que alguém falar que seu avô trabalhou com café.

Uma mocinha levanta a mão:

– Não só meu avô, professor, minha avó conta que também trabalhava. Levantava às cinco, fazia café, dava de mamar ao nenê, porque ela diz que sempre tinha um nenê no ombro, outro na barriga e uma criança na barra da saia. Depois de fazer o café e tratar das galinhas, recolher os ovos, tirar leite das vacas e cuidar da horta, ela ia levar marmita pro meu avô e os filhos maiores no cafezal, e ficava lá também batendo enxada até o meio da tarde, quando voltava pra preparar e janta e…

– Bem, só com isso que você contou podemos estudar a cafeicultura e o feminismo, comparando as famílias daquele tempo e de hoje, tantas mudanças. Cada um de vocês, com sua história, vai acender o fogo do conhecimento em cada aula. Eu só vou botar lenha, dar as informações, vocês vão dar vida à História, que aí, sim, vai merecer H maiúsculo! Combinado?

Os alunos aplaudem, entusiasmados, comentam: nossa, massa, uau, professor maneiro!… Saem, e depois ele, saindo, dá com o diretor nervoso:

– Eu ouvi sua aula, professor, aqui ao lado da porta, como faço com todo novato! O senhor tire essas ideias da cabeça, viu? Vai ensinar conforme o programa, começando pelo descobrimento, as três caravelas, a calmaria etc. Entendido? Ora, onde já se viu, História viva… Só por cima do meu cadáver!

O professor novato vai pelo corredor, sentindo-se morrer por dentro. Na sala dos professores, nas paredes estão Tiradentes e o crucifixo de Jesus, dois mártires. Ele chora, perguntam por que, apenas consegue dizer “não é nada, é uma longa História”.

http://www.gilbertogodoy.com.br/ler-post/cronica-sobre-um-professor-de-historia—domingos-pellegrini

SALVE O 15 DE OUTUBRO

Salve o(a) professor(a), independente da matéria que ensine, ele é um construtor de novas histórias.


NOBEL DE ECONOMIA: A franco-americana Esther Duflo e os americanos Kramer e Banerjee dividirão o prêmio

segunda-feira, 14 outubro, 2019

Os economistas Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer ganharam o prêmio Nobel de Economia de 2019 por seus trabalhos no combate à pobreza global, anunciou nesta segunda-feira a Real Academia Sueca de Ciências.

A franco-americana Duflo se torna apenas a segunda mulher ganhadora do Nobel de Economia nos 50 anos de história do prêmio, além da mais nova, aos 46 anos. Ela dividiu o prêmio igualmente com os norte-americanos Kremer e Banerjee, que nasceu na Índia.

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Ganhadores do Nobel de Economia de 2019 (Foto: Karin Wesslen/TT News Agency/via REUTERS)

A Academia disse que o trabalho dos três economistas mostrou como o problema da pobreza pode ser resolvido dividindo-o em questões menores e mais precisas em áreas como educação e saúde, facilitando o enfrentamento dos problemas.

“Como resultado direto de um de seus estudos, mais de cinco milhões de crianças indianas se beneficiaram de programas eficazes de aulas de reforço na escola”, afirmou a Academia em comunicado.

“Outro exemplo são os pesados subsídios para cuidados de saúde preventivos que foram introduzidos em muitos países”.

O prêmio de 9 milhões de coroas suecas (915 mil dólares) foi uma adição posterior aos cinco prêmios criados pelo testamento do industrial e inventor da dinamite, Alfred Nobel, estabelecido pelo banco central sueco e concedido pela primeira vez em 1969.

Economia é o último dos prêmios a ser anunciado, com os vencedores de medicina, física, química, literatura e paz já tendo sido revelados ao longo da semana passada.


Alagoinhas: UNEB inscreve para mestrado em História até dia 28

domingo, 13 outubro, 2019

 A UNEB, por meio do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), do Departamento de Educação (DEDC) do Campus II, em Alagoinhas, está com inscrições abertas, até 28 de outubro, para seleção de aluno regular do curso de mestrado.

O curso, vinculado ao campus de Alagoinhas, está ofertando 15 vagas

O certame é direcionado para graduados de qualquer área do conhecimento. Serão ofertadas 15 vagas para o ano letivo de 2020, distribuídas em duas linhas de pesquisa: Linha 1 – Sociedade e Práticas Narrativas; e Linha 2 – Mundos do Trabalho, Práticas Sociais e Trajetórias.

Os interessados devem preencher formulário de inscrição e enviar (via Sedex), junto com a documentação especificada no edital Nº082/2019 da seleção , para secretaria do programa.

A seleção consiste em análise de projeto de pesquisa, prova escrita, entrevista, e proficiência em língua estrangeira (espanhol, francês ou inglês). O resultado está previsto para ser divulgado no dia 12 dezembro.

http://www.interiordabahia.com.br


Dentro de você, tem incenso tem música

sábado, 12 outubro, 2019

 Incenso fosse música (1987), de Paulo Leminski

Leminski foi um poeta recentemente redescoberto pelo grande público que provocou o encantamente imediato da audiência. Sua lírica é construída a partir de uma sintaxe simples e de um vocabulário cotidiano e aposta na partilha com o leitor para se construir um espaço de comunhão.

Incenso fosse música talvez seja o seu poema mais celebrado. Incluído no livro Distraídos venceremos, o poema é composto por apenas cinco versos e parece ser como uma pílula de sabedoria, apresentando um conhecimento de vida num espaço muito concentrado.

A composição trata da questão da identidade e da importância de sermos nós mesmos, sem nos deixarmos abater diante dos obstáculos que se apresentam. O eu-lírico convida o leitor a mergulhar dentro de si próprio e a seguir em frente, apesar dos percalços, prometendo um futuro promissor.

 

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

https://www.culturagenial.com/maiores-poemas-literatura-brasileira/

foto arquivo do prof.desiderio

Nosso comentário:

Nada pode ser tão autentico  quanto uma criança. A verdade dita por uma criança abala, pode ferir e machucar outra alma. Afinal, a verdade dói. Também é verdade que a alegria, o sorriso representações da felicidade vindos de uma criança, é certeza. É beleza, e também verdade.

A NOSSA HOMENAGEM A TODAS AS CRIANÇAS QUE ACOMAPANHAM O NOSSO BLOG, INDEPENDENTE DA IDADE. AFINAL OS SONHOS NÃO ENVELHECEM. NOS TRoUXE ATÉ AQUI E NOS LEVARÁ  ALÉM.

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS

Prof. Deisderio

 

 


Bahia é um dos estados mais prejudicados com novo texto da cessão onerosa

quinta-feira, 10 outubro, 2019

Mudança nos critérios da divisão dos recursos de leilão deverá render R$ 1 bilhão a menos aos estados da BA, PE, CE, PE, MA, PI e AL em relação à versão inicial da proposta

Foto: Reprodução/ Arquivo /Agência Brasil
Foto: Reprodução/ Arquivo /Agência Brasil

 

Ao lado de outros estados do Nordeste, como Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí e Alagoas, a Bahia é uma das Unidades da Federação que mais perdem com as mudanças nos recursos da divisão dos recursos do leilão da cessão onerosa, segundo planilha que circulou entre os governadores nordestino nesta quarta-feira (9). Eles calculam que o novo texto renderá R$ 1 bilhão a menos a estes estados.

Para o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), considerado o líder informal do grupo, o Congresso tirou “dos mais pobres para pagar a conta da União aos mais ricos”. Ele dá o exemplo de São Paulo, que ganhará R$ 618 milhões a mais em relação ao texto original.

A isenção do Imposto de Renda sobre o valor pago no leilão é outra perda já identificada pelos governadores nordestinos. Estima-se que os estados receberão 5,7 bilhões a menos, sendo o Nordeste, mais uma vez, a região mais prejudicada. Parlamentares trataram o corte como a fatura a ser paga por líderes da região que não apoiaram a reforma da Previdência.

Os integrantes da equipe econômica, no entanto, creem que essas contas ainda poderão embolar a discussão do tema no Senado, onde os estados têm equilíbrio de força.

As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

BAHIA.BA